Em entrevista escrita à Efe por ocasião de uma visita oficial a Madrid, em Espanha, Sentop aponta como “irresponsável e contrária à razão e à justiça” a sugestão de alguns políticos europeus de que uma futura onda de refugiados afegãos permaneça na Turquia, em vez de se mudar para o União Europeia (UE).

“Enquanto a UE não cumprir as suas promessas e não tomar as iniciativas humanitárias necessárias, a onda de migração não pode ser evitada. A Turquia não pode acolher mais migrantes. Todos têm de assumir a sua quota-parte de responsabilidade”, disse o presidente do Parlamento turco.

Durante a visita de três dias à capital espanhola, Mustafa Sentop reunir-se-á com o presidente do Congresso, Meritxell Batet, e com o presidente do Senado, Ander Gil, entre outros representantes espanhóis.

Mustafa Sentop, 53 anos, é, desde 2011, deputado do partido islâmico conservador AKP, fundado pelo atual presidente turco Recep Tayyip Erdogan.

Na entrevista à Efe, o presidente do Parlamento turco garante que Ancara conta com Madrid nos seus esforços para integrar a UE, assegurando que “o apoio espanhol é muito importante perante os países que têm um preconceito contra a Turquia”.

“Ultimamente, as nossas relações com a UE não estão a progredir como desejávamos”, admitiu Sentop, observando que “os problemas surgem do lado da UE”.

Neste sentido, o presidente do Parlamento denunciou que o Chipre, cuja parte norte do país está ocupada pela Turquia desde 1974, está a bloquear a abertura de vários capítulos do processo de adesão, “com o apoio encoberto de vários países”.

Mustafa Sentop sublinhou que as expectativas da Turquia, embora continuem a cumprir o acordo de migração com a UE de 2016, são “para acelerar as negociações, a isenção de visto, a atualização do acordo aduaneiro, reuniões regulares de alto nível e maior cooperação contra o terrorismo”.

“A UE deve entender que este problema (migração) não pode ser resolvido apenas com a ajuda financeira”, constatou, acrescentando que a UE “deveria aceitar um número suficiente de migrantes com um programa de integração”.

“Mas nem sequer cumpre com as suas obrigações financeiras”, criticou.

Quanto à situação migratória no seu país, recorda que a Turquia acolhe atualmente quatro milhões de refugiados, entre os quais 3,7 milhões de sírios.

Para estabilizar a situação, sublinhou Sentop, a Turquia lançou em 2016 uma intervenção militar no norte da Síria, não apenas para prevenir uma “franja terrorista”, mas também para conter a imigração irregular, estabelecendo uma zona segura.

Questionado sobre as críticas da oposição turca ao atual sistema presidencialista, que por meio de um referendo em 2017 substituiu o sistema parlamentar tradicional, Sentop acredita que essa reforma melhorou a separação de poderes.

“Não acredito que nosso povo concorde em abandonar esse sistema, que fortalece o Parlamento e dá aos cidadãos o poder de eleger diretamente o presidente”, concluiu Mustafa Sentop.

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