O presidente Volodymyr Zelensky negou ter solicitado qualquer ataque dentro de território russo, alegando que terá havido má interpretação na tradução do que terá dito num evento online, na quinta-feira.

"Deve-se avançar com ações preventivas", disse Zelensky, fazendo referência a sanções, e não a "ataques", esta noite em entrevista à BBC.

Nas últimas semanas, o exército ucraniano reconquistou quase 2.500 km² de território desde o início da última contraofensiva, forçando a Rússia a abandonar posições ocupadas logo no início da invasão, declarou nesta sexta-feira o presidente Volodimir Zelensky.

"Só nesta semana, os nossos soldados libertaram 776 km² de território, no leste do nosso país, e 29 cidades incluindo seis na província de Luhansk", disse citado pela AFP.

De acordo com a BBC, os territórios anexados pela Rússia levantaram temores de uma possível escalada na guerra que já dura há sete meses. O presidente Putin e outros altos funcionários russos, sugeriram que armas nucleares - possivelmente armas táticas menores - poderiam ser usadas para defender as regiões recém-anexadas, embora as forças aliadas digam que não há evidências de que Moscovo esteja preparado para o fazer.

Na entrevista, Zelensky disse que os russos "começaram a preparar a sua sociedade", para um possível escalar do conflito. "Eles não estão preparados para o fazer, para utilizar (armas nucleares), mas já começaram a falar nisso. Acho que só por falar nisso já é perigoso", disse o presidente ucraniano.

"O que vemos é que quem está no poder, na Rússia, gosta de viver e por isso o risco de utilizarem armas nucleares não é definitivo como dizem os especialistas. Isto porque eles sabem que não haverá ponto de retorno assim que as utilizem".

Os comentários de quinta-feira, proferidos por Zelensky espoletaram reações no Kremlin. É um "apelo para começar outra guerra mundial", disse o porta-voz Dmity Peskov. Já Lavrov disse que os comentários do presidente ucraniano demonstram que a Rússia tinha razão quando lançou a operação militar especial na Ucrânia.

"Zelensky pediu à NATO um ataque nuclear preventivo contra a Rússia. Isto demonstra ao mundo outra prova da ameaça do regime de Kiev", disse Lavrov.

A entrevista à BBC aconteceu horas depois de Joe Biden ter classificado a ameaça nuclear russa como o "Armagedão". O mundo está a viver uma crise nuclear parecida com a crise dos mísseis em Cuba, disse o presidente norte-americano citado pelo canal de televisão.

(notícia atualizada às 23h20)

*com agências

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