O Ministério dos Negócios Estrangeiros turco renovou contudo, num comunicado, um apelo de Ancara para que a disputa entre os dois aliados da NATO seja resolvida.

Na terça-feira, a Turquia anunciou planos para enviar embarcações de pesquisa nas águas disputadas do Mediterrâneo, aumentando as tensões com o país vizinho e ignorando os apelos de várias nações europeias para evitar tomadas de ação.

As autoridades turcas disseram que o veículo de pesquisa Oruc Reis e duas embarcações de suporte iriam realizar operações até 02 de agosto nas águas a sul das ilhas gregas de Rhodes, Karpathos e Kastelorizo.

A televisão estatal da Grécia revelou que as forças armadas do país foram colocadas em estado de prontidão.

A Turquia e a Grécia estão em desacordo sobre os direitos de perfuração na região, com a União Europeia (UE) e os Estados Unidos cada vez mais críticos dos planos de Ancara em expandir as operações de exploração e perfuração nas próximas semanas, já que Atenas afirma serem suas.

A Turquia acusou a Grécia de tentar excluí-la dos benefícios das descobertas de petróleo e gás no Mar Egeu e Mediterrâneo Oriental, argumentando que as fronteiras marítimas para exploração comercial devem ser divididas entre o continente grego e turco e não incluir as ilhas gregas em base de igualdade.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros turco denunciou aquilo a que chamou “uma reivindicação maximalista da plataforma continental”, insistindo que a mesma era “contra o direito internacional, precedentes legais e decisões judiciais”.

Na declaração o ministério acrescentou que a área marítima onde o Oruc Reis estava a conduzir a sua pesquisa era “nos limites da plataforma continental” que os turcos notificaram às Nações Unidas, acrescentando que foi dada uma licença de exploração à empresa petrolífera estatal, TPAO, em 2012.

A Grécia está a pressionar outros Estados da UE para prepararem “sanções incapacitantes” contra a Turquia, caso prossigam com os planos de exploração de gás e petróleo.

A descoberta de grandes jazidas de gás natural nos últimos dez anos junto às costas da ilha dividida de Chipre abriu novas perspetivas sobre o fornecimento de energia a partir desta região e forjou alianças entre países que pareciam até então pouco prováveis.

A Turquia, potência regional, foi excluída dos contratos de exploração dos recursos energéticos, reivindicados por oito países, da Líbia ao Egito e Israel.

Na terça-feira, o chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas, disse que as relações entre a União Europeia (UE) e a Turquia só poderão melhorar caso “Ancara abandone as (suas) provocações no Mediterrâneo Oriental”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, país que atualmente ocupa a presidência rotativa semestral do Conselho da UE, insistiu, no entanto, na “importância de manter um diálogo” com a Turquia, “um país estrategicamente importante no seio da NATO e na questão migratória”.

“Em relação às prospeções da Turquia no Mediterrâneo Oriental, temos uma posição clara: o Direito Internacional deve ser respeitado. O progresso nas relações UE-Turquia só será possível se Ancara abandonar as suas provocações no Mediterrâneo Oriental “, declarou Heiko Maas, numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo grego, Nikos Dendias.

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