Mártir: "Pessoa que sofre tormentos ou a morte por uma crençauma ideia ou uma causa". É este o mote de um atelier dinamarquês - The Other Eye of The Tiger - para um projeto apresentado em Berlim, no Kunstquartier Bethanien. A exposição, intitulada "Museu Mártir", apresenta fotografias e notas biográficas de 20 pessoas, de várias épocas, que "morreram pelas suas convicções".

A controvérsia surge porque, entre estes 20 nomes, estão Ismael Omar Mostefai, responsável pelo ataque ao Bataclan, em 2015, em Paris, e Mohammed Atta, um dos pilotos do 11 de Setembro de 2001, lado a lado com figuras como Sócrates, filósofo grego, ou Martin Luther King, ícone dos direitos civis dos EUA.

A embaixada de França em Berlim considera a decisão de incluir os atacantes "profundamente chocante". "Embora consideremos a liberdade de criação artística, condenamos fortemente a confusão aqui patente entre martírio e terrorismo", referiu em comunicado citado pelo The Guardian.

Contudo, o atelier defendeu a exposição, dizendo que condenou qualquer tipo de violência ou terrorismo e que estava apenas a considerar o uso do termo mártir. "Todos os mártires da obra de arte foram nomeados assim por um estado, religião ou organização. Nenhum dos mártires foi nomeado pelos artistas ", afirmaram.

Uma versão anterior do Museu Mártir em Copenhagua, em 2016, também foi fonte de polémica, com críticas que apresentavam uma queixa policial acusando os artistas de "encorajar o terrorismo", um vez que também foram incluídas pessoas como, por exemplo, Ibrahim and Khalid El-Bakraoui, bombistas suicidas de Bruxelas.

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