Nets e Bucks são duas equipas construídas de forma diametralmente oposta. Os Nets, depois de uma reconstrução de vários anos, aceleraram a sua evolução com a contratação de três superestrelas: Kevin Durant, Kyrie Irving e James Harden. Por sua vez, os Bucks adicionaram a sua superestrela através do draft e, por serem uma equipa de um mercado pequeno, construíram à volta de Giannis Antetokounmpo na «free agency» e graças a trocas com outras formações da liga. Depois de dois anos desapontantes nos playoffs, o conjunto de Milwaukee aparece reforçado para o ataque às Finais e talvez seja mesmo a única equipa ainda em prova devidamente equipada para contrariar o poder de fogo ao serviço de Steve Nash.

Encaixe dos trios de estrelas

Durant, Irving e Harden fazem dos Nets uma força temível no ataque. Depois de terminarem a fase regular com o melhor ataque de sempre (eficiência ofensiva de 117.3 pontos marcados por cada 100 posses de bola), a equipa de Brooklyn ainda melhorou o registo na primeira ronda dos playoffs, frente aos Boston Celtics (eficiência ofensiva de 128.0 na globalidade da série e de 136.9 nos minutos em que o «Big 3» esteve em campo), mas os Bucks, que tiveram a 9.ª melhor defesa da fase regular (eficiência defensiva de 110.7 pontos sofridos por cada 100 posses de bola), registaram uma capacidade defensiva igualmente histórica (eficiência de 95.4) na varridela aos Miami Heat.

No papel, os Milwaukee Bucks têm encaixes perfeitos para tentar limitar as estrelas dos Brooklyn Nets. Giannis Antetokounmpo pode agarrar-se a Kevin Durant, Jrue Holiday vai andar sempre na sombra de James Harden ou Kyrie Irving, Khris Middleton também é um defensor mais do que razoável e PJ Tucker terá certamente muitos minutos nesta série, por causa da sua versatilidade no meio campo defensivo. Quem poderá perder espaço na rotação é o poste titular Brook Lopez, sobretudo se o treinador Mike Budenholzer reforçar ainda mais a estratégia de trocar em todos os bloqueios e «handoffs», que usou e abusou frente aos Heat.

A lesão de Donte DiVincenzo é um revés para essa estratégia de trocas em bloqueios, embora Pat Connaughton - numa substituição direta de DiVincenzo - e Bobby Portis - num cinco mais móvel, sem Lopez e com Tucker - possam dar minutos de qualidade e opções diversas ao técnico. Pior estão os Nets, que já não são especialistas defensivos e têm o extremo Jeff Green fisicamente limitado. Nash sabe que o desempenho da sua equipa na transição defensiva e na defesa do 5x5 em meio campo será determinante para o sucesso na eliminatória e sabe também que os Bucks, tal como o fizeram frente aos Heat, vão explorar todas as vantagens nos «mismatches».

O tamanho, afinal, ainda importa

O poste DeAndre Jordan ainda nem sequer foi usado nos playoffs e os Nets têm usado Durant como jogador mais alto em vários «lineups», embora Blake Griffin, Nic Claxton e até Bruce Brown funcionem muitas vezes como o jogador interior. Os centímetros de Brook Lopez, Bobby Portis e do grego Antetokounmpo, que deverá ser utilizado (ainda mais) como poste neste confronto com a equipa de Brooklyn, podem dar vantagens nas áreas mais próximas do cesto, nomeadamente na luta das tabelas. Na série com os Miami Heat, por exemplo, os Milwaukee Bucks conquistaram 61 ressaltos ofensivos em apenas quatro jogos.

Os Nets, por seu lado, deverão castigar os «mismatches» mais óbvios, como o poste Brook Lopez ou o "atirador" Bryn Forbes. Com três dos melhores jogadores da liga em situações de 1x1, os isolamentos devem subir em flecha no ataque de Brooklyn. Para além do tamanho dos jogadores, também o tamanho do ego será testado nesta série. Conseguirão Durant, Irving e Harden continuar a partilhar a bola e à procura da melhor seleção de lançamento para a equipa, se estiverem em desvantagem no marcador? A ver vamos.

Masterclass de bloqueio direto

Não é segredo que a NBA é uma liga de «pick & roll» [bloqueios diretos] e esta série promete ser recheada de momentos em que esse recurso tático é utilizado. Na primeira ronda dos playoffs, os Brooklyn Nets lideraram nos pontos por posse de bola em que o bloqueio direto foi usado para dar ao portador da bola a hipótese de decidir (1.18 pontos por posse de bola > »pick & roll, ball handler») e os Milwaukee Bucks foram a melhor equipa, de longe, entre as 16 que iniciaram a fase a eliminar da competição, a utilizar bloqueios diretos para alimentar o poste bloqueador, por norma Antetokounmpo (1.48 pontos por posse de bola > «pick & roll, roll man»).

A eficácia das combinações após bloqueios diretos entre James Harden e Kevin Durant, pelos Nets, e Khris Middleton e Giannis Antetokounmpo, pelos Bucks, pode ajudar a encontrar o vencedor desta meia-final da conferência Este. A presença de "atiradores" para rodear os executantes do «pick & roll» também será determinante e, nesse departamento, Joe Harris e Landry Shamet, de um lado, e Bryn Forbes e Pat Connaughton, do outro, podem abrir espaços e funcionar como arma alternativa para resolver os ataques.

Ataque ganha jogos, mas...

Os Nets não têm problemas para marcar pontos, mas apresentaram a 8.ª pior eficiência defensiva da fase regular, entre as 30 equipas da liga. Nesta eliminatória, os Bucks vão explorar todos os «matchups» favoráveis, seja em contra-ataque ou em 5x5 em meio campo, seja no perímetro ou no jogo interior. Sem uma dependência excessiva de Antetokounmpo como aconteceu nos anos mais recentes, com «playmakers» como Holiday e Middleton a definir ritmos no ataque, e com a adição da versatilidade defensiva de Tucker e do próprio Holiday, os comandados por Mike Budenholzer são a equipa da NBA com mais ferramentas para explorar as debilidades dos Nets.

Ganhar um dos dois primeiros jogos em Brooklyn pode dar confiança extra aos Bucks e deixar os Nets, ainda sem um verdadeiro teste à química do balneário, sobre brasas para o resto da série. Um ditado do basquetebol diz que um bom ataque vende bilhetes e a defesa conquista campeonatos, mas a história mostra-nos que, na verdade, o segredo é o equilíbrio entre os desempenhos dos dois lados do campo. Os Bucks têm esse equilíbrio, mas os Nets são muito mais do que apenas "um bom ataque". Que comece a festa.

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