Quando, no início da temporada, afirmámos que havia mais motivos para seguir esta temporada para além dos Golden State Warriors e dos Cleveland Cavaliers e que, para além dos que enumerámos na altura, outros mais haveria, não imaginávamos que “ver os Portland Trail Blazers e os New Orleans Pelicans a lutar pelo terceiro lugar na conferência Oeste” fosse um deles.

Ainda mais recentemente, há apenas duas semanas, quando levantámos algumas das questões que queremos ver respondidas até junho, “Poderão os Pelicans e os Blazers terminar com vantagem-casa nos playoffs?” também não surgiu entre as nossas dúvidas mais prementes. E, no entanto, aqui estamos:

Portanto, ou somos péssimos adivinhadores ou os Blazers e os Pelicans estão a ultrapassar todas as expectativas. Não descartando a primeira, inclinamo-nos para a segunda hipótese. Porque nem os fãs mais optimistas de Damian Lillard e companhia esperariam vê-los, a um mês do início dos playoffs, no terceiro lugar do Oeste. Como também não esperariam os fãs mais confiantes da banda de Anthony Davis ver a mesma, após a lesão de DeMarcus Cousins, na primeira metade dos lugares de playoffs.

Mas, a um mês do início da segunda fase, é esse o cenário com que nos deparamos. As formações de Portland e New Orleans são, a seguir aos Houston Rockets (que vão com 17 vitórias seguidas), as duas equipas mais “on fire” da liga e vão numa série de, respectivamente, oito e dez triunfos consecutivos. Duas equipas unidas na surpresa da sua ascensão na tabela, mas separadas na forma como tal sucedeu.

Para os lados de Oregon, pode estar a correr melhor do que esperado, mas este era o plano e este o plantel com que o queriam executar. No final da temporada passada, juntaram ao seu duo dinâmico de bases o poste Jusuf Nurkic para ser a presença defensiva que lhes faltava.

O jogador bósnio deixou todos em Portland ansiosos pela época seguinte quando, em 20 jogos pelos Blazers, fez médias de 15.2 pontos, 10.4 ressaltos, 1.9 desarmes de lançamento e 1.3 roubos de bola (em 29 minutos de utilização por jogo) e colmatou os dois pontos mais fracos da equipa: defesa e uma opção ofensiva no interior.

Agora, depois de um início de temporada irregular e abaixo das expectativas, Nurkic está a regressar a esse nível que esperavam (e precisam) dele. Nos oito jogos desta série vitoriosa, a Besta Bósnia está com médias de 14.4 pontos, 9.9 ressaltos e 1 desarme (em 24 minutos). E tem providenciado aquela defesa que precisam para compensar as limitações de Damian Lillard e C.J. McCollum nesse particular.

E é na defesa que está o segredo deste desempenho. Depois de, em 2016-17, serem apenas a 24.ª defesa, com um rating defensivo (pontos sofridos por cada 100 posses de bola) de 110.8, esta época são a 5.ª melhor defesa, com um rating de 106.2. É uma melhoria de mais de 4 pontos. Para além de Nurkic, Al Farouq Aminu, Moe Harkless e Evan Turner também merecem crédito por esse salto. Um trio de extremos responsáveis pela defesa do perímetro mas que também ajudam no ataque e são as necessárias opções secundárias nessa metade do campo.

Ataque onde Damian Lillard, a estrela da companhia, está a fazer aquela que é, indiscutivelmente, a melhor temporada da sua carreira (está duas décimas abaixo do seu máximo de carreira em pontos, mas está com as melhores percentagens da carreira em lançamentos de 2 pontos, lançamentos de 3 e lançamentos livres). E está em modo “Lillard Time” desde o All Star. Nas oito vitórias da equipa desde a pausa festiva, estes foram os seus pontos: 44. 24. 40. 26. 35. 20. 39. 37. Uau. Com um mês para jogar, um Lillard a escaldar e uma defesa de topo, os Blazers estão em boa posição para segurar este terceiro lugar e assegurar vantagem-casa pelo menos na primeira ronda dos playoffs.

Já do outro lado dos Estados Unidos (sim, porque estas equipas são da mesma conferência, mas estão separadas por mais de 4.000 quilómetros), as coisas não aconteceram nada como planeado.

O plano original era tentar criar uma versão moderna das Torres Gémeas. Para quem tinha esse objectivo, algumas das escolhas na offseason podem ter sido discutíveis (cof… Rondo…cof), mas, apesar disso, o plano estava a começar a correr bem. Depois de alguns solavancos iniciais (normais e esperados, de resto), as peças estavam a começar a encaixar, Cousins e Davis estavam mais confortáveis a jogar lado a lado e a equipa estava firme na luta pelos playoffs. Seguiam com um recorde de 27-21, na 6.ª posição (um jogo atrás dos quintos Thunder).

Até que tudo mudou. 

No final de janeiro, DeMarcus Cousins rompeu o tendão de Aquiles e ficou de fora para o resto da temporada. E a temporada dos Pelicans parecia perdida. Só que Anthony Davis tinha outras ideias. O extremo-poste meteu a equipa às costas e começou a jogar como se a sua vida dependesse disso. Nos 16 jogos desde que Cousins se lesionou, Davis tem uns estratosféricos 33.1 pontos, 13.3 ressaltos, 2.1 assistências, 2.5 desarmes e 2.4 roubos de bola.

Quando se esperava que os Pelicans se afundassem, começaram a escalar. Davis é o maior responsável pela subida, mas não o está a fazer sozinho. Jrue Holiday também tem sido excecional, com médias de 25.1 pontos, 8.6 assistências e 4.8 ressaltos (com 52% nos lançamentos de 2pts e 43% nos de 3pts) nesta série de 10 vitórias em que a equipa se encontra.

A troca por Nikola Mirotic também ajudou, obviamente. Porque se em Portland já tinham poder de fogo ofensivo e precisavam de defesa, em New Orleans o cenário era o inverso. A defesa era boa, mas o ataque era sofrível e precisavam urgentemente de ajuda no perímetro. Mirotic ajuda nesse capítulo. Tal como têm ajudado E’Twaun Moore e Darius Miller. Este trio tem fornecido as necessárias ameaças no exterior e aberto o espaço para Davis operar no interior.

A jornada de ontem trouxe uma sombra de dúvida sobre este momento dos Pelicans. Anthony Davis saiu lesionado (com uma entorse no tornozelo) e não sabemos se irá perder alguma partida. Portanto, há essa questão a poder perturbar o destino dos Pelicans. Mas a lesão não pareceu grave e, mesmo que perca um jogo ou dois, Davis deverá retomar o seu contributo habitual. Por isso, as hipóteses dos Pelicans segurarem este lugar não parece hipotecada.

Uma equipa cujo plano A está a correr melhor do que esperado e outra cujo plano B está a correr às mil maravilhas. É claro que muito pode ainda mudar no próximo mês. Afinal, apenas quatro jogos separam o terceiro e o décimo da conferência, e esta prepara-se para ser uma corrida louca e imprevisível pelos playoffs. Mas, independentemente do desfecho, estas são duas equipas que vieram baralhar completamente a corrida pelos playoffs e (mais) duas equipas que estão a animar esta temporada. Como se precisássemos de mais razões para ficar acordados até de madrugada.

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