Uma dúzia de candidatos

A primeira e mais substancial alteração do modelo dos nacionais da 1ª divisão dos últimos anos, que entrará em vigor nesta edição, é o aumento de 8 para 12 equipas. Trata-se de uma alteração que cria vários campeonatos dentro do campeonato; isto é, se com 8 equipas metade lutava pelo pódio e a outra metade lutava pela fuga aos dois lugares que valiam despromoção à segunda divisão, a partir de agora há um terceiro grupo de equipas. Falamos daquelas que, à partida, não tendo possibilidades de atingir o pódio, também não correm o risco de descer. E este grupo pode ser decisivo nas restantes batalhas pelas opções que tomarem ao longo da competição, sobretudo quando a classificação começar a ficar definida.

Outra alteração significativa é a representação de cada equipa se fazer com 2 nadadores por prova, ao invés de um único nadador como acontecia até esta edição. Esta medida torna o campeonato numa competição verdadeiramente representativa do clube — de uma forma mais lata. Se anteriormente 6 nadadores seriam suficientes para representar a equipa nas 16 provas individuais e 3 estafetas (o número máximo de provas individuais por nadador era de 3), nesta edição serão necessários, pelo menos, 8 nadadores por clube (cada nadador pode nadar, no máximo, 4 provas individuais). Se anteriormente um nadador podia ter uma influência máxima de 37,5% na equipa (nadando 3 + 3 estafetas), agora reduz-se para 20%.

Knocking on Glasgow Door

Para além do atrativo da disputa que opõe os 12 melhores clubes portugueses, a competição tem o condimento adicional de servir de apuramento (apenas uma de duas) para as principais competições internacionais do verão: Europeus de Absolutos em Glasgow e Europeus de Juniores em Helsínquia. Tendo em conta que a 1ª divisão se disputa naquela que é considerada a melhor piscina do país, os nacionais de clubes têm tudo para ser a melhor competição nacional do ano 2018.

Sporting atrás de um difícil hepta

Do lado masculino, o Sporting é o inédito hexa-campeão nacional e o natural favorito. E, nas seis conquistas anteriores, houve um denominador comum: Alexis Santos, o semi-finalista olímpico e medalha de bronze nos Europeus de Londres 2016. É a principal referência da equipa e um trunfo que garante à equipa de Carlos Cruchinho não apenas qualidade mas também versatilidade que permitirá ao Sporting controlar as ocorrências e alterar o plano inicialmente estabelecido, se necessário. Todavia, Alexis não é o único argumento do clube para renovar o título. A equipa de Alvalade é pululada de talentosos nadadores como João Vital, Guilherme Pina, Igor Mogne, Francisco Santos ou o reforço deste ano, o espanhol Juan Tolosa

Porém, ainda que o Sporting parta na pole position, vai ter a oposição dos outros dois grandes: Benfica e FC Porto.

O nadador Alexis Santos do Sporting
créditos: INÁCIO ROSA/LUSA

O Benfica foi o segundo classificado da temporada passada e este ano volta a perfilar-se como o mais sério concorrente do Sporting. Ainda mais sério, tendo em conta que se reforçou fortemente para esta temporada. Com o técnico Ricardo Santos vieram vários nadadores da União Piedense que aumentam o nível de uma equipa que tem em Miguel Nascimento o seu principal argumento na luta pelo título. O benfiquista teve uma época de piscina curta bastante promissora onde conseguiu chegar os seus primeiros recordes nacionais individuais absolutos, criando expectativa para o que pode vir a fazer nesta temporada de piscina longa. Nascimento tem a companhia de excelentes nadadores que tornam legítima a candidatura do Benfica ao título, tais como Luiz Pereira, João Machado ou Filipe Santo.

Por seu turno, o FC Porto, orientado pelo técnico José Silva passou por alguns calafrios na edição da época passada dos nacionais de clubes, terminando no 6º lugar da tabela classificativa, o último que garantia a permanência na primeira divisão. Para este ano, as emoções da luta pela permanência não estão reservadas para o FC Porto, mas antes as emoções da luta pelo título. O clube apetrechou-se e apresenta uma equipa com qualidade suficiente para fazer frente aos favoritos Sporting e Benfica. Destacam-se os espanhóis Juan Segura, Jaime Morote e Álvaro López, assim como o francês Antonyn Bonel.

De entre os clubes que previsivelmente irão ocupar a zona intermédia da tabela, destaque para o Sport Algés e Dafundo, vencedor da 2ª divisão da época passada e o mais forte candidato ao 4º lugar este ano. Deverá ter a concorrência do SC Braga e Estrelas de São João de Brito. A evitar cair num dos últimos 3 lugares — os que dão direito a despromoção — estarão Os Belenenses, GDNVNFamalicão, Galitos de Aveiro, Colégio de Monte Maior, União Piedense e o Náutico de Coimbra. 

Quanto à próxima época, Fluvial Vilacondense, Fluvial Portuense e Leixões, respetivamente 1º, 2º e 3º classificados na 2ª divisão, já confirmaram as presenças.

No feminino: Algés contra os três grandes

Se do lado masculino os campeonatos se preveem renhidos, a competição feminina promete não ficar atrás.

Na época passada a equipa do Sport Algés e Dafundo colocou um ponto final na maior sequência de vitórias de um clube. O FC Porto fazia jus ao cognome da sua cidade e seguia invicto há oito anos, até que as nadadoras do Algés chegaram a um título que se previa que chegaria mais cedo ou mais tarde, tendo em conta o percurso da equipa nos últimos anos. E nos próximos dias 17 e 18 de março, as algesinas são mesmo as grandes favoritas à renovação do título. A equipa orientada pelo técnico Miguel Frischknecht tem qualidade em quantidade mais do que suficiente para superar as adversárias — o que não quer dizer que estas sejam fracas. Contudo, com Raquel Pereira, Rita Frischknecht, Francisca Azevedo, Madalena Azevedo, Rafaela Azevedo, entre muitas outras nadadoras de qualidade, torna-se difícil superar esta equipa.

créditos: AFP PHOTO / François-Xavier MARIT

Na linha da frente para contrariar o "bis" do Algés estarão os três grandes: FC Porto, Sporting e Benfica. Estas três equipas são muito equilibradas entre si e é difícil antever qual das três fará a mais forte oposição.

Ao cabo de 19 anos consecutivos, o Porto apresenta-se pela primeira vez (pelo menos em provas individuais) sem a referência maior do clube: Sara Oliveira. A renovação portista está em marcha e, apesar de jovem, não deixa de ser uma equipa competitiva onde pontificam nomes como Paula Oliveira, Ana Rita Faria, Mariana Barbosa ou Maria Cabral.

O Sporting, equipa terceira classificada no ano passado, viu chegar Beatriz Viegas, uma das melhores velocistas nacionais, juntando-se a Inês Fernandes, Mafalda Beleza e Anaïs Charro, as nadadoras sportinguistas de quem mais se espera.

O Benfica venceu a 2ª divisão da época passada sob a liderança da internacional Diana Durães, a nadadora com maior palmarés entre todas as que estarão presentes em Coimbra. Múltipla recordista nacional, estará encarregue de uma dupla missão: tentar chegar ao título com o Benfica e tentar chegar a Glasgow com a seleção. Destaque nas benfiquistas para as nadadoras Letícia André, Cláudia Borges e Filipa Rodrigues.

Na batalha particular do meio da tabela deverão estar envolvidas as equipas do Fluvial Portuense, do Náutico da Marinha Grande e d'Os Belenenses. A lutar pela permanência deverão estar as equipas da Desportiva de Viana, Galitos de Aveiro, Ginásio de Vila Real, Sporting de Braga e União Piedense. Três destas equipas trocarão de divisão com Académica de Coimbra, Leixões e Fundação Beatriz Santos, o pódio da 2ª divisão.

A festa dos clubes

O nacional de clubes é sempre o ponto alto da época para qualquer equipa. Uma competição onde o êxtase, a adrenalina, a superação e o espírito de grupo de juntam resultando em performances de excelência, mas sobretudo num momento de afirmação identitária dos clubes, muito necessária numa modalidade individual como a natação.

Poderá acompanhar a competição no canal do YouTube da Federação Portuguesa de Natação via streaming. Assim como ver a análise completa de todas as equipas masculinas e femininas que vão disputar a 1ª divisão aqui


O Fair Play é um projecto digital que se dedica à análise, opinião e acompanhamento de diversas ligas de futebol e de várias modalidades desportivas. Fundado em 1 de Agosto de 2016, o Fair Play é mais que um web site desportivo. É um espaço colaborativo, promotor da discussão em torno da actualidade desportiva.

João Bastos é o observador da natação nacional e internacional do Fair Play, coordenador do website satélite Aqua, onde poderá encontrar artigos, entrevistas e destaques sobre natação pura, pólo aquático e águas abertas.

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