E assim se começa uma liga! Na semana passada alertei para o escaldante Arsenal-Liverpool logo a abrir, e a verdade é que a Premier League não desiludiu. Um jogo de loucos com 7 golos, reviravolta no marcador, incerteza no resultado e Philippe Coutinho a liderar o sonho dos adeptos dos Reds.

Foi no já longínquo ano de 1990 que o Liverpool venceu o seu último campeonato. A pressão acumulada, alguma falta de critério na aquisição de jogadores, escolhas duvidosas no que respeita ao treinador e relativa dificuldade em acompanhar as loucuras financeiras dos seus rivais têm levado os Reds a não conseguir quebrar o jejum, que já leva mais de 25 anos.

Contudo, um alemão com ar tresloucado chegou a Anfield no final do ano passado para tentar inverter esta tendência.

O fator Klopp

Quando questionado que alcunha daria a si mesmo, depois de José Mourinho se ter auto-intitulado “The Special One”, Jürgen Klopp, ex-treinador do Borussia Dortmund (onde, de resto, se sagrou bi-campeão alemão) fez questão de dizer que não passava de um “tipo normal” e, como tal, seria o “The Normal One”. Mas a verdade é que Klopp é tudo menos um treinador normal. Prova disso é o hábito de ir a pé para casa depois de alguns jogos, algo que não acontece sempre mas, confessou, ajuda-o a pensar e a refletir sobre como correu o jogo. Mesmo que todos os treinadores amem o que fazem a 100%, é possível afirmar que ninguém o fará com mais convicção do que o alemão. Na verdade, logo no primeiro jogo desta época foi possível assistir a um Liverpool com sede de vencer, dinâmico e espontâneo, e um Klopp a perder os óculos a festejar um golo (outra vez!).

Klopp é isto. E parece ser o homem certo para fazer despertar o gigante adormecido da cidade dos Beatles, com uma equipa construída à sua imagem e com jogadores que o seguem incondicionalmente e mostram, desde cedo, enorme ambição.

Aquisições cirúrgicas

A temporada passada foi de aprendizagem para o treinador alemão, chegado ao clube apenas em outubro de 2015, já com o campeonato a decorrer. Klopp teve oportunidade de sentir e experienciar aquilo que é a Premier League e, passados estes meses, a restruturação da equipa tem sido cirúrgica.

A capacidade do mago alemão para descobrir talento é, de resto, uma das suas maiores qualidades. Recorde-se que, já em Dortmund, Klopp recrutou craques como Gundogan (atualmente no Manchester City de Guardiola), ou Hummels e Lewandowski (desde esta época a atuar juntos com a camisola do Bayern de Munique) por um valor total a rondar os 20 milhões de euros, tendo o clube faturado perto de 100 milhões de euros com a venda destes ativos.

No que respeita a reforços para este ano, destaque imediato para Sadio Mané. A estrela senegalesa, que na época passada partilhou a ala direita do Southampton com Cédric Soares, chegou com o objetivo de desestabilizar as defesas adversárias e conta já com um golo do outro mundo marcado ao Arsenal, logo na primeira jornada.

A este junta-se Wijnaldum, médio holandês goleador (onze golos na época transata) que chegou do Newcastle, e Loris Karius, jovem guarda-redes alemão que atuava no Mainz 05.

Por último, referência a três nomes: Grujic, jovem médio sérvio de 20 anos de enorme potencial técnico; Klavan, experiente defesa-central estónio que atuou na época passada no Augsburgo; e Matip, jovem internacional camaronês com toda a sua formação feita na Alemanha, e que pode atuar como defesa central ou médio defensivo.

Estas aquisições, que se juntam a uma já sólida equipa, formam, muito provavelmente, o melhor Liverpool dos últimos anos.

Fora da Europa dá campeonato?

A última época em que não competiu nas competições europeias foi também aquela em que o Liverpool mais perto esteve do título. Este ano, igualmente fora da Europa, Klopp e companhia procuram encontrar na consistência da sua linha defensiva e no instinto goleador de Daniel Sturridge (que, espera-se, não sofra recaídas das lesões que o apoquentaram nas últimas temporadas) os ingredientes necessários para se tornarem sérios candidatos ao título.

A segunda jornada arranca já hoje, dia 19, com os campeões europeus Cédric e José Fonte do Southampton a visitarem Old Trafford, casa do Manchester United de José Mourinho. Sábado, as atenções estão centradas no Arsenal de Arsène Wenger, que se desloca a casa do campeão Leicester – será este o início do fim para o treinador francês?

Quanto ao Liverpool – com um início de campeonato atípico em que o primeiro jogo em casa acontece apenas à 4.ª jornada, e logo com o campeão em título –, visita o recém-promovido Burnley na esperança de manter uma senda vitoriosa que alimente a sede de títulos do gigante adormecido.

Pedro Carreira é um jovem treinador de futebol que escolheu a terra de sua majestade, Sir. Bobby Robson, para desenvolver as suas qualidades como treinador. Neste momento a representar a academia do Luton Town, o Pedro deseja fazer aquilo que nenhum outro treinador português fez, ir do 4º escalão das Ligas Inglesas até ao estrelato da Premier League. Até lá, podemos sempre ir lendo as suas crónicas.

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