No início do julgamento, no Tribunal de Guimarães, Filipe Silva disse que, na altura, sentiu “medo”, face ao clima de tensão que rodeou o jogo disputado nesse dia entre o Vitória Sport Clube e o Sport Lisboa e Benfica.

Filipe Silva responde por dois crimes de ofensa à integridade física qualificada, além de dois crimes de falsificação de documento e dois crimes de denegação de justiça e prevaricação.

Em tribunal, o subcomissário alegou que um dos adeptos agredidos o injuriou, o terá cuspido e ofereceu resistência à ordem de detenção, pelo que teve necessidade de recorrer à força, usando primeiro um cassetete e depois um bastão extensível.

Disse ainda que foi agarrado “por trás” pelo pai daquele adepto, um “ataque” a que respondeu com dois murros.

“Agi da forma que foi possível naquele momento de grande tensão e de adrenalina. O nível de força que utilizei não ultrapassou os limites máximos das normas de execução permanente”, referiu.

A versão do arguido foi contrariada pelos dois agredidos, tendo o filho garantido que não injuriou nem cuspiu o subcomissário e que apenas gesticulou, face à situação complicada que se estaria a viver no interior do estádio, onde os adeptos do Benfica ficaram retidos no final do jogo, num dia de “extremo calor” e de “muita confusão”.

O pai negou igualmente que tivesse tocado ou agarrado Filipe Silva. “Vi o meu filho levar porrada de qualquer maneira e feitio, ia ajudar a ver se se ele se livrava daquilo e também levei”, descreveu.

O subcomissário da PSP Filipe Silva afirmou que o apoio dos adeptos do Vitória de Guimarães ao clube “é digno de um estudo académico”, sublinhando que eles são “mais violentos quando a situação descamba para a violência”. “É atípica e notória a ligação quase religiosa dos adeptos ao clube, ao estádio e à cidade”, referiu.

O arguido sublinhou que já fez policiamentos em vários estádios do país, incluindo Lisboa e Porto, mas “nada se assemelha” ao que acontece em Guimarães. “Os adeptos [do Vitória] são muito mais aguerridos e muito mais barristas do que noutros estádios, o que faz com que sejam mais violentos quando descamba para a violência”, referiu.

Filipe Silva tentava, desta forma, explicar as dificuldades acrescidas do policiamento no estádio do Vitória Sport Clube.

Os factos remontam a 17 de maio de 2015, logo após o final do jogo entre o Vitória Sport Club e o Sport Lisboa e Benfica, no exterior do Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães.

Segundo o despacho de pronúncia, Filipe Silva "desferiu bastonadas" num adepto do Benfica, atingindo-o ainda com uma joelhada nas costas.

Além disso, o arguido terá também agredido o pai daquele adepto com "dois socos no rosto".

Os incidentes foram filmados por uma câmara de televisão, imagens que vão ser utilizadas em tribunal como prova.

Para a acusação, o arguido, em ambos os casos, utilizou "de forma excessiva" os meios coercivos de que dispunha, "no âmbito dos poderes funcionais que lhe foram legalmente conferidos para o exercício da função policial".

Diz ainda a acusação que Filipe Silva agiu "com grave abuso de autoridade, valendo-se da posição superior de autoridade em que estava investido para consumar a agressão, bem sabendo da especial censurabilidade da sua conduta".

Os agredidos foram dois adeptos do Benfica, pai e filho, tendo os incidentes sido presenciados por dois menores, netos e filhos das vítimas, respetivamente.

A acusação considerou ainda indiciado que, posteriormente aos factos, o arguido elaborou um auto de notícia e um relatório com dados "que não correspondiam à verdade, assim pretendendo justificar a conduta em que incorrera".

No auto de notícia, o subcomissário escreveu que o adepto filho resistiu a uma ordem de detenção e lhe deu uma cuspidela, o ameaçou e o injuriou.

Disse ainda que só usou o bastão face à "elevada possibilidade" de ser agredido pelo adepto.

Escreveu também que o adepto pai o agarrou e o tentou manietar, uma situação de que alegadamente terão resultado escoriações num ombro e um rasgão no polo da farda.

Juntou fotos que a acusação considera não corresponderem à verdade, até porque no final do policiamento Filipe Silva teria o polo "intacto".

Hoje, em tribunal, o subcomissário disse que escreveu no auto de notícia aquilo que foi a sua “perceção” dos factos.

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