André Ventura foi hoje recebido, a seu pedido, pelo Presidente da República a propósito do processo parlamentar sobre a eutanásia, tendo sido questionado pelos jornalistas sobre o agradecimento que Marcelo Rebelo de Sousa fez, numa mensagem evocativa do 1.º de Dezembro, aos ciganos que “deram a vida” pela independência nacional, lamentando a discriminação de que têm sido alvo em Portugal.

“Não tenho conhecimento da participação da comunidade cigana nesse processo da independência, certamente que foi uma nota histórica da Presidência da República”, começou por responder, rejeitando que o partido alguma vez tenha “colocado em causa” ou desprezado a comunidade cigana, apesar de repetidas declarações críticas ao longo dos anos, como a sugestão de que houvesse um plano de confinamento específico para essa comunidade, nos primeiros meses da pandemia de covid-19.

O que André Ventura gostaria de ver “é que, ao mesmo tempo que as autoridades públicas se regozijam com a participação cigana na vida nacional, que é importante”, fossem também “capazes de chamar a atenção da comunidade cigana quando esta também tem que ser chamada à atenção”.

“Quando é para fazer um exercício laudatório pode dizer-se que é a comunidade cigana, mas quando é para se fazer um exercício crítico já não se pode mencionar a comunidade cigana”, disse.

Para o presidente do Chega, o chefe de Estado “dizer que ninguém em Portugal deve ser discriminado, seja cigano, seja afrodescendente, seja asiático, seja imigrante, isso é positivo”.

“O Presidente da República tem o direito e a legitimidade de fazer este juízo, mas nós gostaríamos de ver também as autoridades públicas às vezes fazer um exercício crítico dessa mesma comunidade e nunca vemos isso”, enfatizou.

Na mensagem publicada esta manhã no sítio oficial da Presidência da República pode ler-se que “ao lembrar tantos portugueses, de tantas origens, que se envolveram no movimento revolucionário, o Presidente da República quer lembrar também os portugueses de etnia cigana que, como reconheceu então o próprio Rei D. João IV, deram a vida pela nossa independência nacional”.

Na mensagem em que saúda o dia “em que valorosos guerreiros nos deram livre a Nação”, o chefe de Estado destaca o ‘cavaleiro fidalgo’ Jerónimo da Costa e muitos dos duzentos e cinquenta outros ciganos que serviram nas fronteiras e tombaram por Portugal.

“Portugal lembra-os, presta-lhes homenagem e exprime a sua gratidão. Este dever de memória é de elementar justiça e rompe com tanto esquecimento e discriminação de que os ciganos têm, infelizmente, sido alvo no nosso país”.

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