Passaram-se seis anos desde a última final de Grand Slam entre aqueles que são considerados os maiores tenistas da história, Roger Federer e Rafael Nadal. Hoje, em Melbourne, na Austrália, o suíço e o espanhol voltaram a estar juntos no mesmo court, na mesma final, perante um recinto cheio de adeptos sequiosos de matar saudades e também de poderem dizer que assistiram a uma partida que ficará na história. Federer venceu e aumentou para 18 o recorde de vitórias em Grand Slams. Se Nadal tivesse ganho, levaria a 15ª taça para casa e se tornaria o primeiro jogador a vencer pelo menos duas vezes os quatro torneios mais importantes da história, reabrindo o debate de quem é o melhor jogador da história.

Federer venceu - e chorou. Nadal perdeu - mas aplaudiu. E elogiou o "extraordinário" regresso à prova do adversário - "ele mereceu mais do que eu", disse. Mas vai continuar a lutar, garantiu, pela troféu do Open da Austrália e não pelo "prato" do 2º lugar ("é giro, mas prefiro o outro"). Provavelmente também animado por que sabe que, caso tudo lhe corra de feição, tem a vantagem de cinco anos que a idade lhe dá para bater mais recordes. "See you next year!", rematou sorrindo.

E as primeiras palavras de Federer foram também para Nadal "pelo extraordinário combate" e para a improbabilidade que esta final tinha há apenas alguns meses, quando ambos estavam lesionados e afastados das grandes provas."Teria ficado feliz na mesma se tivesse perdido", disse.Tal como Nadal, mais do que Nadal eventualmente porque ganhou, Federer apresentou-se com um sorriso rasgado, emocionado e grato. E também terminou a dizer que esperava ver todos no próximo ano.

Provavelmente, isto ainda não tenha acabado entre os dois.

Além de serem os dois grandes nomes dos últimos dez anos do ténis mundial, Federer e Nadal alimentaram esta saudade com a ausência dos courts nos últimos meses, ambos com lesões que os impediram de disputar as principais provas - ou de as disputar no pleno das suas capacidades. O que tornou a final em Melbourne do Open da Austrália ainda mais inimaginável. A última vez que os dois disputaram um torneio de Grand Slam foi em Roland Garros 2011. Nadal venceu em quatro.

Federer chegou a Melbourne, onde venceu quatro do seus 17 títulos de Grand Slam (em 2004, 2006, 2007 e 2010), muito perto do final da sua carreira. Tem 35 anos - Nadal tem 30 - e apesar a longevidade que já demonstrou na modalidade, este ano e o próximo serão, quase garantidamente, os seus últimos na grande competição.

Nadal, de regresso às grandes provas, venceu na Austrália uma vez apenas, em 2009, e também dedicou o fim da última temporada a recuperar-se de um problema no pulso, uma lesão que o obrigou a desistir do último Roland Garros.

Nadal e Federer e a história que já escreveram no ténis

Rafael Nadal e Roger Federer já viveram todos os tipos de situação. Desde a vitória tranquila do suíço em Wimbledon-2006 até aos triunfos sem grande graça do espanhol em Roland Garros, passando pelas partidas épicas das finais de Wimbledon em 2007 e 2008: o suíço venceu a primeira e o espanhol a segunda, que é considerada por muitos a melhor partida da história.

Nadal, ou Rafa como é conhecido, regressou a uma final de Grand Slam depois de dois anos e meio do último título, em Roland Garros. Federer, por seu lado, não vivia a  emoção de um Grand Slam há quatro anos e meio, desde o título de Wimbledon 2012. Ambos - Rafa e Roger - são os tenistas que mais vezes se enfrentaram em decisões dos maiores torneios.

No confronto geral em finais de Grand Slam, até hoje, Nadal tinha vencido seis vezes e Roger duas. Contando todos os jogos entre eles, Nadal tem a vantagem de 23-11. Com a vitória de hoje no Open da Austrália, Federer reduz a diferença.

A última vez que os dois se tinham defrontado tinha sido em 2015, no Torneio da Basileia. O factor casa fez valer o seu peso psicológico e Federer ganhou. Em Outubro estiveram também juntos e acabaram a trocar bolas como duas crianças de seis anos. Foi na inauguração da academia de ténis de Rafael Nadal e o seu grande adversário foi o convidado de honra. Ambos lesionados, não puderam brindar os presentes com uma partida de ténis a valer. Mas não deixaram de mostrar que, mesmo com pulso e joelho a não colaborarem, o ténis é, antes de tudo, uma paixão.

Hoje, muitos consideravam Nadal favorito, mas a verdade é que, nas contas do torneio, Federer entrou em campo em vantagem, pelo menos a avaliar pelo indicador cansaço que penalizava o espanhol.  Em Melbourne, o suíço ficou 13h40 em campo e jogou a semifinal na quinta-feira. O espanhol esteve em campo durante 18h59 e na semifinal de sexta-feira enfrentou uma maratona de 4h57 contra o búlgaro Grigor Dimitrov.

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