A empresa, considerada até essa altura um dos exemplos da indústria alemã, também afirma, num comunicado emitido nesta quarta-feira, que nenhum dos seus diretores pode ter tomado consciência da dimensão do caso até às revelações que o trouxeram à tona em setembro de 2015.

A Volkswagen, que estava em vias de se tornar a maior fabricante mundial de automóveis, admitiu ter adulterado 11 milhões de veículos a diesel no mundo, com o objetivo de manipular os resultados das medições de emissão de poluentes.

No comunicado divulgado na sua página página de internet, a Volkswagen indica que a 23 de maio de 2014 Winterkorn recebeu um relatório relacionado com um estudo do International Council on Clean Transportation (ICCT), uma organização não governamental com sede nos Estados Unidos, que mencionava discrepâncias em medições de emissões dos motores a diesel.

"Não há certeza se Winterkorn lhe prestou atenção, no meio do volumoso número de mensagens enviadas durante o fim de semana", afirma a Volkswagen nas conclusões preliminares da sua investigação interna, que será publicada em abril.

As conclusões do ICCT serviram de base às acusações feitas em setembro de 2015 contra a fabricante alemã pela California Air Resources Board (CARB). Martin Winterkorn, que se viu obrigado a apresentar a demissão poucos meses depois do escândalo, sempre se declarou inocente.

Segundo a fabricante de automóveis, o executivo recebeu outro relatório em novembro de 2014, sobre o que a empresa chama de "o problema do diesel". "De acordo com o que sabemos até agora, o problema do diesel foi tratado como um dos numerosos problemas com produtos enfrentados pela companhia e inicialmente não se deu uma atenção especial", esclarece o comunicado.

A descoberta da fraude das emissões pode custar milhões de dólares à Volkswagen, sobretudo nos Estados Unidos e na Alemanha. As ações da empresa na Bolsa de Frankfurt estão em queda desde setembro do ano passado.

Denúncia coletiva, "carente de fundamento"

Os denunciantes do caso acusam o grupo proprietário de doze marcas de veículos de ter violado as regras de transparência do mercado, assegurando que a empresa sabia das fraudes muito antes de elas virem à tona. A Volkswagen rejeitou as acusações, afirmando que "após um exame atento (do caso) pelos seus assessores internos e externos, a companhia ratifica a sua convicção de que o seu conselho de administração cumpriu devidamente as suas obrigações de divulgação no que toca às normas do mercado de capitais da Alemanha".

A empresa "lamenta profundamente os incidentes relacionados com o problema do diesel", mas considera "carente de fundamento" uma denúncia coletiva apresentada por acionistas alemães. "Até ao anúncio das violações às regulações ambientais dos Estados Unidos", no dia 18 de setembro, "não havia indício algum de informações relevantes para o mercado de valores".

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