“Senti-me obrigado a ir à entrevista com L’Equipe porque não queria desapontar o jornalista, mas mantive a minha distância social e a minha máscara facial, exceto durante a sessão fotográfica. Quando regressei a casa, para me isolar durante o período exigido, após reflexão, entendo que foi um erro de julgamento e aceito que deveria ter adiado o compromisso”, disse o atleta num comunicado publicado na sua conta na rede social Instagram.

"Vivemos tempos difíceis com uma pandemia mundial e, às vezes, esses erros acontecem", declarou também o atleta de 34 anos, que não está vacinado.

Djokovic afirma ter sido testado para a covid-19 a 16 de dezembro, cujo resultado descobriu um dia mais tarde, já depois de ter participado num evento desportivo em que entregou prémios a crianças. Já a entrevista foi concedida a 18 de dezembro. "Acho, agora, que esse foi um erro de julgamento e aceito que deveria ter remarcado esse compromisso", concluiu.

O tenista também admitiu que apresentou uma declaração falsa ao governo australiano sobre o seu histórico de viagens antes de voar para Melbourne, embora tenha culpado os seus representante pelo preenchimento do documento, sublinhando que este tema fico a cargo da sua equipa de apoio em seu nome, classificando o caso como um “erro administrativo” e “humano”, não deliberado.

A declaração de viagem apresentada aos agentes de imigração australianos indicou que Djokovic não viajou 14 dias antes do voo para Melbourne. No entanto, essa informação foi desmentida nas redes sociais e pelos jornais, que revelaram que ele viajou da Sérvia para a Espanha nesse período.

Apesar da admissão de culpa, Djokovic descreveu como "desinformação" as versões que circularam sobre as suas aparições públicas após o teste positivo de covid-19.

O atleta sérvio chegou à Austrália na semana passada com uma isenção médica concedida pelos organizadores do torneio. No entanto, os agentes que fazem o controlo da fronteira rejeitaram a isenção, alegando que o resultado positivo de um teste de PCR não o qualifica para se beneficiar dela. Por esse motivo, anularam o visto e Djokovic e enviaram a jogador para um centro de detenção de migrantes em Melbourne.

O sérvio adiantou também que forneceu informação adicional ao Governo australiano sobre este assunto, num momento em que as autoridades continuam a considerar a possível revogação do seu visto, ou seja, a deportação daquele que é o número um do ténis mundial.

Esta segunda-feira, a sua equipa de advogados conseguiu que um juiz revertesse a decisão por um erro de procedimento durante o seu interrogatório no aeroporto de Melbourne.

O sérvio assegurou que os seus assessores apresentaram novas informações ao governo australiano. O ministro da Imigração, Alex Hawke, vai agora analisar se voltará a cancelar o visto do jogador, ou se permitirá que ele dispute o Open da Austrália.

Um porta-voz do governo disse à imprensa local que está a receber "extensa documentação" dos advogados do jogador, o que, "naturalmente, afetará o prazo para (tomar) a decisão".

Ainda assim, surgiram novas dúvidas sobre o caso, em especial sobre o positivo que justificaria a sua isenção. A revista alemã Der Spiegel disse que testou o código QR do teste e que apareceu um resultado negativo. Uma hora depois, voltaram a usar o código e deu positivo. Não foi possível verificar as informações do periódico alemão de forma independente.

O advogado especializado em imigração Christopher Levingston afirmou que o governo australiano poderia cancelar o visto de Djokovic por motivos criminais, devido, por exemplo, à imprecisão na declaração de viagem.

O ministro da Imigração também poderia, segundo ele, revogar o visto por motivos mais amplos, alegando que Djokovic burlou as exigências sanitárias da Sérvia, após saber do seu contágio, ou por violar as normas de saúde pública da Austrália.

O sérvio, de resto, não foi o único tenista nesta situação. A checa Renata Voracova viu-se obrigada a voltar para casa, após o cancelamento do seu visto e da sua retenção no mesmo centro onde Djokovic ficou. Ela anunciou, nesta quarta, que pedirá uma indemnização financeira à Federação Australiana de Tênis.

A associação de ténis feminino WTA criticou as "lamentáveis" dificuldades experimentadas pela jogadora e defendeu que Voracova "não fez nada de errado".

[Notícia atualizada às 11:11]

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