Putin, um aliado do regime de Damasco, falava numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, que apoia a oposição síria, após um encontro na estância de Sochi, na Rússia.

“A nossa posição comum é que a criação de zonas de desescalada [outra designação das zonas seguras] devem levar a uma maior pacificação e a um fortalecimento do regime de cessar-fogo”, declarou o chefe de Estado russo.

Putin salientou, no entanto, que a criação destas zonas deve ser negociada pelas fações envolvidas no conflito sírio, que iniciaram hoje uma nova ronda de negociações em Astana, no Cazaquistão.

“Presumimos que as partes envolvidas no conflito, reunidas hoje em Astana, vão tomar a decisão final, porque, em última análise, depende delas o destino do país”, referiu o Presidente russo.

Algumas horas antes da divulgação destas declarações de Putin, os rebeldes sírios anunciavam em Astana que suspendiam a sua participação nas negociações com o regime de Damasco até que parassem os bombardeamentos na Síria.

“A delegação rebelde suspende os encontros devido aos violentos bombardeamentos aéreos contra civis. A suspensão durará até ao fim dos ataques em toda a Síria”, disse fonte da delegação à agência France-Presse (AFP), sem precisar locais visados pelos bombardeamentos.

Em Sochi, Putin disse que a criação destas “zonas seguras” deve ser acompanhada por zonas de exclusão aérea, “sob a condição que não exista qualquer atividade militar nessas áreas”.

O chefe de Estado russo indicou ter abordado a questão das “zonas seguras”, designação que pode aproximar-se à ideia de uma zona tampão, com o seu homólogo americano, Donald Trump, durante uma conversa via telefone realizada na terça-feira.

“Se entendi, a administração americana apoia esta ideia”, declarou Putin, num tom prudente, segundo a descrição da AFP.

Estas zonas devem favorecer o estabelecimento “de um diálogo político entre os beligerantes. Este processo político deve levar, em última instância, a uma completa restauração da integridade territorial do país”, prosseguiu.

Segundo o líder russo, a luta contra as “organizações terroristas”, tais como o grupo extremista Estado Islâmico (EI) ou Jabhat Fateh al-Sham (anteriormente designada como Frente Al-Nosra, um ex-núcleo da Al-Qaida na Síria), vai continuar apesar da eventual criação destas zonas.

Por seu lado, o Presidente turco confirmou ter discutido a criação destas zonas com Putin, tendo considerado que é “ingénuo” chamar a estas zonas “seguras”, como as designa o Kremlin (Presidência russa).

Para Erdogan, seria mais correto chamar a esses territórios “zonas de baixa tensão”.

O chefe de Estado turco considerou que existe uma “zona de baixa tensão” na província síria de Idlib (região noroeste), onde “encontraram abrigo os refugiados de Alepo”.

Mas, Erdogan lamentou que “tenham surgido alguns problemas” nesta província, controlada pelos grupos opositores armados apoiados por Ancara e considerados como terroristas pelo governo do líder sírio, Bashar al-Assad.

De acordo com o projeto proposto por Moscovo, as “zonas seguras” seriam criadas nos territórios rebeldes em Idlib, na província central de Homs, no enclave rebelde de Ghouta (subúrbio leste de Damasco) e na parte sul do país.

Segundo a versão em árabe do projeto, à qual a AFP teve acesso, estas “zonas de desescalada” devem ser secundadas por “zonas de segurança” constituídas por postos de controlo e de centros de vigilância detidos conjuntamente pelo exército sírio e os rebeldes.

A ONU estima que pelo menos 320.000 pessoas morreram e milhões foram obrigadas a fugir desde o início do conflito armado na Síria, em março de 2011.

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