Drama. A palavra sai sem rodeios da boca de David Coulthard quando é chamado a caracterizar o ambiente da Fórmula 1. Pelo menos aquele que piloto escocês, já retirado do “circo” desde 2008, viveu durante os 14 anos de volante na mão.

Aos 49 anos, atual comentador de televisão e presidente da associação proprietária do Circuito de Silverstone, esteve em Lisboa durante a apresentação oficial do Fórmula 1 Heineken Grande Prémio de Portugal, que se realiza no Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão, de 23 a 25 de outubro. Transportou na mão a taça da etapa portuguesa do Mundial de F1 e falou com o SAPO24. Sobre Fórmula 1 e Portugal. Um país que conhece dos tempos de piloto de testes.

DC, iniciais de David Coulthard, contabiliza 246 Grandes Prémios, entre 1994 e 2008, 13 triunfos e 62 pódios. Vestiu o capacete de três escuderias. Williams-Renault, McLarem-Mercedes e Red Bull Racing.

Nascido em Twynholm, Kirkcudbrightshire, é, atrás de Rubens Barrichello, o piloto com mais pódios na carreira sem ter sido campeão mundial. Esteve próximo. Foi 2º, vice-campeão, em 2001.

“A Fórmula 1 é tudo sobre drama. Deveria ser”, recuperou. “É querer ganhar. Ganhar mesmo. Ultrapassar todos, até mesmo o nosso colega de equipa e fazer tudo para chegar em primeiro lugar”, acrescentou. Colegas e não amigos. “Em corrida não éramos amigos. Não havia amizades. Queríamos ganhar os duelos”, revelou. “Éramos os gladiadores dos tempos modernos”, enfatizou.

Atento aos novos pilotos que despontam, “bastante mais preparados”, reconhece que esta geração Instagram “são diferentes” e muitos “parecem ser companheiros entre eles”, o que não acontecia no seu tempo. Algo que pode ser explicado pela baixa idade (a partir dos 17 anos) com que neste momento entram em ação.

“Olham para este e aquele e querem ser iguais. Apontam para as fotografias. Então saltem para a pista, acelerem e deem tudo para conseguir”, avisou.

Não sente a falta das pistas, nem admitiria regressar como Fernando Alonso se prepara para fazer, em 2021. “Estou bastante ocupado, não paro quieto, tenho sorte”, reconhece. “Ando de um lado para o outro e fiz uma transição rápida entre os carros e a profissão”, acrescentou o antigo piloto que passou a andar de microfone na boca a relatar as incidências e carros e pilotos. “Sinto, sim, a falta de adrenalina que carateriza estar ao volante de um F1”.

No baú das memórias recorda o incidente a 1 de maio de 1994 que vitimou Senna e Roland Ratzenberger (na véspera), no GP San Marino, circuito de Imola, Itália, como “um dos mais marcantes”. Acrescenta uma memória boa. A primeira vitória na carreira, no Estoril, em 1995, um ano depois de ter ficado com o lugar do piloto brasileiro.

O Circuito citadino do Mónaco é sempre um dos que fala com brilho nos olhos. “É um desafio enorme conduzir lá. Tentar não bater nos muros...”.

O amigo Senna

Para a conversa saltam os pilotos com quem contracenou: Ayrton Senna, Nigel Mansel, Nelson Piquet, Michael Schumacher e Lewis Hamilton.

“Mansel era um condutor de coragem. Piquet, bastante pequeno, tirava partido da estatura. Senna era tudo, era completo”, resumiu sobre os três de quem serviu de piloto de testes na escuderia de Jack Williams.

A relação com Senna era diferente. “Ficava na casa dele, em Cascais, quando fazia os testes no Estoril”, recordou.

Os outros dois foram colegas de equipa. “Só mais tarde me apercebi da influência de Schumacher na minha carreira”, admitiu. “Tantas vezes ouvi o hino alemão que um dia dei por mim a cantá-lo no duche e esqueci-me que sou britânico”, sorriu.

Em relação ao britânico Hamilton recordou uma entrevista quando este ingressou na McLaren em que “disse que ia ficar com o meu lugar”, mas "conseguiu muito mais do que isso”, notou.

O outro lado de Portugal. Uma noite na discoteca Coconut’s

A ligação de David Coulthard a Portugal remonta aos testes feitos no início dos anos 90 do século passado.

No Autódromo Fernanda Pires da Silva, circuito do Estoril, conseguiu a primeira vitória da carreira, em 1995, depois do 2ª lugar, no ano anterior. O ano em que assumiu o lugar do amigo Senna.

Mas a relação do escocês com o território nacional, que considera um “país importante para a F1” vai mais longe. E entra noutros campos. Na comida e no boletim meteorológico. “Recordo-me de um dia, depois do Grande Prémio, irmos a uma discoteca, o Coconut’s. Portugal e os portugueses sabem divertir-se”, finalizou.

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