Localizado no bairro do Soho, este bar lançou uma campanha de arrecadação de fundos online, onde espera juntar 80.000 libras (90.190 euros) para cobrir os gastos devido à falta de rendimentos: na segunda-feira, já tinha arrecadado mais de 50.000 (56368,75 euros).

"Tivemos de fazer isso, porque não tínhamos reservas suficientes", explica à AFP Lesley Lewis, proprietária há três décadas. Até onde sabe, a única vez que o pub teve de fechar foi após um bombardeio da Segunda Guerra Mundial, mas apenas "por um dia".

A pandemia de covid-19 levou o Reino Unido - que, com 32.065 mortos, é o segundo país com maior número de mortes no mundo - a adotar medidas sem precedentes para conter a propagação do vírus.

O primeiro-ministro Boris Johnson ordenou o encerramento dos pubs e de outros estabelecimentos públicos em 20 de março, e não se espera que reabram até, no mínimo, julho.

No Reino Unido existem perto de 50 mil pubs, sendo que estes estabelecimentos empregam quase 500 mil pessoas, e o setor já estava a passar por dificuldades ainda antes da pandemia.

De acordo com a British Beer and Pub Association, muitos dos proprietários já estavam a enfrentar desafios como a recessão económica, a proibição de fumar ou um aumento dos importos.

Para sobreviver, a maioria colocou sua equipa em lay-off parcial e inscreveu-se em programas de emergência do governo para ajudar as pequenas empresas.

Os historiadores ingleses acreditam que esta pode ser a primeira vez desde a Grande Praga de Londres em 1665 — ou mesmo desde sempre — que todos os pubs ingleses fecharam.

"Nos tempos modernos, o único precedente foi durante a Segunda Guerra Mundial. Os pubs fecharam às vezes devido à falta de cerveja", comenta o historiador Paul Jennings. No entanto, mesmo nesses casos, os estabelecimentos voltaram a abrir quando possível pois era "bom para a moral".

Para um dos proprietários do "Hearsall Inn", em Coventry, no centro do Reino Unido, a crise não tem precedentes desde que a sua família começou a dirigir o estabelecimento há 22 anos.

Daniel Scott está à frente do pub que se diz servir "o melhor copo de Guinness das redondezas". No entanto, desde 20 de março que não serve qualquer gota desta afamada cerveja preta.

Este estabelecimento junto ao centro da cidade costuma estar cheio e é um ponto de encontro da comunidade local. Por isso mesmo, Scott tem "a certeza" que o "Hearsall Inn" vai aguentar a crise. "Estamos bem estabelecidos e temos ótimos clientes, se perguntar a qualquer um deles, estão mortinhos para voltar ao pub".

Caso disso, mais a sul, é o de Rakesh Modha, que está ansioso para voltar ao "Linden Tree". Situado no povoado de Bursledon, próximo a Southampton, este cliente costumava visitar este bar quatro vezes por semana, e ajudar a organizar o tradicional quiz semanal, uma tradição que resiste nestes estabelecimentos. "Há um vazio na minha vida", lamentou, dizendo sentir falta "da interação com os amigos" no pub.

Com o desconfinamento progressivo do país anunciado por Johnson, a indústria espera poder reabrir pelo menos parcialmente. O executivo alertou, porém, que isto não será possível pelo menos até julho, se a situação de saúde houver melhorado até então.

Para tal, vão ter de haver grandes alterações na forma de funcionamento destes espaços. Em Coventry, Scott considera instalar telas protetoras para separar clientes e funcionários e limitar o fluxo na entrada.

Porém, apesar de todos estes desafios, Jennings acredita que o pub permanecerá no coração da vida britânica: "O pub claramente está aqui para ficar", considera o historiador.

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