A projeção faz parte de uma avaliação sobre o impacto socioeconómico da doença, feita pelo PNUD em parceria com a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), que apresentou dados gerais do vírus zika na região e estudos de casos no Brasil, Colômbia e Suriname.

Num comunicado distribuído pela Organização das Nações Unidas (ONU), a diretora do PNUD para a América Latina e Caribe, Jessica Faieta, explicou que "perdas tangíveis para o PIB (Produto Interno Bruto) destas economias fortemente dependentes do turismo junto com a pressão sobre os sistemas de saúde podem minar décadas de desenvolvimento social".

O estudo verificou que o vírus zika afetou desproporcionalmente os países mais pobres da região, bem como os grupos mais vulneráveis dentro de cada país.

Segundo os dados recolhidos, o Caribe foi o local mais prejudicado, com um impacto cinco vezes maior do que o da América do Sul.

"Mais de 80% das perdas potenciais em três anos [na região do Caribe] devem-se à redução das receitas do turismo internacional, com o potencial de atingir um total de nove mil milhões de dólares (8,4 milhões de euros) em três anos ou 0,06% do PIB anualmente", adianta o documento.

O estudo conclui que as maiores economias analisadas, como, por exemplo, o Brasil, devem responder por uma parcela maior deste custo absoluto calculado, embora os impactos mais severos sejam sentidos nos países pobres.

"Haiti e Belize podem perder em torno de 1,13% e 1,19%, respectivamente, do PIB anualmente num cenário de infecção [por zika vírus] elevada", lê-se na análise.

O relatório também estima que os custos indiretos da circulação da doença devem ser substanciais, sugerindo uma perda de renda devido a novas obrigações com cuidados infantis entre 500 milhões (470 milhões de euros) e cinco mil milhões de dólares (4,7 mil milhões de euros).

Durante a apresentação do relatório, o subsecretário-geral da ONU e diretor do escritório de apoio às políticas e programas do PNUD, Magdy Martínez-Solimán, mencionou que "o vírus zika lembra que todos os países e pessoas continuam vulneráveis às doenças infecciosas emergentes".

Assim, nos apontamentos sobre as melhores práticas que devem ser executadas no futuro, a pesquisa chama a atenção para a necessidade de estes governos trabalharem junto com a população no desenvolvimento de estratégias para dar respostas rápidas a este tipo de problema.

"Como visto recentemente, o vírus zika, a febre amarela e outras epidemias disseminadas por mosquitos expandem-se rapidamente. Os governos e as comunidades devem estar prontos para reagir", conclui o relatório.

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