“Isto significa que quer as secas quer as ondas de calor são fatores fundamentais para a ocorrência de grandes incêndios embora, como é óbvio, estas condições possam ocorrer sem que ocorram os grandes incêndios”, afirmou hoje à agência Lusa Mário Pereira, do departamento de Física, da universidade localizada em Vila Real.

O responsável especificou que “não é por haver seca ou por haver uma onda de calor que vai haver um grande incêndio, mas que só há grandes fogos se houver seca e se houver ondas de calor”.

O estudo “Influência das condições meteorológicas e climáticas na ocorrência de fogos extremos” juntou os investigadores Mário Pereira, Malik Amraoui, Joana Parente e Isilda Menezes e está inserido em dois projetos: o Firextr e o Interact.

“O objetivo foi, no fundo, estudar as condições meteorológicas e climáticas que estão associadas aos incêndios e, em particular, aos incêndios extremos”, frisou Mário Pereira.

Os grandes incêndios são aqueles que contabilizam, segundo o especialista, mais de 5.000 hectares de área ardida.

“São os que têm verdadeiro impacto no país, não só na área ardida como nas fatalidades, na água, qualidade do ar ou na visibilidade”, referiu.

De acordo com os autores do estudo, esta foi a “primeira vez” que se fez uma análise quantitativa da relação entre períodos de seca e ondas de calor e a ocorrência de incêndios em Portugal.

“Fomos quantificar e fornecer indicadores claros, números, sobre a medida desta relação entre as condições meteorológicas extremas e fogos igualmente extremos”, salientou Mário Pereira.

A investigação abrangeu o período compreendido entre 1981 e 2017, ano em que foram estudados com “grande detalhe” os fogos de Pedrógão Grande (junho) e da zona Centro (outubro).

Mário Pereira explicou que, numa primeira fase, foi feita a caracterização destes fenómenos, nomeadamente a sua distribuição espaço – temporal, ou seja, a investigação foi saber onde e quando ocorreram.

O passo seguinte foi estabelecer uma relação entre a influência das ondas de calor e da seca e os grandes incêndios e quantificá-la.

Neste trabalho, os investigadores usaram quatro índices: o SPI (avalia a precipitação), o SPEI (tem em consideração não só a precipitação como também o efeito da temperatura e da evaporação nas secas), RDI (índice que diz se a vegetação está afetada) VCI (índice de dados obtidos por satélite e que avalia o stress hídrico).

“E o que nós verificamos é que no que diz respeito à seca e se utilizarmos dois índices, o SPI e o SPEI, conseguimos verificar que todos os grandes incêndios ocorreram durante o período de seca", referiu.

Se for usado só o índice SPI o valor passa para os 97% e só o SPEI passa para os 95%.

O responsável acrescentou que "a mesma coisa se passa nas ondas de calor, ou seja, 97% dos grandes incêndios ocorreram durante uma onda de calor ou imediatamente a seguir”.

“Se há uma assinatura tão forte destes dois eventos meteorológico – climáticos na ocorrência dos grandes fogos, podemos desenvolver estes temas de prevenção e de monitorização dos fogos com base na ocorrência quer das secas quer das ondas de calor”, sublinhou.

Mário Pereira referiu que o estudo vai prosseguir, incidindo no comportamento destes fenómenos no futuro, e adiantou que o objetivo é também estudar a relação com os pequenos fogos.

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