"Oh, meu Deus! Oh, meu Deus", grita, com uma voz desesperada, uma jovem de cabelos pretos no meio de uma multidão silenciosa. No meio do silêncio, uma jovem desolada, amparada por familiares, deixa escapar um sinal de dor e cai nas escadas que levam ao centro comercial. Transeuntes e moradores permanecem petrificados. Um homem de quarenta anos, nesse mesmo momento, começa a chorar nos braços de sua amiga. Nos rostos, muitas lágrimas.

"Estamos todos muito abalados. Vivemos neste bairro, as crianças costumam vir fazer as compras aqui. Para nós é um lugar muito familiar", confessa Alexa Gattinger, de 43 anos, com os seus três filhos ao seu lado.

Georg Schäfer, de 39 anos, também é assíduo no local. "Queria estar aqui, mostrar o meu apoio. Muitos jovens morreram por causa de um louco. Temos que nos reunir, de ficar juntos", assegura.

O ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, com o rosto cansado, também foi a Munique para mostrar o "apoio do governo, dos alemães (...) aos pais que choram por seus filhos, ao jovens que choram pelos seus amigos da escola". Será preciso transformar o estilo de vida? "É muito cedo para tirar conclusões", afirma. Mas há que desconfiar dos "enfurecidos discursos de ódio", há que questionar "estes vídeo-games violentos" que os jovens adoram, indicou referindo-se a uma das paixões do jovem assassino.

"Warum?"

Um pouco mais longe, na entrada do metropolitano, as flores são vistas aos montes. "So sorry" ("Tão triste"), pode ser visto numa das velas. "Warum?" ("Porquê?"), pergunta uma mensagem anónima. Logo ao lado, Amir Najjarzadeh, um vigia de origem afegã, encontra-se ainda comovido pelo que viveu no dia anterior. Trabalha a alguns metros do local do ataque, noutro centro comercial. "Pensei: 'Já era, está como em Paris'", recorda, fazendo alusão aos atentados de novembro de 2015, reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) e que custaram a vida de 130 pessoas em restaurantes e em uma casa de espectáculos, na capital francesa.

"Vi muita gente correndo até nós, abrigando-se no nosso centro comercial. Fechei a porta, ajudei um determinado número de pessoas a sair por outra porta e uns 100 ou 150 a se refugiarem no subsolo", explica. Uma vez de novo no piso térreo, a polícia colocou-o no chão antes de o deixar em liberdade, enquanto procuravam a sua identidade. "Desde então não dormi, tudo isto me perturba", confessa o vigia, ainda estremecido. 

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