"Hoje é um dos dias mais tristes que vivi no Sporting Clube de Portugal (...) É o momento institucional mais triste da minha vida e acredito que estou a falar por todos", disse Bruno de Carvalho em reação à marcação de uma Assembleia-Geral para destituição dos órgãos sociais do clube para 23 de junho anunciada hoje na sequência de uma reunião em Alvalade entre o Conselho Diretivo, Conselho Fiscal e Mesa da Assembleia-Geral do clube.

O presidente dos 'leões' considera que a convocação de uma Assembleia-Geral de destituição põe em causa a preparação da nova época assim como a restruturação financeira do clube de Alvalade.

"Isto colocará em causa o empréstimo obrigacionista que seria realizado entre o final deste mês e princípio do próximo", alertou Bruno de Carvalho, apontando o dedo ao Conselho Fiscal e à Mesa da Assembleia-Geral (MAG), acusando-os de "não serem minimamente sensíveis" aos interesses do clube.

"Hoje é um dos dias mais tristes que vivi no Sporting Clube de Portugal"

Bruno de Carvalho salientou por diversas vezes que o Conselho Diretivo se mostrou sempre disponível para conversar e para marcar uma Assembleia-Geral para ouvir os sócios. "Iríamos discutir o que se estava a passar com os sportinguistas, sem colocar em causa a preparação da época e restruturação financeira", disse.

Face à recusa, a direção pediu à Mesa da Assembleia-Geral que definisse um tempo para terem acesso às informações do clube e da SAD e para conversar com os jogadores e, no caso de algum indício, voltariam à mesa das negociações e, eventualmente, partir para eleições.

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Para Bruno de Carvalho "não é compreensível" a decisão da Mesa da Assembleia-Geral, atribuindo a decisão hoje tomada a um "capricho". Segundo o presidente esta decisão da MAG está "cheia de irregularidades" face aos estatutos, o que foi alertado a Jaime Marta Soares, presidente demissionário da Mesa da Assembleia-Geral do clube.

"Esta reunião foi um encontro de pessoas preocupadas a falar para autómatos", disse Bruno de Carvalho, lembrando mais uma vez nesta intervenção as eleições no Sporting em fevereiro em que se aprovaram alterações aos estatutos e se votou pela continuidade do atual presidente.

"Esta bomba atómica, que vai ser por desmontada o mais rapidamente possível, apenas serviu para lançar o pânico, para parar o empréstimo obrigacionista e tirar-nos força naquele que é o processo negocial da preparação da época", disse, fazendo referência à possível rescisão por parte dos atletas. Todavia, o presidente recusou que possam existir rescisões de justa causa "por causa do presidente A, B ou C".

Questionado pelos jornalistas sobre como pretende desmontar esta "bomba atómica", Bruno de Carvalho escusou-se a detalhar, dizendo somente que há "irregularidades" que não estão previstas nos estatutos e acrescentando mesmo que "tem sérias dúvidas" que esta Assembleia-Geral venha a ter lugar.

"A única solução prática que havia hoje era dar um passo atrás", defendeu Bruno de Carvalho.

O presidente dos leões voltou a referir-se às agressões em Alcochete como um "ato criminoso" que deve ser tratado pelas autoridades e que não deve motivar o que por diversas vezes considerou um "ataque" à direção e SAD do clube.

Como aconteceu em intervenções anteriores do presidente do Sporting, Bruno de Carvalho voltou a apontar o dedo à comunicação social, uma "máquina em andamento" neste "ataque". O líder leonino disse ainda que o Correio da Manhã levará "o maior processo de sempre" da vida do órgão de comunicação social. "Para si [jornalista do Correio da Manhã], vá perguntar ao Octávio Ribeiro [publisher do grupo Cofina]", disse Bruno de Carvalho, recusando-se desta forma a responder à pergunta do profissional que o questionava sobre a continuidade de Jorge Jesus no clube.

"Não vamos deixar o Sporting ser tomado de assalto", sentenciou Bruno de Carvalho. "Se há coisa que não fazemos é desertar o Sporting", reiterou, dizendo que tem mais "honra militar" do que alguém que apareceu hoje, referindo-se a Frederico Varandas, que se mostrou disponível para concorrer à liderança do clube.

Após uma reunião entre os órgãos demissionários, Mesa da Assembleia-Geral e Conselho Fiscal, com o Conselho Diretivo, que durou cerca de três horas, ficou decidido hoje marcar uma Assembleia-Geral para destituição dos órgãos sociais do clube para 23 de junho próximo.

A crise 'leonina' teve o seu foco inicial em 15 de maio, dia em que cerca de 40 pessoas encapuzadas invadiram a Academia do Sporting, em Alcochete, e agrediram alguns jogadores e elementos da equipa técnica.

A GNR deteve 23 dos atacantes, que ficaram em prisão preventiva depois de terem sido ouvidos no tribunal de instrução criminal do Barreiro.

Paralelamente, no âmbito de uma investigação do Ministério Público sobre alegados atos de tentativa de viciação de resultados em jogos de andebol e futebol tendo como objetivo o favorecimento do Sporting, foram constituídos sete arguidos, incluindo o ‘team manager’ do clube, André Geraldes.

Na sequência destes acontecimentos, os elementos da Mesa da Assembleia Geral, a maioria dos membros do Conselho Fiscal e parte da direção apresentaram a sua demissão, defendendo que Bruno de Carvalho não tinha condições para permanecer no cargo.

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