Com a fase de grupos da Liga Europa a caminhar para a última jornada, o SC Braga preparou a receção ao Wolverhampton, a equipa inglesa que é mais portuguesa (7 jogadores e um treinador) que muitas que jogam no campeonato nacional, sabendo, de antemão, que um empate garantia o apuramento para os 1/16 avos de final. Um resultado que servia, igualmente, os intentos da equipa liderada por Nuno Espírito Santo.

A abordagem ao jogo começou, com naturalidade, com essa contabilidade na cabeça de ambos, embora Sá Pinto elevasse a fasquia na antevisão, traçando uma vitória como objetivo para não ficar dependente de outras contas.

Na mente do treinador que se senta no banco do Sporting de Braga, líder do Grupo K da Liga Europa, poderiam estar igualmente outros números. Que seriam históricos, por sinal. É que os arsenalistas tinham pela frente 90 minutos para bater um recorde nacional: atingir a marca de 12 jogos nas provas europeias sem perder. Antes da partida somavam 11, se recuarmos à última derrota, a 15 de fevereiro de 2018. No ano passado, saíram fora da competição cedo de mais, mas sem derrotas (frente ao Zorya) e, nesta caminhada europeia levava, até antes do apito inicial de hoje, oito jogos, somando sete vitórias e apenas um empate.

Internamente, Ricardo Horta poderia, caso metesse a bola no fundo das redes, igualar o melhor marcador, Alan, com 11 tentos. Não foi Ricardo, foi o outro Horta, o irmão André, que logo aos 5 minutos arrancou sorrisos e abraços no banco bracarense. Rematou forte, a bola foi desviada pelo pé de Rúben Neves, ganhou altura e velocidade, e parou nas malhas longe das mãos de Rui Patrício.

Debaixo de chuva e com o terreno, aos poucos, à medida que os minutos avançavam, a mudar da cor verde para o castanho da terra, o Braga entrava triunfador.

Até que perto do primeiro quarto de hora, Jiménez surgiu de forma letal na pequena área, com culpas para Eduardo, e de cabeça igualou a partida. Um lance que nasceu, como quase todos os de perigo dos Wolves, no eixo central britânico, ora através de João Moutinho, ora Rúben Neves. No caso concreto foi Moutinho, o tal veterano que renovou depois de um golo magistral marcado no fim de semana e que mereceu honras de tweet em português, a colocar geometricamente na esquerda de onde saiu a bola para a cabeça do mexicano.

Papéis invertidos. Marcou o Braga, os ingleses carregaram, marcaram os britânicos e os “Guerreiros do Minho” fizeram jus ao nome. Pelo menos, por breves instantes. Até Adama Traoré, o outrora franzino jogador com passagem pelo Barcelona e que hoje é um autêntico “carro de assalto” mostrou a fibra de que é feito. Com um ar pesado e musculado, do lado direito, meteu “duas abaixo”, acelerou, chutou cruzado, uma bola em que Jota, por pouco, não desviou para as redes bracarenses.

Mandavam os ingleses a seu bel-prazer. Principalmente com passes telecomandados dos dois médios portugueses, Rúben Neves e João Moutinho, por quem passava todo o ataque britânico. Neves, ex-portista, meteu uma bola agridoce nos pés de Jota que voltou a ameaçar a baliza de Eduardo.

Com naturalidade, bola ganha na linha de meio-campo, Jiménez vestiu a pele de um dos médios portugueses, recolheu a bola na esquina da área e, com o pé direito, pingou uma bola carregada de mel para a cabeça de Doherty que deu a volta ao marcador (34’). Um golo que levou os adeptos ingleses a transbordar de alegria, os tais seguidores que tinham andado pelo Porto em cenas tristes, na véspera.

Sem deixar o Braga respirar, dois minutos depois, Traoré, jogador espanhol com dupla nacionalidade (Mali) que já tinha ameaçado, marcou mesmo. 1-3. Uma jogada iniciada em ..., adivinhou, Moutinho, que recupera a bola, esta segue pelo pé de Rúben que coloca no jogador mais rápido no FIFA 20 chamado recentemente à seleção espanhola.

Respiravam de alívio os comandados de Sá Pinto com o apito para o intervalo por parte do árbitro bielorrusso, Aleksei Kulbakov. É que se o empate servia os objetivos dos dois clubes, o 1-3, ao intervalo, a favor dos Wolves e, para complicar, a vantagem do Slovan Bratislava na Turquia, punha os portugueses a ter que fazer contas caso se mantivesse esse quadro.

E, no regresso da secagem ao intervalo, o tal “Expresso” do Mali que veste a camisola da La Roja, tira, em velocidade, quatro adversários da frente em pouco mais de 20 metros quadrados, centra para a cabeça de Jota, que subiu ao 3.º andar e obrigou a uma decisiva intervenção de Eduardo.

A vida não estava fácil para a formação anfitriã. Os ingleses jogavam em alta rotação. O Braga não saía para o ataque e não criava perigo. Até que, com uma substituição pensada - entrada de Wilson Eduardo -, o treinador Sá Pinto viu-se, por lesão de Wallace, obrigado a alterar os planos, que poderiam não passar por essa saída. O central chorou no banco, é certo, mas no fim do jogo, a equipa ficou a rir.

Assim que tocou no esférico, Wilson Eduardo rematou forte e incomodou, pela primeira vez, no segundo tempo, o adversário que ia baixando, demasiado cedo, a intensidade. Estava dado o tónico para os minutos que se seguiriam. O extremo, que animou o ataque bracarense, meteu a bola em Galeno que endossou para a Paulinho fazer o segundo golo em cinco jogos.

A partida ganhava novo ânimo, mas Jiménez já “estava fora dela”. Já tinha pedido um cartão (fica de fora da última jornada da fase de Grupos da Liga Europa) e, à segunda falta, viu a cor amarela ser-lhe exibida. Pediu desculpa a Palhinha por ter sido utilizado neste jogo estratégico. Assim que o árbitro baixou o cartão, Pedro Neto, mais um português em Terras de Sua Majestade, despiu a camisola e entrou para o lugar do mexicano.

No Braga entrou Rui Fonte para o lugar do "ausente" Ricardo Horta, que nem um remate para amostra teve para tentar igualar os números de Alan, antigo avançado brasileiro que esteve ao serviço da equipa arsenalista (2008-2017). Respondeu NES com mais um português em campo. Rúben Vinagre para o lugar de Traoré.

Já com o empate do Besiktas (1-1) a descansar ambas equipas, em especial o Braga, que estava em desvantagem, Fransérgio, de cabeça, em resposta a um centro milimétrico de Sequeira, empatou o encontro (3-3) quando faltavam 11 minutos para o tempo regulamentar.

Na Turquia, a equipa da casa dava a volta ao marcador, a informação foi transmitida a Ricardo Sá Pinto que festeja com abraços, deixando cair a carapaça de treinador sem emoções (ele que as tem e muitas) que foi visível aquando do golo do empate turco.

Se um empate chegava, ele chegou para que as duas equipas carimbassem o lugar para o “mata-mata” da Liga Europa. E o Sporting Clube de Braga tem o caminho livre da liderança. Tem 11 pontos, contra 10 do Wolverhampton Wanderers FC. Na última jornada, os bracarenses viajam até Bratislava e o Wolves recebe a equipa turca.

Bitaites e postas de pescada

O que é que é isso, ó meu?

Eduardo não é um novato nas balizas. Com muitos jogos internacionais nas pernas e nas mãos, o internacional português de 37 anos ficou mal na fotografia no golo (do empate) de Jiménez. Ficou a olhar para a bola a passar à frente do nariz até bater na cabeça do internacional mexicano.

Ali, na pequena área, manda quem veste luvas. São erros que podem custar caro e podem levar a que não calce as botas em jogos futuros.

Moutinho, a vantagem de ter o dom de pedir desculpa

A meio da primeira parte, durante o domínio inglês, Moutinho tira dois adversários com fintas de corpo e a rodopiar com a bola nos pés. Uma jogada magistral do pequeno génio português que, no entanto, terminou com a bola a sair pela linha lateral. O ex-Sporting e ex-Porto pediu desculpa pelo passe falhado, mas não teria de o fazer. Está desculpado. O lance prévio tinha sido um regalo para os olhos. E quem gosta de momentos mágicos, agradece.

Fica na retina o cheiro de bom futebol

Com um meio campo inglês em alta rotação, Moutinho e Rúben Neves, num ora recupero eu, ora passas tu, a bola foi parar aos pés do avançado Jiménez que, inspirado pelo futebol geométrico e telecomandados dos dois médios internacionais portugueses, colocou a bola numa bandeja até à cabeça de Doherty, que viria a dar a volta ao marcador.

Nem com oito pulmões chegavam lá

Adama Traoré, com sangue africano do Mali e nascido em Espanha, era um jogador franzino e de baixa estatura. Era assim com a camisola do Barcelona. Hoje veste de amarelo e está bem diferente morfologicamente. A velocidade (é o jogador mais rápido no jogo FIFA 20), contudo, continua, e a prová-lo está uma jogada onde, em poucos metros quadrados, tirou quatro adversários do caminho, em velocidade. Oito pulmões que ficaram a arfar por causa do jogador que foi recentemente chamado à seleção espanhola.

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