Don’t F**k with Cats: Hunting an Internet Killer é um documentário da Netflix lançado em 2019 que conta a história do caso de Luka Magnotta, um reconhecido criminoso do Canadá, pela perspetiva de um grupo de justiceiros online que começaram a seguir os seus passos depois de este publicar um vídeo online em que surge a matar vários gatos.

O caso começa com a morte dos animais, mas continua até ser cometido um homicídio. No entanto, a tónica 'Don’t F**k with Cats' [Não se metam com gatos] fica bem presente por ser o ponto de partida que levou à detenção de um criminoso.

Num caso de dimensão diferente, mas igualmente imperdoável, o futebolista internacional francês Kurt Zouma, jogador do West Ham, está a viver as duras consequências de se ter metido com gatos, depois de ter aparecido num vídeo a pontapear e esbofetear o seu felino de estimação.

Os Hammers anunciaram hoje ter aplicado a multa interna máxima ao futebolista após a polémica gerada pelo vídeo. Por norma, a multa máxima praticada em Inglaterra é de duas semanas de salário e, no caso de Zouma, tal pode ascender a cerca de 300 mil euros. No entanto, o gesto não isentou o clube que foi altamente criticado por ter feito o defesa-central alinhar no jogo de terça-feira contra o Watford.

“O atleta aceitou imediatamente a punição e pediu que o montante revertesse a favor de uma organização de defesa dos direitos dos animais”, segundo os responsáveis do West Ham.

Também a Adidas anunciou esta quarta-feira ter retirado o patrocínio ao jogador francês.

“Encerrámos a nossa investigação e podemos confirmar que Zouma não é mais um atleta contratualizado com a Adidas”, explicou a empresa alemã, questionada pela agência noticiosa France-Presse.

O jogador já pediu desculpa, num caso que além do próprio prejudicou também o emblema de Londres, que perdeu pelo menos um patrocínio à conta das agressões ao animal, que também levaram a uma petição em francês e inglês, publicada ‘online’ e já com quase 200 mil assinaturas, pedindo ação legal contra Zouma.

O presidente da Federação Francesa de Futebol, Noël le Graët, pronunciou-se também sobre as agressões filmadas, que registaram pontapés e bofetadas, notando que Zouma “é conhecido pelo seu respeito”, mas teve aqui um gesto “gratuito, estúpido e maldoso”.

A Real Sociedade da Prevenção da Crueldade sobre Animais mostrou-se “horrorizada” com o vídeo, tendo recolhido os dois gatos à guarda de Zouma, e a Fundação Brigitte Bardot, em França, pediu a “suspensão imediata do jogador até final da temporada”.

A polícia de Essex, onde se pensa que poderá ter ocorrido o crime, está em contactos com as associações para conhecer todos os pormenores do caso e agir consoante a lei.

Já em França, país de onde o jogador é natural, o maior grupo de defesa de direitos dos animais,  La Fondation 30 Millions d'Amis, apresentou uma queixa crime contra Zouma, pelo que o jogador pode ser condenado a uma pena de prisão de quatro anos e a pagar uma multa de cerca 60 mil euros.

Num mundo onde os futebolistas passaram de ídolos a influenciadores, esta tem de ser uma das notícias do dia. Porque a crueldade animal deve ser condenada. Porque agredir animais não pode ser visto como um conteúdo engraçado para ser partilhado. Porque se queremos ter cães, gatos e outros animais dentro das nossas casas, nas nossas vidas, temos de os tratar com humanismo — ou não fossem os melhores amigos do Homem.

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