Manuel Fernandes, Raúl Meireles, Hugo Almeida, Bruno Alves e Ricardo Quaresma. Todos internacionais portugueses, todos vestiram a camisola do Besiktas, um dos “grandes” do futebol turco. Nomes que, decerto, os responsáveis das “águias pretas” ficariam contentes de poder recuar no tempo e tê-los no ativo ao serviço do terceiro clube de Istambul, atrás de Galatasaray e Fenerbahçe.

O emblema, nascido em 1903, no lado europeu da cidade que o Bósforo divide em dois continentes, conta 15 campeonatos e 9 taças da Turquia e vive, a nível doméstico, dias menos bons: um 8.º lugar com 15 pontos, mas, ainda assim, a 4 pontos do clube que ocupa o topo da tabela classificativa, o Alanyaspor.

E se o panorama a nível doméstico não é negro, em relação à prestação a nível da Liga Europa é mesmo da cor das camisolas do equipamento. No Grupo K, em quatro jogos, somam zero pontos, fruto de quatro derrotas, e ocupam o último lugar da tabela. Duas das derrotas foram da responsabilidade do SC Braga.

Depois de ter vencido na Turquia, o 10.º classificado da Liga NOS, voltou a superiorizar-se ao Besiktas (agora na Pedreira, em Braga) e mostrou a razão pelo qual tem sido grande na Europa.

Num jogo de extremos (opunha o 1.º do grupo, o Braga, ao 4.º e último classificado, o Besikas), o primeiro golo bracarense surgiu ao minuto 14, na sequência de uma bola parada. A bola vinda de um pontapé de canto do lado esquerdo marcado por Sequeira seguiu direcionada à cabeça de Paulinho, que se estreou a marcar na fase de grupos, e colocou os Guerreiros do Minho na frente do marcador.

As distrações traiçoeiras

Com os manos Horta, Ricardo e André, a entenderem-se como se estivessem no quarto de brinquedos, Galeno a fazer as “traquinices” próprias da idade, João Palhinha a não deixar ninguém entrar em casa e Sequeira irrequieto e em alta rotação pelo lado esquerdo, um momento de distração (mais um, como viriam a sublinhar Paulinho e o treinador Sá Pinto, na flash interview) permitiu o golo do empate a Tyler Boyd (29’), no primeiro remate que o Besiktas fez. O internacional jovem pela Nova Zelândia, que defende atualmente a bandeira dos Estados Unidos da América, aproveitou o “adormecimento” dos minhotos, numa jogada que nasceu de um lançamento da linha lateral, sobrevoou a defesa bracarense e aterrou nos pés do antigo jogador do Vitória de Guimarães, que sentou Sequeira e atirou para o fundo das redes de Eduardo, naquele que foi o seu primeiro golo em jogos oficiais ao serviço do clube turco. As redes abanaram e Sá Pinto quase que arrancou as calças de tanto as puxar para cima.

O empate, no entanto, não durou muito. Pouco mais de oito minutos. Galeno, que havia caído para o lado esquerdo do ataque da formação portuguesa, ganhou, em velocidade, metros e metros, tendo por oponente o veterano central sérvio, Vida, centrou colocado para a pequena área e foi lá que surgiu o avançado de serviço, Paulinho, que com um toque de raspão repôs a vantagem.

Uma vantagem que poderia ter sido desfeita de seguida. Mais uma vez com a defesa do Braga distraída, Eduardo opôs-se, por duas vezes, impedindo que Boyd voltasse a ser feliz.

Quando o árbitro se preparava para apitar para o intervalo, o som do apito ecoou para expulsar Lens: vermelho direto para internacional holandês após falta sobre João Palhinha, uma cor da cartolina que valeu mais pelo aparato do que pelo que realmente aconteceu no lance. Com menos um jogador, e a perder, a tarefa não se afigurava fácil para o Besiktas, por esta altura já pronto a dizer adeus à Europa.

Palhinha fechou os primeiros 45 minutos num remate do meio da rua para defesa de Loris Karius, enquanto Fransérgio viria a falhar o golo num remate de cabeça, na cara do guarda-redes alemão que está emprestado pelo Liverpool.

Wilson Eduardo. 3 pontapés: uma defesa, um golo e uma bola à barra

Com o Braga a dominar a seu bel-prazer, Ricardo Sá Pinto tirou do banco Wilson Eduardo numa substituição clássica em que manda sentar Ricardo Horta. O internacional angolano ia marcando um golo de bandeira num pontapé em balão, e Rui Fonte, que entrou para o lugar de Paulinho e nem 30 segundos necessitou para fazer o gosto ao pé, na resposta a um centro teleguiado de Wilson Eduardo.

Pedro Rebocho entrara em campo para dar um toque de portugalidade ao Besiktas, equipa que, sem arriscar muito, poderia dar azo à máxima do futebol “quem não marca, arrisca-se a sofrer”. Num terceiro apagão bracarense, Güven Yalçın rematou para defesa decisiva de Eduardo. Um susto logo reparado por Wilson Eduardo que, a um centro de Galeno, antecipou-se ao n.º 1 turco e sossegou a Pedreira. Foi o sétimo golo da temporada, segundo na competição da UEFA. Um golo que, tal como os restantes dois, nasceu do lado esquerdo da Pedreira. E poderia ter adicionado mais outro à contabilidade pessoal, só que a bola, após jogada de entendimento, pelo corredor esquerdo do ataque, envolvendo Galeno e Rui Fonte, Wilson Eduardo, que fez 3 remates na partida, desferiu o esférico à barra. Os outros dois tinham dado um golo e uma defesa.

10 pontos para ajudar o futebol português

Ao 21.º jogo nesta época, o Braga segue imbatível na Liga Europa e dá um passo importante rumo aos 1/16 avos de final. Uma vitória que, realçou o treinador Sá Pinto em declarações à SPORTTV resulta numa “campanha extraordinária para o futebol português, para Braga, [para] a própria equipa e a massa associativa” e que o contributo para o ranking europeu de Portugal (6.º) ajuda à conquista de “pontos para por mais equipas nas competições europeias”, uma ideia partilhada pelo avançado bracarense, Paulinho.

Em relação às distrações, Sá Pinto espera que esse período tenha chegado ao fim. “Tem acontecido à nossa equipa. Vão lá uma vez e golo, vão lá uma vez, vão lá uma vez e golo. É uma fase que espero ter acabado hoje”, sublinhou no final da partida.

Bitaites e posta de pescada

O que é que é isso, ó meu?

Num jogo em que o Braga esteve sempre por cima, a jogar em alta rotação, três situações de distração, no seguimento de bolas paradas que beneficiaram o Besiktas, deram origem a um golo sofrido e duas situações de muito perigo. Os apagões não são novos e têm roubado pontos a nível interno. Sá Pinto no final da partida disse esperar que os erros tenham ficado pelo jogo de ontem. A ver e acompanhar nos jogos que se avizinham.

Wilson Eduardo – fica na retina três remates à baliza

Wilson Eduardo entrou ao minuto 60 na partida. Esteve 30’ em campo. O tempo suficiente para desferir uma bomba com o pé esquerdo que foi desviada pelo guarda-redes alemão que joga no Besiktas; de pincelar o esférico antes de este se encaminhar para as redes, no golo da confirmação da vitória bracarense e, em mais um potente pontapé, desta vez com o pé direito, tirar tinta à barra da baliza defendida por Karius. Melhor estatística e produtividade não se poderiam pedir.

Galeno, a vantagem de saber jogar pela esquerda

Invariavelmente, Galeno, destro, começa o jogo à direita, mas é à esquerda que vai criando mais perigo. O jogo com o Besiktas não foi exceção. O segundo golo bracarense nasce de uma arrancada do extremo brasileiro que gosta de rematar de fora para dentro.

Nem com dois pulmões chegava a essa bola

O veterano central sérvio, Vida, bem poderia cantar “ai quem me dera ter outra vez 20 anos”, com letra de Amália. O jogador, tal como no jogo da Turquia, transporta o fado de estar ligado aos golos dos arsenalistas. O jovem Galeno pareceu andar de mota no lance do segundo golo da partida. Ainda assim, e em abono da verdade, Vida conseguiu, no meio de uma defesa em apuros, compensar a falta de velocidade com a experiência posicional.

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