“Hoje às 13:00 [12:00 em Lisboa], o último destacamento da força Barkhane presente no solo maliano cruzou a fronteira entre o Mali e o Níger”, anunciou o Estado-Maior em comunicado.

Ao fim de nove anos de presença no Mali, a força Barkhane reorganizou-se para sair do país “em menos de seis meses”.

“Este grande desafio logístico militar foi cumprido, em boa ordem e segurança, bem como com total transparência e em coordenação com os parceiros”, refere a nota.

Num outro comunicado, a Presidência francesa garantiu que o país “continua envolvido no Sahel”, bem como “no golfo da Guiné e na região do lago Chade, com todos os parceiros comprometidos com a estabilidade e a luta contra o terrorismo”.

Após criar a operação Barkane em 2014 para ajudar a combater o fundamentalismo islâmico no Mali, a França anunciou em 17 de fevereiro a decisão de reorganizar o dispositivo “fora do território maliano” por concluir que as “condições políticas e operacionais não estavam reunidas” para se manter no país, recordou hoje o Estado-maior.

A presença militar no Sahel ficará reduzida a metade até ao final do ano, com 2.500 militares.

Paris diz há meses que não está a abandonar o combate contra o extremismo islâmico e que está a debater com os países do Sahel e do golfo da Guiné a preparação de novas formas de intervenção.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, disse no mês passado que “até ao outono vai repensar” a presença militar em África.

A operação Barkhane foi forçada a sair do Mali na sequência de desentendimentos com a junta militar no poder em Bamaco desde 2020.

No total, a França retirou do Mali cerca de 4.000 contentores e um milhar de veículos, incluindo centenas de blindados, quando o Sahel regista um surto de violência que o grupo paramilitar russo Wagner, o novo aliado de Bamako, luta para conter.

Mais de 2.000 civis foram mortos no Mali, Níger e Burkina Faso desde o início do ano, mais do que os 2.021 mortos registados em todo o ano de 2021, segundo cálculos da agência France-Presse com base em dados da organização não-governamental Acled.

Em nove anos de presença no Sahel, o exército francês perdeu 59 militares.

A junta militar no poder em Bamaco desde 2020 pôs um fim à cooperação militar com a França e optou por se virar para a Rússia, através da empresa privada de mercenários Wagner.

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