Com a suspensão das aulas de modelação e confeção na Lourinhã, no distrito de Lisboa, Carlos Valeriano, com formação em design e confeção de vestuário, e os respetivos formandos puseram mãos à obra, para colmatar "a falta deste material nos lares, hospitais e centros de saúde".

Primeiro começou por pesquisar o tipo de tecidos que podia usar na confeção de máscaras de proteção individual e validar o modelo junto das autoridades de saúde.

"Encontrei o TNT (Tecido Não Tecido), mas só aquele que é impermeável. O teste é muito simples e basta pegar no tecido e metê-lo debaixo de uma torneira de água e ver realmente se é impermeável ou não, para que as gotículas, quando se tosse ou espirra, não passem através da máscara", explicou à agência Lusa este profissional, que optou por tecido com uma grossura de 50 gramas e aplicar uma camada dupla.

O modelo de máscara é resistente a lavagens a 90 graus, indispensáveis para esterilizar as máscaras depois de confecionadas.

Desde sábado, o grupo começou a produzir, numa onda de solidariedade que abrange hoje mais de duas centenas de costureiras só na região Oeste e alastra a todo o país.

A título de exemplo, "desde sábado já fizeram cerca de 1.500 máscaras só na Lourinhã e mais 500 em Torres Vedras", onde se juntou o ateliê de costura solidária My Moio, que se dedica a confecionar vestuário para crianças carenciadas em todo o mundo.

Os pedidos têm chegado de todo o país e só na Lourinhã a Proteção Civil Municipal solicitou 3.000 a 5.000 máscaras até sexta-feira para responder às necessidades das instituições locais.

Covid19: Máscaras em TNT
Uma costureira costura máscaras de TNT (tecido não tecido), Torres Vedras, 26 de março de 2020. Em Portugal há 60 mortes e 3.544 infeções confirmadas, derivadas do novo coronavírus, segundo o boletim de hoje da Direção Geral de Saúde (DGS). (ACOMPANHA TEXTO) MANUEL DE ALMEIDA/LUSA créditos: © 2020 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

"Estou cansado, porque foi uma noite de trabalho, mas acho que vamos conseguir, porque há muito empenho das voluntarias que estão nas suas casas e estão a entregar-se totalmente a este projeto", disse Carlos Valeriano à agência Lusa, que já teve ofertas de dinheiro, mas recusou em prol do voluntariado.

A Associação Oceano Sem Plásticos associou-se à onda solidária e, com mil euros, custeou 5.000 máscaras e vai entregar kits de 50 unidades a uma centena de instituições de solidariedade social do país.

Também em Torres Vedras, a Escola de Comércio e Serviços do Oeste (ESCO) está encerrada, mas os professores de informática levaram as impressoras 3D para casa e, enquanto dão aulas à distância, estão a fabricar viseiras, um modelo validado pelo hospital local.

A iniciativa arrancou no sábado e, ao ser divulgada nas redes sociais, tem vindo a juntar particulares e empresas com aqueles equipamentos informáticos, atingindo-se uma capacidade de produção diária de "50 a 60 viseiras", disse à Lusa Álvaro Brito, professor da ESCO.

"Na quarta-feira, entregámos 450 na zona de Lisboa e mais 20 no hospital de Torres Vedras, hoje já temos mais 50", acrescenta.

Contactos telefónicos e por via eletrónica têm chegado de todo o país, tendo um dos pedidos sido feito pelo Hospital Dona Estefânia, em Lisboa.

Ambos os projetos lançam apelos de ajuda não só a empresas do ramo para atingirem produções em série destes equipamentos de proteção individual, mas também de todos quantos possam doar e financiar a matéria-prima.

No Centro Hospitalar do Oeste, há "stock de máscaras para uma semana, quando em períodos habituais havia para um mês", obrigando os respetivos hospitais de Torres Vedras, Caldas da Rainha e Peniche a fazerem uma "gestão o mais criteriosa possível da utilização dos equipamentos individuais", exemplificou a administradora Elsa Baião.

A instituição tem recebido ofertas de diverso tipo, mas as máscaras têm permitido distribuí-las "a todos os profissionais, sejam os da linha da frente ou outros".

Nos hospitais da região, cerca de 10 profissionais estão em quarentena por suspeita de infeção e a aguardar resultados das análises ao novo coronavirus, mas nenhum acusou positivo.

Por: Flávia Calçada da agência Lusa

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