A ideia tem vindo a ser repetida ao longo dos dias por Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS-PP: estas eleições autárquicas são um primeiro passo para a direita “resgatar o país do socialismo”.

Por direita, entende-se o partido centrista e o Partido Social Democrata. “Enquanto líder do CDS-PP, afirmei ao meu congresso e ao país que entendia que sempre que PSD e CDS-PP juntos pudessem derrotar a esquerda no poder deviam concorrer coligados”, disse Rodrigues dos Santos no dia 1 de setembro num comício em Odivelas, um dos 32 concelhos em que os dois partidos uniram forças na candidatura.

Apesar das afirmações assertivas e combativas do líder centrista, que nas últimas semanas tem tecido várias críticas ao Partido Socialista, há uma ideia que permanece: a de que o CDS tem de se resgatar a si primeiro, enquanto partido.

Porquê? Porque o CDS-PP de hoje está muito distante daquele que, por exemplo, integrou o governo de Pedro Passos Coelho, em que tinha 24 deputados, ou daquele que em 2015, em coligação com PSD, venceu as eleições legislativas tendo eleito 18 deputados. O CDS de hoje foi a quinta força política mais votada em 2019, elegendo apenas cinco deputados, e tem-se defrontado com várias lutas de poder internas desde a saída de Assunção Cristas — o que culminou na convocação de um Conselho Nacional, onde atual líder apresentou uma moção de confiança, que foi aprovada, naquilo que foi um confronto direto com Adolfo Mesquita Nunes, que se dizia preparado para assumir o leme do partido.

Como se tudo isto não bastasse, o aparecimento de forças políticas como a Iniciativa Liberal e o Chega vieram roubar espaço ao histórico partido com sede na rua da Madalena.

Por tudo isto, Rodrigues dos Santos afirmou que quer "dar ao CDS um grande resultado nas próximas eleições autárquicas". A fasquia está alta, sobretudo porque ainda vive na memória das pessoas o grande resultado alcançado por Assunção Cristas em Lisboa em 2017.

O que é fazer melhor? Para Fernando Barbosa, coordenador autárquico do CDS, é simples: manter as câmaras centristas e conquistas mais.

Atualmente, há seis presidentes de câmara centristas: Duarte dos Santos Almeida (Oliveira do Bairro/Aveiro), José Alberto Pinheiro e Silva (Vale de Cambra/Aveiro), António Augusto Loureiro Santos (Albergaria-a-Velha/Aveiro), Victor Manuel Alves Mendes (Ponte de Lima/Viana do Castelo), Luís Virgílio de Sousa da Silveira (Velas (Ilha de São Jorge/ Açores) e Dinarte Fernandes (Santana/Madeira).

Segundo o SAPO24 conseguiu apurar, dentro daquilo que é expectável, os autarcas dos concelhos do distrito de Aveiro, todos eles recandidatos a um terceiro e último mandato, não deverão ter problemas em manter-se à frente das respetivas câmaras. Um bocadinho a sul, no distrito de Coimbra, as atenções também estão voltadas para o concelho de Oliveira do Hospital onde Francisco Rodrigues dos Santos concorre à Assembleia Municipal.

Nas ilhas, Luís da Silveira, nos Açores, deverá conseguir a recandidatura. Na Madeira, Dinarte Fernandes, que em 2019 substituiu Teófilo Cunha, à data presidente de câmara do concelho insular e que integrou o Governo da Madeira, de coligação com o PSD, passando a exercer o cargo de secretário regional do Mar e Pescas, deverá, segundo uma sondagem publicada pelo DN Madeira a 2 de setembro, conseguir conquistar nas urnas o seu primeiro mandato de presidente.

A única dúvida é Ponte de Lima, concelho que é um reduto dos centristas e onde desde 1976 o CDS só não governou sozinho em três ocasiões: 1979 (Aliança Democrática), 1982 (Aliança Democrática) e 2001 (lista independente). Os 'ses' residem no facto de Victor Mendes, o atual autarca deste concelho de Viana do Castelo, ter atingido o limite de mandatos e o partido ter-se partido em três candidaturas. Há uma lista apresentada pelo partido e liderada por Vasco Ferraz, atual vereador das Obras Particulares e Urbanismo, Proteção Civil, Desporto e Juventude, e duas de dissidentes do CDS. Uma é o Movimento Ponte de Lima Minha Terra (PLMT), liderado por Abel Batista, e que tem o apoio do PS, e o outro é o movimento independente Viramilho, encabeçado pelo candidato Gaspar Martins.

Uma das câmaras que pode valer ao CDS um resultado melhor que o alcançado em 2017 é São João da Madeira. João Almeida, centrista, é o candidato a presidente numa coligação liderada pelo PSD e que envolve também o CDS e a Iniciativa Liberal.

O atual deputado, candidato derrotado contra Francisco Rodrigues dos Santos no congresso da sucessão de Assunção Cristas em 2020, disse ao SAPO24 que está preparado para aceitar “a responsabilidade que os são-joanenses me derem”.

“Estou 100% concentrado em ganhar a câmara e em ser presidente de câmara, mas se por acaso não for isso que venha a acontecer seria uma arrogância muito grande não aceitar a responsabilidade que os são-joanenses me derem. A função que me for confiada será aquela que assumirei na totalidade do mandato”, explicou, acrescentando que se for eleito vereador e não lhe for atribuído nenhum pelouro deixará para mais tarde a reflexão se deixa ou não o lugar de deputado na Assembleia da República.

“O CDS tem gente para poder dar a volta”

Fernando Barbosa desvaloriza questões sobre a sobrevivência do partido. “Já passei muito por isso”, diz, sublinhando que “todas as eleições são importantes para o CDS” e que “esta é só mais uma etapa". "Queremos cumprir e ter os melhores resultados possíveis”, conclui.

Para o coordenador autárquico, estas eleições e o poder local são fundamentais para servir de base a um crescimento “de baixo para cima do partido”.

Foi, segundo o mesmo, essa base que faltou nos últimos atos eleitorais. “Nas autárquicas o CDS participava sempre, mas depois não dava continuidade ao trabalho”, diz.

“O meu objetivo é dar apoio aos novos autarcas, ajudar todos aqueles que forem eleitos, dar-lhes formação para daqui a quatro anos termos aqueles que hoje elegermos e darmos um salto para que continuemos sempre a crescer e não como costumava muita das vezes acontecer: chegávamos às autárquicas, arranjávamos pessoas, mas depois não existia continuidade. Passados quatro anos estávamos sempre a começar sempre de novo. Eu quero que esse ciclo morra de vez”, sublinhou.

O desafio da implementação local ganha ainda mais importância em 2021, uma vez que dos seis presidentes de câmara centristas há quatro que vão para um terceiro e último mandato.

Confiante, questionado sobre a capacidade de o CDS fazer mais e melhor do que em 2017, sobretudo no que toca à liderança de autarquias, Fernando Barbosa garante que será esse o cenário da noite eleitoral do dia 26 de setembro, pelo que tem "auscultado" na rua, "pelas equipas" e pelo que tem ouvido das candidaturas.

“O CDS tem gente para poder dar a volta”, garante.

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