Ayrton Senna morreu num acidente em pista a 1 de maio de 1994, no circuito de Imola, Itália. Um episódio marcante que levou muitas gerações de fãs do automobilismo a pronunciarem a célebre frase “deixei de ver Fórmula 1 desde que o Senna morreu”.

O piloto brasileiro esteve omnipresente na apresentação do Fórmula 1 Heineken - Grande Prémio de Portugal, que se realiza no Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão, de 23 a 25 de outubro.

Foi recordado por David Coulthard, antigo companheiro, piloto de testes na equipa Williams (viria a assumir o lugar do brasileiro após o incidente que o vitimou) responsável pela apresentação da taça da etapa portuguesa do Mundial de F1, 12ª do calendário de 2020. “Para o Senna, Portugal era como uma casa quando ele estava na Europa. Eu ficava na casa dele (em Cascais) quando fazia os testes no Estoril”, recordou na apresentação oficial da próxima prova do Mundial, relembrando que "toda a gente reconhece a importância de Portugal na Fórmula 1”.

Para além do escocês, João Carlos Costa, jornalista e comentador da Eleven Sports (canal responsável pela transmissão) deixou no ar que muitos foram aqueles que se afastaram do maior espetáculo do mundo depois do trágico acidente que vitimou Senna. Ideia igualmente partilhada por Pedro Lamy, piloto português que andou na alta roda da F1 entre 1993 e 1996, tendo disputado 32 Grandes Prémios.

O tricampeão mundial está umbilicalmente ligado às pistas portuguesas. Foi vencedor no autódromo do Estoril, em 1985, então no regresso do “Circo” a Portugal (Boavista e Monsanto precederam), o mesmo palco onde Coulthard, no ano da morte do piloto que via Deus a 300 km/h, obteve o primeiro pódio (2º lugar) e, no ano seguinte, o primeiro triunfo na carreira.

A 22 de setembro, Jacques Villeneuve (Williams-Renault) vencia a 25ª edição do GP Portugal. 24 depois, a Fórmula 1 regressa a Portugal.

Portimão: um circuito à antiga

Autódromo do Algarve, circuito de Portimão, é o eleito. Um traçado descrito por David Coulthard como uma “montanha-russa, cheia de elevações”.

Pedro Lamy, esteve na última corrida do Estoril, elogia igualmente o desenho da pista algarvia que contraria “o desaparecimento das velhas pistas”, disse. “A Fórmula 1 perdeu o carisma e a tradição. A segurança tem vindo a mudar com os países que tinham dinheiro, em vez daqueles que tinham tradição. O dinheiro mudou a tradição da Fórmula 1”, atirou o único piloto português a pontuar (6º lugar) num Grande Prémio, no GP da Austrália, em 1996.

“Portimão é um circuito novo com espírito antigo. A segurança tem de ser sempre o objetivo primário, mas a verdade é que a introdução de certas pistas tirou a vontade de ver Fórmula 1. Portimão soube aproveitar a tipografia do terreno e fez uma pista desafiante, à antiga”, acrescentou João Carlos Costa.

Lewis Hamilton pode bater recorde 

O inglês, Lewis Hamilton (Mercedes), seis vezes campeão mundial, igualou no passado domingo, no Grande Prémio Eifel, as 91 vitórias de Michael Schumacher e pode, em Portimão, superar o recorde do alemão.

Dois pilotos que se cruzam na história de DC. “Só mais tarde me apercebi da influência de Schumacher na minha carreira”, reconheceu o escocês de 49 anos. “Tantas vezes ouvi o hino alemão que um dia dei por mim a cantá-lo no duche e esqueci-me que sou britânico”, sorriu. Em relação ao Hamilton recordou uma entrevista quando este ingressou na escuderia da McLaren em que “disse que ia ficar com o meu lugar”, mas "conseguiu muito mais do que isso”, notou.

“Hamilton está a bater todos os recordes. Para mim, é o melhor piloto da atualidade e provavelmente o melhor de todos os tempos. É o melhor piloto no melhor carro, salientou Lamy, esperando que o holandês Max Verstappen (Red Bull) " consiga dar a volta ao assunto". 

Novos talentos à solta

Para o antigo piloto português, 48 anos, a Fórmula 1 está "muito interessante", com "muito bons pilotos e equipas próximas umas das outras", realçando o contributo da “alteração dos regulamentos” no aumento da competitividade.

Apesar do domínio do inglês e da escuderia alemã (Mercedes), há talento à solta no asfalto. "A Fórmula 1 não tem falta de talento. Esquecemo-nos que no passado havia pilotos que entravam com uma mala cheia de dinheiro. É preciso ter capacidade financeira, mas agora tem de se ganhar, tem de se fazer os 40 pontos, não basta a mala cheia de dinheiro”, explicou o jornalista especializado em automobilismo. “É difícil destacar só um piloto e o mais interessante é que atrás destes, nas provas de promoção, há 100 que têm capacidade para subir porque estão preparados a todos os níveis, física e psicologicamente", frisou João Carlos Costa.

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