A Major Soccer League (MLS), Liga norte-americana de futebol, arranca hoje, 2 de março, com o Toronto FC a viajar até à Pensilvânia para defrontar os Philadelphia Union, no Talen Energy Stadium, no jogo inaugural da temporada.

Ao todo 24 equipas, divididas em duas conferências (Este e Oeste), à boa maneira dos desportos americanos, com 12 emblemas (franchises) cada. Com a estreia de uma equipa - FC Cincinnati – inicia-se debaixo de um novo formato de apuramento do campeão.

Desde o ano da fundação da competição, em 1996, vários foram os desenhos feitos para apurar o vencedor. Esta época não foge à regra e há novidades. Das 12 equipas de cada conferência, 7 de cada seguem para os playoffs (14 do total). O primeiro lugar de cada um dos lados da América “salta” direto para as meias-finais. As restantes 12 entram em campo num sistema eliminatório, a um só jogo, com o 2º classificado de uma zona a defrontar o 7º da outra, o 3º contra o 6º e 4º frente aos 5º.

Depois de 34 jogos na fase regular, realiza-se, entre outubro e os primeiros dias de novembro, em 23 dias, 13 jogos para as 14 equipas que culmina numa final que junta os vencedores de cada uma das Conferências e que será disputada no domingo, 10 de novembro, um data mais cedo que em anos anteriores.

Nani, André Horta e Gaitán: os ares da Liga portuguesa no outro lado do Atlântico

Um dos aliciantes desta época da MLS é o crescente número de jogadores portugueses a vestiram as camisolas de clubes americanos.

Depois de André Horta (LA Football Club), um “Designated Player” (jogador com salário acima do teto autorizado), sendo que na MLS cada clube só pode utilizar três, regra imposta aquando da chegada de David Beckham aos EUA, 2007, ficando, desde então, também conhecida pela “Beckham Rule” (a regra de Beckham), é a vez de Nani, ex-Sporting, que ingressou no Orlando City, onde fará companhia a João Moutinho (jovem de 21 anos, que fez a formação nos leões e foi um dos primeiros jogadores lusos em Terras de Tio Sam, ex-Los Angeles FC) e Pedro Santos (Columbus Crew).

De Portugal e da Liga NOS saiu, por empréstimo, para o New York FC, Keaton Parks (Benfica). Fredy Montero (ex-Sporting), é outro jogador que viajou de Portugal. Vai representar o Vancouver Whitecaps, e Marcelo, central brasileiro, ex-Sporting e ex-Rio Ave, representará os Chicago Fire, onde terá a companhia de Nico Gaitán, argentino que brilhou na Luz, no Atlético de Madrid e que trocou de superpotência: a China pela América. Outro jogador que respirou os ares do futebol português é Diego Rubio (avançado chileno que andou de leão ao peito de 2011-2013 e 2014-2015), agora ao serviço dos Colorado Rapids, a equipa do veterano guarda-redes americano, Tim Howard.

De el dourado para velhas glórias a palco para novos jogadores. Adquiridos e vendidos

O dérbi, o clássico e a rivalidade centenária de emblemas é algo que não mora nas paragens americanas. Não só porque a Liga só foi criada em 1996, mas porque, em especial, é comum, e transversal ao desporto americano, as equipas mudarem de cidade e de identidade (para além de “dono”, algo que sucedeu este ano com o Columbus Crew).

Apesar desse lado menos “apaixonado” da bola, o futebol nos Estados Unidos da América e no Canadá cresceu nos últimos 10 anos. Mais clubes, mais assistências, mais dinheiro a rolar nas transferências e clubes mais valiosos a nível de ativos (jogadores).

Até os anos mais recentes a janela de transferências na MLS tendia a abrir no lado das compras. Por norma, velhas glórias aterravam num el dorado futebolês em busca de (muitos) dólares. Foi assim com Beckham (a quem o seu clube, LA Galaxy, erguerá uma estátua em frente ao Dignity Health Sports Park), Schweinsteiger (campeão do mundo), Steven Gerrard, Frank Lampard, Andrea Pirlo, David Villa, Rooney ou Zlatan Ibrahimovic.

Mas a tendência compradora, em especial de experiência no par de botas é algo que parece estar a mudar. Em janeiro deu entrada nos cofres da Liga 45 milhões de dólares (39,5 milhões de euros), valores que igualam a totalidade de 2018.

De repente, as Ligas europeias e alguns dos grandes clubes europeus apontaram agulhas ao país de Trump: o guarda-redes, Zack Steffen, Columbus, Crew assinou um pré-contrato com o campeão inglês, Manchester City, Alphonso Davies (Vancouver Whitecaps) e Chris Richards (FC Dallas) vestem agora a camisola do Bayern Munique, Tyler Adams manteve-se debaixo do mesmo dono mas mudou de clube e país, do New York Red Bulls para o emblema alemão do RB Leipzig. Acima de tudo, o médio Miguel Almiron, Atlanta United, quebrou o recorde ao transferir-se da MLS para o Newcastle United, clube inglês, por 26 milhões de dólares (22,8M€) .

Mas há mais. Na última janela de inverno de transferências (no caso europeu) Luciano Acosta, DC United, esteve com um pé no campeão francês, Paris Saint-Germain. Não foi e regressou à base.

“Temos que nos habituar ao facto de que no mundo global do futebol, os jogadores são vendidos”, justificou Don Garber, líder da MLS, numa espécie de Estado da Nação, no final do ano passado, aludindo a que a Liga começa a comprar jovens estrelas, não só para criar uma base de fãs, mas também para vendê-las, posteriormente.

Em sentido inverso, isto é, dando entrada no mercado americano, muitas são as jovens estrelas que começam a aterrar na MLS. À cabeça, o jogador sul-americano do Ano 2018, Pity Martinez, vencedor da Libertadores com o emblema do River Plate. Mas há mais: “Designated Player” Lucas Rodriguez e Leonardo Jara (que trocaram o Estudiantes, Argentina, pelo D.C. United), o romeno Alexandru Mitrita (New York City FC), o venezuelano Josef Martínez (Atlanta United), o hondurenho Alberth Elis (Houston Dynamo) ou o uruguaio Diego Rossi (LAFC), entre outros.

Novos treinadores e as perguntas com resposta em novembro

Novos treinadores são a outra face do futebol nas Américas. Frank de Boer, campeão europeu como jogador (Ajax, 1994-1995) e campeão nacional como treinador (Ajax), que se sentará no banco do Atlanta United e Guillermo Barros Schelotto, que levou o Boca Juniors à final da Copa Libertadores (Los Angeles Galaxy), são exemplos da nova vaga de treinadores que chega a solo americano. Outros fazem igualmente a sua estreia na principal Liga, como é o caso de Marc Dos Santos (Vancouver Whitecaps).

Olhando para a MLS algumas perguntas aguardam resposta até novembro: como se comportará Zlatan Ibrahimovic numa época inteira, depois dos 22 golos em 27 jogos mas que não foram suficientes para o título. Terá a sua passagem pelos EUA um final (feliz) hollywodesco? Como entrará em campo Wayne Rooney que, com 12 golos em 20 jogos e a ajuda de Lucho Acosta, levou aos ombros, a partir de meados de julho, um moribundo D.C. United até aos playoffs? E Nani, depois de Inglaterra e da Turquia, como será a adaptação do internacional português? E quem será a estrela cintilante? E o campeão em título? Será que o Atlanta, apesar de ter perdido o Treinador do Ano 2018, Tata Martino (ex-Barcelona e antigo selecionador argentino) e a estrela, o médio Miguel Almiron, na terceira época na MLS, agora sob a liderança de Frank de Boer e com o Jogador Sul-Americano do Ano 2018, Pity Martinez, poderá ser a primeira equipa desde o LA Galaxy em 2011-12 a defender, com sucesso, o título conquistado?

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