13 de agosto de 2019

Ao minuto 34, Suleymanov volta a surgir pela esquerda, entra na área escapando à oposição de Luis Díaz e Marcano para rematar para o terceiro golo do Krasnodar.

O acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões era o grande objetivo da fase inicial da temporada e o FK Krasnodar, embora encerrando qualidades, não era um adversário impossível de ultrapassar. O FC Porto venceu na Rússia, num jogo que marcou a estreia de Agustín Marchesín na baliza e viu Sérgio Oliveira a dar vantagem já perto do fim do encontro, alimentando as melhores perspetivas de estar entre os melhores da Europa.

O início da temporada não seria, no entanto, um caminho fácil de percorrer. Entre os dois encontros da eliminatória europeia, o FC Porto saudava o regresso do Gil Vicente à Liga Portuguesa e saía de Barcelos vergado a uma inesperada derrota, por 1-2. A abordagem à receção ao Krasnodar evidenciou as fragilidades dos azuis e brancos para responder à velocidade da transição russa. A época começava da pior forma possível para Sérgio Conceição.

24 de agosto de 2019

Minuto 86 no Estádio da Luz, Otávio lança Marega nas costas da defensiva encarnada e o avançado portista remata para o 0-2, numa exibição de domínio dos portistas.

A exibição de poder do FC Porto no Estádio da Luz terá sido a grande lição tática de Sérgio Conceição na presente temporada. Os portistas chegavam ainda marcados pelos resultados negativos, frente a um Benfica que vivia nas nuvens de um início de temporada prometedor. Com Romário Baró a funcionar como um terceiro elemento no corredor central dos portistas e Luis Díaz lançando velocidade pelas faixas, o Benfica nunca se encontrou perante a qualidade do jogo azul e branco.

Foi a vitória mais emblemática de uma série de oito jogos consecutivos sempre a festejar, em diversas competições. Mas, acima de tudo, o sinal de que a equipa de Sérgio Conceição tinha o que mostrar perante o seu maior rival, depois de perdido o título da época anterior. Esta série de jogos também perspetivava o enorme equilíbrio entre os dois líderes da Liga NOS, com Porto e Benfica a seguirem a par nos meses seguintes.

30 de outubro de 2019

Canto para o Marítimo ao minuto 11. A bola é desviada ao primeiro poste e Danilo tenta o alívio que vai encontrar Bambock. Sem marcação, e num remate de primeira, o francês coloca os madeirenses na frente.

Os primeiros sinais de fragilidades tinha sido dados em morada europeia, com a derrota em Roterdão, frente ao Feyenoord, e um empate caseiro com Rangers. No entanto, o percurso na Liga mantinha-se incólume, com vitórias na visita ao Rio Ave e na receção à revelação da prova, o Famalicão, que saiu do Dragão vergado por um incisivo 3-0. O empate na Madeira, a exibição descolorida frente ao Desportivo das Aves e nova derrota europeia na viagem até Glasgow revelaram um FC Porto a perder ritmo e, ao mesmo tempo, a perder o primeiro lugar.

O Benfica isolava-se na frente mas, na sala de imprensa da Madeira, Sérgio Conceição sublinhava que a equipa não tinha “perdido o campeonato”, floreando o discurso com uma frase que fica para a história. As críticas dos adeptos e a pressão sobre a equipa fazia-se sentir perante resultados trémulos.

17 de janeiro de 2020

Um canto volta a ensombrar o sorriso dos portistas. Ao minuto 75, Sequeira assume a marcação e Paulinho aparece ao primeiro poste atirando para o fundo das redes de Marchesín.

Mais do que uma maratona, o campeonato nacional parecia transformar-se numa epopeia para o FC Porto. A equipa vira o Benfica alargar a sua vantagem depois de um empate com o Belenenses SAD no Jamor, único tropeço numa série de doze vitórias consecutivas nas diferentes competições. Mas já no novo ano, recebendo o Braga de Rúben Amorim, o FC Porto cedia em casa.

Uma derrota complicava bastante as contas na Liga, deixando o Benfica a sete pontos de distância e que viria a ter reflexos no objetivo seguinte, a Taça da Liga. Os portistas venceram o Vitória de Guimarães nas meias-finais mas voltaram a perder para os bracarenses na final da prova. Duas derrotas num espaço de pouco mais de uma semana voltavam a accionar os alarmes das oficinas do Dragão. Para Sérgio Conceição, no fim da primeira volta, a sensação de revolta tomava conta do espírito de um plantel que não iria desistir.

16 de fevereiro de 2020

Minuto 60, Chancel Mbemba procura a profundidade com um passe longo, Moussa Marega ganha no corpo a corpo com Frederico Venâncio e remata para colocar o FC Porto em vantagem. 1-2.

A semana de todas as vitórias para o FC Porto começou com a receção ao Benfica, num jogo de tudo ou nada. Os portistas foram mais fortes, numa partida muito disputada e reduziram a vantagem pontual dos encarnados. A meio dessa semana, receção ao Académico de Viseu para a segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal e assunto resolvido com mais uma vitória, esta por 3-0.

Guimarães era, então, o momento para afirmar a recuperação azul e branca, sobretudo depois do Benfica ter voltado a perder, em casa, para o SC Braga. Num jogo de enorme pressão, o golo de Marega permitiu ao FC Porto ficar a apenas um ponto de distância do primeiro lugar. Golo que, devido à reação das bancadas, viria a dar azo ao “Caso Marega”, com o maliano a abandonar o relvado. Garantida a vitória, o FC Porto olhava agora com renovada confiança para a hipótese de conquistar o título.

2 de março de 2020

Ao minuto 37, Manafá recebe a bola no flanco direito, inicia uma diagonal, combina com Sérgio Oliveira e vai, já dentro da área, rematar para o golo inaugural da vitória portista nos Açores.

Vencer na visita ao terreno do Santa Clara até pode ser habitual, mas esta temporada marca a ascensão do FC Porto ao primeiro lugar da tabela classificativa, numa jornada onde o Benfica viria a empatar em casa com o Moreirense. A vitória nos Açores fica ainda marcada pelo belo golo de Manafá, o décimo-segundo jogador mais utilizado por Sérgio Conceição, mas nem sempre apreciado pelos adeptos.

A subida ao primeiro lugar fez-se, assim, numa sucessão de seis vitórias consecutivas, ao passo que o Benfica ia perdendo cada vez mais gás e pontos. A capacidade de resistência dos jogadores portistas voltava a ficar provada, sendo que esta retoma acontecia num período onde a Liga Europa acabaria por ficar para trás, com a eliminação frente ao Bayer Leverkusen. Na jornada seguinte, um empate caseiro com o Rio Ave demonstrava que talvez nem tudo fosse sólido nesta liderança (o Benfica repetia a dose, com empate em Setúbal). Mas a interrupção da competição daria tempo para outra reflexão.

23 de junho de 2020

Ao intervalo, Sérgio Conceição tira Tomás Esteves e Luis Díaz para lançar Manafá e Matheus Uribe. A troca explica-a o próprio técnico, com a necessidade de adiantar Marega e reposicionar o meio-campo, depois de, na primeira parte, os portistas terem “facilitado o processo defensivo do Boavista”.

Com o regresso pós-pandemia, chegou a parecer que este campeonato ninguém o queria ganhar. O FC Porto perde em Famalicão e empata na Vila das Aves, enquanto o Benfica também vai somando desaires. Na noite de São João mais triste de que há memória, sem festejos permitidos nas ruas nem adeptos nas bancadas, há dérbi com o Boavista. Ao intervalo, o jogo segue sem golos, apesar das oportunidades criadas. Esta era a oportunidade que o Porto tinha mesmo que aproveitar para se escapar na frente da Liga.

A oportunidade foi aproveitada. As trocas ao intervalo fizeram-se sentir e uma segunda parte de claro domínio portista permitiu uma goleada de 4-0 que assegurava a vantagem de três pontos na frente da Liga. Mais do que isso, fazia ver aos portistas que mesmo nos momentos mais complexos, a crença na vitória valia-lhes uma vantagem competitiva.

A marca de Sérgio Conceição fez-se sentir ao longo da temporada nesses momentos em que foi necessário ver o treinador dar a cara pela equipa e pelo seu trabalho. Tal como o apoio que sempre sentiu para tomar todas as decisões. No momento da verdade, a qualidade das exibições deixa a desejar, o jogo apresentando tem muitos episódios de inconstância, mas a vitória surge para repor a tranquilidade no final. Por isso o FC Porto está no primeiro lugar. Por isso o FC Porto é campeão.

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