“Zelensky não pode comparecer no nosso briefing às 15:00 [20:00 em Lisboa], algo aconteceu de última hora”, adiantou o líder democrata do Senado, Chuck Schumer, sem fornecer mais detalhes.

Washington é o maior fornecedor de ajuda militar a Kiev, tendo disponibilizado dezenas de milhares de milhões de dólares desde a invasão da Rússia, em fevereiro de 2022.

Mas a promessa do presidente democrata Joe Biden de continuar a apoiar financeiramente a Ucrânia está em sérios riscos, um cenário considerado de desastre para Kiev, cuja contraofensiva lançada no verão não resultou em ganhos territoriais esperados.

Uma votação marcada para quarta-feira no Congresso, sobre um novo pacote militar, humanitário e macroeconómico para Kiev, deverá fracassar, a menos que ocorra uma grande surpresa, noticiou a agência France-Presse (AFP).

Na Câmara dos Representantes (câmara baixa), dominada pelos republicanos, um conjunto de conservadores da ala mais radical apelam ao fim imediato da ajuda a Kiev.

No Senado (câmara alta), de maioria democrata, a oposição republicana é bastante a favor do apoio à Ucrânia, embora defenda que este deve estar condicionado a concessões por Joe Biden.

As autoridades ucranianas insistem que precisam de mais armas para evitar que os ataques russos mergulhem milhões de pessoas na escuridão neste inverno, à semelhança do ano passado.

A própria Casa Branca fez soar o alarme esta segunda-feira, realçando que a ajuda militar à Ucrânia poderia ser cortada drasticamente nas próximas semanas, na ausência de um acordo orçamental com a oposição republicana.

Consciente de que o sentido de urgência desapareceu em Washington desde o início da guerra, o presidente Biden pediu, em 20 de outubro, que combinasse o seu pedido de ajuda à Ucrânia — mais de 61 mil milhões de dólares — com um para Israel, um aliado dos Estados Unidos, no valor de 14 mil milhões de dólares.

Mas o líder da maioria republicana na câmara baixa, Mike Johnson, exige também um claro endurecimento da política migratória face às chegadas de migrantes à fronteira com o México, algo que democratas, por enquanto, recusam.

Mike Johnson foi hoje claro, numa carta à Casa Branca, onde frisou que nenhuma nova ajuda à Ucrânia será aprovada sem uma “mudança radical” na política de migração norte-americana.

Antecipando o risco de cansaço do grande aliado norte-americano, o presidente Zelensky foi pessoalmente a Washington em setembro, encontrando-se com Joe Biden, mas também com representantes eleitos do Congresso, com quem manteve longas discussões. Até agora, esta visita não teve o efeito desejado.

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