O início de época tem por norma o condão de trazer excitação e entusiasmo. A esperança e incerteza de bons resultados leva os adeptos aos estádios, renova as aspirações e faz sonhar. Mas o oposto pode também ser verdade, ou não fosse a angústia — uma que se arrastava desde o inicio da época desportiva — dos adeptos do Bury FC. O trágico final — algo que não acontecia desde 1992, neste caso com o Leeds United — viria mesmo a prevalecer: a equipa do norte de Manchester viu-se excluída das ligas profissionais de futebol inglês.

Do êxito da League Two, à incerteza e exclusão da League One

Foi há bem pouco tempo, mais especificamente desde em maio, que o Bury FC, juntamente com o Lincoln City e o MK Dons, subiu à League One, o terceiro escalão do futebol profissional. Com a esperança renovada, mas as finanças desequilibradas, a expectativa era de que alguém visse no Bury FC uma oportunidade de negócio — algo que esteve no ar não só durante a pré-temporada, como durante as quatro primeiras jornadas da League One. Durante essas jornadas o Bury FC foi impedido de entrar em campo porque não existiam certezas financeiras e, dessa forma, segundo as novas regras da EFL, os clubes ficam impedidos de competir.

No caso do Bury FC, a paciência da EFL esgotou-se face ao caos financeiro em que o clube vinha a ser gerido nos últimos meses. Steve Dale, o proprietário, falhou os diversos prazos definidos para provar que tinha capacidade financeira para gerir o clube ou para concluir sua venda. Assim, na última terça-feira, 27 de agosto, a EFL tomou a decisão de excluir o Bury FC dos escalões profissionais do futebol inglês.

A EFL tinha já dado um prazo de 14 dias ao Bury FC (após os muitos avisos), prazo esse que terminou na sexta-feira passada, 23 de agosto. No entanto, pelo facto de ser fim de semana prolongado em Inglaterra e de existirem rumores de um potencial comprador, a data limite foi estendida até às 17h de terça-feira, dia 27 de agosto. Não tendo sido cumprida qualquer das imposições da EFL para garantir a sustentabilidade financeira do clube, esta viu-se obrigada a colocar um ponto final na situação.

A decisão da liga não foi tomada de ânimo leve e foi, inclusivamente, acompanhada de um comunicado em que esta aconselha a gestão do clube a abrir um processo de investigação às contas do mesmo. Na mesma nota, a EFL sublinha que as decisões tomadas ao serviço do Bury FC nos últimos anos foram extremamente danosas para o clube e para aqueles que o rodeiam.

Um dos exemplos que veio a lume foi a hipoteca do estádio, sendo que, alegadamente, 40% do valor do empréstimo contraído não entrou nos cofres do clube e, ao invés, foi transferido para uma terceira e desconhecida parte envolvida no negócio, sob o rótulo de ‘introduction fees’ - taxas de introdução ao financiamento. Deixando uma nuvem de suspeição em todos os elementos envolvidos no negócio.

Não sendo um ponto final da história do clube, é um retrocesso do qual este levará muitos anos a recuperar.

Um, quando podiam ter sido dois

Esta semana em Inglaterra pouco mais se tem falado se não dos problemas financeiros de dois históricos clubes de futebol inglês. Em ambos os clubes a realidade e o destino pareciam ser os mesmos face às dificuldades financeiras que não permitiam o aprovar do orçamento para a época desportiva.

Além dos 134 anos de história do Bury FC postos em causa, outro clube, este ainda com mais anos de existência, 145 no total, e com mais credenciais e reputação, esteve também em risco. O Bolton Wanderers FC esteve igualmente para ser excluído das ligas profissionais inglesas.

No mesmo dia que o o Bury FC conheceu o seu destino, o Bolton recebeu um ultimato, com o mesmo prazo de 14 dias, para provar em definitivo que tinha capacidade financeira para gerir a presente época desportiva. Caso contrário teria que vender o clube a quem o conseguisse fazer. Assim foi, menos de 48 horas depois do ultimato, o Bolton Wanderers conseguiu ser resgatado, neste caso pela Football Ventures, mais precisamente na pessoa de Sharon Brittan, que se espera vir a ser a nova Presidente do clube.

Foi com alívio que, a apenas 15,5 milhas de distância do já excluído Bury FC, os adeptos e todos os trabalhadores do Bolton - mais de 150 postos de trabalho estavam em risco - receberam ontem, dia 29, os novos donos do histórico clube de Nat Lofthouse.

Este foi mais um caso de aparente gestão ruinosa e cujo proprietário, Ken Andersson, é acusado por diversos meios de não ter os interesses do clube como prioridade, colocando os seus próprios interesses financeiros à frente da permanência do clube nas ligas profissionais de futebol, como esteve para acontecer.

As questões que se colocam são: qual a importância dos clubes mais antigos e qual o seu papel na sociedade? É viável esperar compaixão e sacrifício de proprietários que estão, com todo o direito, a gerir um negócio? Quais os danos que o fosso criado entre ‘pequenos’ e ‘grandes’ devido ao desequilibrado investimentos e à sobrevalorização do mercado de jogadores? Que papel têm os investidores e adeptos dos clubes na gestão do mesmo? Quantos mais clubes estarão na mesma situação e quão frequente será, daqui para a frente, vermos situações semelhantes à do Bolton Wanderers e à do Bury FC?

Esta semana na Premier League

A ação e emoção da quarta jornada da Premier League terão lugar em apenas dois dias esta semana. O destaque vai para domingo, que será recheado de emoção. A não perder, a visita de Nuno Espírito Santo a Goodison Park para defrontar o Everton de Marco Silva (14h), num um duelo entre portugueses; e, mais tarde, pelas 16:30, também a não perder receção do Arsenal ao Tottenham onde rivalidade impera. Rivalidade da qual já tivemos aqui oportunidade de falar.

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