A nova estátua representará as ativistas Susan B. Anthony, Elizabeth Cady Stanton e Sojourner Truth. A imagem de Truth, uma escrava abolicionista, foi adicionada num segundo momento à escultura, depois de críticas de que as sufragistas afro-americanas não tinham sido incluídas.

As três não só foram pioneiras na luta pelos direitos das mulheres, como eram nova iorquinas.

"Esta estátua transmite o poder das mulheres a trabalhar em conjunto para trazer mudanças revolucionárias na sociedade", disse à Associated Press (AP) Pamela Elam, presidente da Monumental Women, uma organização sem fins lucrativos, de que fazem parte historiadores e líderes comunitários. A instituição angariou 1,5 milhões de dólares (mais de 1,3 milhões de euros) para criar e manter o novo monumento e para desenvolver um programa educacional sobre o papel das mulheres na história.

A escultura será colocada no parque de Manhattan, em Nova Iorque, Estados Unidos, a 26 de agosto do próximo ano.

A data tem um significado especial: em 2020 celebram-se 100 anos desde que as mulheres norte-americanas conquistaram o direito ao voto.

Em Nova Iorque, apenas cinco de 150 estátuas representam mulheres reais, diz a publicação Quartz num artigo intitulado “Os Estados Unidos têm menos de 400 estátuas de mulheres - Mas isso está a mudar”, onde fala sobre os movimentos que se têm gerado no país para aumentar a representação das figuras femininas que tiveram um papel de relevo na história norte-americana.

A nova estátua do Central Parque é da autoria da artista Meredith Bergmann e vai quebrar aquilo que alguns chamam o “teto de bronze” neste parque com 166 anos: a falta de esculturas em tributo a mulheres, além de personagens femininas fictícias como a Mãe Ganso ou a Alice no País das Maravilhas.

A peça de bronze vai-se juntar à lista de estátuas de homenagem a homens, de que fazem parte figuras como Cristóvão Colombo, Alexander Hamilton, William Shakespeare e Sir Walter Scott.

A Comissão de Design Público, que analisa as obras de arte colocadas nos terrenos da cidade, aprovou no passado dia 21 de outubro a imagem de Bergmann, escolhida entre 91 que foram a concurso.

“A minha esperança é que todos, mas principalmente os jovens, sejam inspirados por esta imagem de mulheres de diferentes origens e de diferentes contextos religiosos e económicos, a trabalharem juntas para mudar o mundo", disse Bergmann, citada pela Associated Press, quando soube da decisão.

O processo de criação das figuras representadas na estátua não foi isento de controvérsias. Quando o projeto original de Bergmann foi apresentado no ano passado, a escultura incluía apenas Susan B. Anthony e Elizabeth Cady Stanton. Nessa altura, surgiram críticas a questionar porque é que o monumento não incluía nenhuma mulher ativista afro-americana que tenha sido relevante na defesa das mesmas causas.

A sugestão levou à reformulação da estátua, passando a estar representada também Truth, juntamente com as outras duas mulheres, sentadas numa mesa a trabalhar.

Truth foi uma abolicionista afro-americana e ativista dos direitos das mulheres. Na Convenção dos Direitos das Mulheres de 1851, em Akron, Ohio, Truth fez um discurso que hoje em dia é considerado icónico intitulado "Não sou uma mulher?"

Susan B. Anthony e Elizabeth Cady Stanton, também no século XIX, tiveram um papel-chave na luta pelos direitos das mulheres, incluindo o direito ao voto.

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