Há seis dia o Watford fez o que começa a ser corriqueiro fazer quando se arranca menos bem o campeonato, despediu o elo mais fraco: o treinador. Neste caso a ‘vítima’ foi Javi Gracia. O espanhol de 49 anos foi a escolha do clube da cidade a norte de Londres para substituir Marco Silva em janeiro de 2018 e enfrentar o que restava da época de 2018/19. O resultado foi impressionante, o Watford melhorou a olhos vistos e terminou mesmo a época em décimo primeiro lugar. Mas como a época passada já lá vai e hoje as contas são outras, o tempo de Javi Gracia chega assim ao fim. Um empate, três derrotas e o último lugar da tabela classificativa foram motivos mais que suficientes para o Watford apressar a substituição do técnico que ocupava o lugar há pouco menos de dezoito meses.

O novo-velho técnico

O escolhido para abraçar o comando técnico dos Hornets foi Quique Flores. O também técnico espanhol já não é novidade para os adeptos do clube e para a Premier League. A passagem de Quique Flores pelo Watford foi curta, mas convincente, com um estável décimo terceiro lugar apenas a três pontos do décimo primeiro na época 2015/16. Tendo em conta que esta foi a época de regresso do Watford à Premier League, mais não se poderia exigir ao treinador e à equipa. Com o tempo poderemos ficar a saber se esta foi ou não uma decisão apressada ou se foi mesmo a decisão acertada.

Em nota de curiosidade: Quique Flores é assim o sexto treinador na Premier League a regressar a um clube que já havia treinado. O técnico espanhol encontra-se agora na companhia de Steve Coppell (Crystal Palace), Howard Kendall (Everton), Kevin Keegan (Newcastle), Harry Redknapp (Portsmouth), e claro, José Mourinho (Chelsea).

Os últimos primeiros dez despedimentos da Premier League

Se tivermos em conta as ultimas dez edições da Premier League, o que aconteceu às equipas que, em cada época, decidiram ser os primeiros a despedir o treinador?

O rácio é extremamente positivo a favor do despedimento. Em dez casos, oito equipas terminaram numa posição acima na tabela, uma delas acabou pior classificada após o despedimento e uma outra, na mesma posição. A média de melhorias na tabela é de 3,8 lugares, o que, mesmo em caso de uma equipa estar em último lugar, “assegura” estatisticamente a manutenção.

Como casos mais marcantes temos Frank De Boer, que há apenas duas épocas, em 2017/18, tinha um recorde de 5 jogos e zero golos marcados. De último classificado e quase dado como relegado, mesmo sendo tão cedo na temporada, o Crystal Palace, com a ajuda do experiente Roy Hodgson, acabou por alcançar um brilhante décimo primeiro lugar. 

De entre equipas a saírem das zonas de despromoção após terem sido as primeiras a despedir os seus técnicos temos ainda o Swansea de 2016/17 substituindo Francesco Guidolin (17.º) por Bob Bradley (15.º), o Sunderland de 2015/16 que despediu Dick Advocaat (19.º) e contratou Sam Allardyce (17.º), o Crystal Palace 2014/15 que começou a época com Neil Warnock (18.º) e terminou-a com Alan Pardew (10.º) e por fim o Sunderland 2013/14 do controverso Paolo Di Canio (20.º) substituído, após conquistar apenas  um ponto em cinco jogos, por Gus Poyet (14.º), que consegui uma excelente série de resultados na reta final do campeonato com quatro vitórias nos últimos cinco jogos.

créditos: EPA/Nigel Roddis

Se a estatística aponta para o despedimento, há sempre uma exceção. Na época passada, 2018/19, o Fulham de Slavisa Jokanovic passou de um vigésimo lugar a apenas um décimo nono lugar. Tendo contratado Claudio Ranieri, que seria despedido apenas três meses e meio depois, sendo o Fulham relegado para a Championship no final da temporada. Apesar da melhoria na tabela, esta não seria, ainda assim, suficiente.

Depois do primeiro, quem se seguirá?

Já que estamos na vertente de probabilidades e estatísticas, viajemos ao mundo das apostas e vejamos que pensam os corretores quanto ao próximo treinador a abandonar o cargo.

Temos tendência a pensar que os clubes a passar mais dificuldades na tabela serão aqueles cujos treinadores estarão em maior risco de despedimento, mas, ao que parece, e tendo em conta as ‘odds’ atuais, não é esse o caso. Vejamos:

Empatados em primeiro lugar estão três treinadores cujas ‘odds’ dão seis libras por cada libra apostada (6/1). São eles Steve Bruce do Newcastle United, Ole Gunnar Solskjaer do Manchester United e, para surpresa da esmagadora maioria dos leitores, presumo eu, Mauricio Pochettino do Tottenham Hotspur. Seguem-se Frank Lampard e Marco Silva, com ‘odds’ de respetivamente 8/1 e 12/1. Com catorze libras para cada libra apostada estão o actual décimo terceiro classificado, Ralph Hasenhuttl do Southampton, e Daniel Farke do Norwich, o único da lista que se encontra na zona de despromoção. Por último com ‘odds’ de 16/1, está Graham Potter do Brighton que se encontra apenas no décimo sexto lugar, a um ponto da linha de água, e o até agora surpreendente Roy Hodgson que se encontra num extraordinário quarto lugar da tabela classificativa.

Se pensarmos que Frank Lampard tem não só uma tarefa muito difícil, como está sujeito à instabilidade da direção do clube, este é para mim, de entre todos os mencionados acima, o que terá mais possibilidades de ser o segundo treinador da Premier League a deixar o comando técnico da sua equipa esta época. Mais uma vez, só o tempo e os resultados o dirão.

Esta semana na Premier League

Sem jogos ditos “grandes” no regresso da Liga inglesa, o destaque vai para o Wolves na sua receção ao Chelsea de Frank Lampard. Não parecendo encontrar-se na forma a que nos habituou nas duas últimas temporadas, o Wolves é ainda assim um adversário terrível, principalmente para os grandes clubes ingleses. Com um extraordinário recorde frente a equipas da parte superior da tabela, a equipa de Nuno Espírito Santo tudo fará para parar mais um colosso inglês e começar, finalmente, a amealhar pontos. Com arranque marcado para as 15h de sábado, dia 14, este é o grande jogo da jornada da liga mais competitiva do mundo.

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