Aproxima-se o Europeu 2020 e a seleção inglesa está a começar, paulatinamente, a renovar-se e a acreditar que tem de facto o potencial para lutar taco-a-taco com as melhores seleções do mundo por um título internacional. Ainda que todos os jogadores e todas as posições sejam importantes, não só há posições especiais, como há jogadores que também o são pela diferença que fazem. Hoje é precisamente esse o caso. A posição era avançado-centro, o nome: Nat Lofthouse.

Quem foi Nat Lofthouse

Há quem diga que Nat Lofthouse é o “homem dum só clube”, mas não sei se só isso fará jus ao seu nome. Mais que um jogador que foi devoto ao clube da terra onde nasceu, ele tornou-se num dos melhores avançados que o futebol inglês já viu e, com o passar dos anos, o seu compromisso para com o Bolton Wanderers fez com que, no final, ao invés de Lofthouse ser o “homem d’um só clube”, tenha passado a ser o Bolton a ser conhecido como o “clube dum só homem”.

“Nat Lofthouse era impossível de comprar. Apenas porque quando ele jogava, lealdade e orgulho local eram mais importantes que dinheiro” Owen Coyle, Treinador do Bolton Wanderers entre 2010-12

Lofthouse servira o Bolton Wanderers nas mais importantes posições dentro de um clube de futebol. De jogador, desde os 14 anos de idade até ao núncio da sua retirada, passando para treinador principal, primeiro entre 1968-71 e mais tarde em 1985 como interino, até Presidente do clube em 1986. Curiosamente, o seu primeiro dia como jogador do Bolton Wanderers foi a 3 de Setembro de 1939, precisamente a data em que Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha após este país ter invadido a Polónia. Lofthouse fazia assim parte da geração profissional de jogadores pós-guerra, já que esta terminara quando tinha 20 anos de idade.

Como jogador, venceu o último grande troféu conquistado pelo Bolton. Em 1958, frente ao Manchester United, Lofthouse seria decisivo, marcando os dois golos que permitiram ao Bolton vencer a FA Cup, frente a um United a recuperar do desastre de Munique - o acidente aéreo retirara a vida à maior parte da equipa principal do Manchester United. Nesse mesmo ano, e como consequência de vencer a FA Cup, Lofthouse e o Bolton jogaram e venceram a Supertaça Inglesa frente ao campeão Wolverhampton Wanderers, arrecadando assim o seu último troféu como jogador, sendo também o último grande título conquistado pelo Bolton Wanderers.

O primeiro grande número 9

Em 1952, ao serviço das seleção inglesa, passou a ser conhecido como ‘O Leão de Viena’, após uma enorme exibição contra os austríacos. Ao lado de Stanley Matthews, grande amigo e companheiro de seleção do qual já tive oportunidade de falar, Nat Lofthouse marcou o primeiro e o último golo da sua equipa na vitória por 3-2, lançando-o de vez para o estrelato como um dos melhores avançados da seleção inglesa. E foi mesmo ao serviço da seleção que os seus números como avançado viriam a contribuir de forma esmagadora, para o seu estatuto de lenda. Com 30 tentos em 33 partidas pelos Três Leões, Nat Lofthouse tornara-se num dos mais eficazes jogadores de todos os tempos da seleção do seu país.

Nomeado Jogador do Ano em 1952-53, não só pela sua prestação técnica em campo, mas pela sua conduta desportiva dentro e fora dos relvados, Nat Lofthouse foi, e continua a ser, uma das grandes figuras do futebol inglês, reconhecida por todos nos dias que correm.

Em 1960, aos 35 anos de idade, Lofthouse deixou o futebol devido a lesão. Hoje, o legado de Lofthouse vive para sempre e é reconhecido em diversas homenagens. A estátua em frente ao Macron Stadium, erguida em agosto de 2013, é uma delas. Para o clube do norte de Inglaterra, o antigo internacional inglês é mais que uma lenda, é a imagem do clube. Outra das homenagens icónicas foi, ainda em vida, em 1994, a Ordem do Império Inglês, uma das mais altas condecorações inglesas.

Nat Lofthouse ficará para sempre conhecido como um jogador sem medo, um jogador que colocava tudo em campo, cujo velocidade e determinação eram, nas palavras de Sir Stanley Matthews, quase bíblicas.

Curiosamente, Lofthouse não só reerguera o Bolton de um período difícil da sua história através da sua prestação desportiva, como, mais tarde, já como presidente, e com a ajuda da sua fundação, salvara mais uma vez o clube, desta feita, financeiramente.

Hoje em dia o Bolton encontra-se mais uma vez em grandes dificuldades. Sem conseguir pagar as dívidas, à beira de descer de divisão e com o futuro incerto quanto à sua gestão, o histórico inglês vive uma era em que não basta lealdade e sentido comunitário em redor de um clube, é necessário dinheiro e vontade de investi-lo. Mas o "clube dum só homem" para sempre poderá recordá-lo, o "homem dum só clube".

Esta semana no futebol inglês

Começa hoje a caminhada da Inglaterra rumo ao UEFA Euro 2020, a disputar-se em 12 cidades europeias. A extraordinária forma de organização deve-se à comemoração do sexagésimo aniversário da competição. A Inglaterra, que daqui a dois anos terá muito do seu potencial (em jogadores) consolidado, espera ser uma das principais equipas favoritas a vencer a competição. Como disse, a sua caminhada começa hoje, dia 22 de março, frente à Republica Checa. De recordar que a seleção inglesa disputará o grupo de qualificação A, das quais também fazem parte, além da Republica Checa, a Bulgária, o Kosovo e Montenegro.

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