Escolas sem educadores não é um problema exclusivo de Portugal, segundo o “Relatório Global sobre Professores” realizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) que sublinha que este é um problema global.

“Há atualmente uma escassez de 44 milhões de professores primários e secundários”, lê-se no documento, que destaca que este drama “afeta tanto os países desenvolvidos como os países em desenvolvimento”.

Em Portugal, um estudo realizado em 2021 pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) e pela Nova School of Business & Economics alertava para o envelhecimento da classe docente e aumento progressivo de reformas que levaria a uma carência de 34.500 docentes até 2030, caso não fossem tomadas medidas urgentes.

A Unesco sublinha que o problema é global e os efeitos sentem-se nos diferentes países, onde é cada vez mais comum encontrar turmas com cada vez mais alunos, sentir a pressão financeira sobre os sistemas educativos ou ouvir educadores a queixarem-se de estarem sobrecarregados de trabalho. A consequência desta realidade são as disparidades nos resultados educativos.

“O desgaste é uma preocupação global: entre 2015 e 2022, as taxas de desgaste dos professores no ensino primário duplicou em todo o mundo, de 4,6% para 9%”, refere o relatório, indicando que são cada vez mais os que “deixam a profissão durante os cinco primeiros anos de prática”.

O estudo apresenta estratégias e medidas para aumentar o recrutamento, a atração e retenção, que passam pelo aumento de salários e melhores condições de trabalho.

“A despesa nacional adequada desempenha um papel crucial no financiamento da educação, particularmente quando se trata de salários de professores. Investindo em professores os iniciantes podem ser uma estratégia económica e de longo prazo para combater o desgaste dos professores”, segundo os pontos-chave do primeiro Relatório Global sobre Professores.

Em Portugal, o Ministério da Educação levou a cabo um conjunto de medidas, que vão desde reduzir a precariedade, oferecer estágios remunerados ou tornar mais acessível o acesso à profissão, mas os sindicatos dizem ser insuficiente.

Os sindicatos portugueses consideram que continua a existir uma desvalorização da classe docente, que deveria haver aumentos salariais e o cumprimento dos horários de trabalho, que dizem ser muitas vezes ultrapassados.

No topo das reivindicações dos professores portugueses, que motivaram mais de 500 pré-avisos de greve no passado ano letivo, continuam os seis anos, seis meses e 23 dias em que os professores trabalharam mas a sua carreira esteve congelada.

A Unesco aponta ainda um outro caminho, que é o de aumentar a presença dos homens na profissão e o das mulheres em algumas disciplinas e cargos de gestão.

“São necessárias políticas inclusivas para promover a igualdade de género na profissão, lutar contra a sub-representação das mulheres em determinadas disciplinas e em cargos de gestão e incentivar os homens a ingressar e permanecer no ensino. O corpo docente deverá refletir a diversidade das comunidades que serve, o que melhoraria a atratividade e enriqueceria a experiências de aprendizagem”, lê-se no documento.

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