FC Porto, Sporting CP, FC Barcelona ou Reus Deportiu, uma destas quatro formações será coroada no próximo domingo campeã da Europa de hóquei em patins. Todas sabem o que é vencer esta competição, com o Reus a ter conquistado o título na temporada passada depois de ter deixado pelo caminho todas as quatro representantes portuguesas em competição (Sporting na fase de grupos, Porto nos quartos-de-final, Benfica nas meias finais e Oliveirense na final), naquela que foi a oitava Liga Europeia no palmares do clube catalão, cimentando o seu lugar como a segunda equipa mais titulada da prova, apenas atrás do poderoso Barcelona, que já levantou o troféu por umas impressionantes 21 vezes.

Quanto aos dois conjuntos que representam Portugal nesta final four, o Sporting foi o primeiro clube português a levantar o troféu na já longínqua época de 1976-77, tendo terminado com um reinado de equipas catalãs que venceram as 11 edições anteriores.

Numa época de ouro para a equipa de Alvalade, que venceu todas as competições em que participou nessa temporada, a turma do Sporting, treinada por Torcato Ferreira, nome incontornável da história da modalidade, apresentava-se com o mesmo cinco inicial que haveria de conquistar o Campeonato da Europa de seleções por Portugal no mesmo ano (1977), composto por António Ramalhete, Júlio Rendeiro, Sobrinho, Chana e António Livramento. Esta acabaria por ser a primeira e, até à data, única conquista dos leões nesta competição.

Depois dos leões vieram os dragões, após uma forte hegemonia do Barcelona com 8 títulos consecutivos, entre 1977-78 e 1984-85, o FC Porto voltou a trazer a taça para território português em 1985-86. Depois de eliminar o favorito Barcelona nas meias finais — vingando assim a final do ano anterior que os azuis e brancos perderam diante dos blaugrana por apenas 1 golo—, os portistas derrotaram os italianos do Novara nas duas mãos da final, superiorizando-se aos transalpinos por 5-3 e 7-5, conquistando pela primeira vez na sua história o mais cobiçado troféu do hóquei europeu.

Uma taça de 1985-86 que não ficaria sozinha no museu portista por muito tempo já que em 1989-90 o Porto voltaria a vencer a Liga Europeia, desta feita batendo os catalães do Noia na final. Ainda assim, e apesar do FC Porto ser, a par do Benfica, a equipa portuguesa mais titulada da competição, o Porto é a equipa com mais finais perdidas na história da Liga Europeia: foram 9 as vezes que os portistas foram finalistas vencidos, 10 se considerarmos a edição de 2005-06 que foi excepcionalmente disputada num formato de final four, mas em que os quatro emblemas presentes se defrontaram entre si em três jornadas, e em que os dragões terminaram na 2ª posição — depois de baterem os espanhóis do Noia e do Reus foram derrotados pela equipa que venceria essa edição, o Follonica.

2017-18: Nova final ibérica à vista

À entrada para o fim de semana decisivo um dado é já adquirido: a final será disputada entre um clube português e outro espanhol, e será a 21ª vez que tal sucederá. Uma final ibérica é quase uma certeza desde o final da fase de grupos, uma vez que todos os quatro representantes portugueses em prova ocuparam as quatro vagas na metade inferior do quadro dos quartos-de-final, tendo na metade superior ficado os três representantes espanhóis e o “intruso” Follonica, que não só era, na teoria, a equipa mais frágil ainda em competição, como teria pela frente nos quartos o poderoso Barcelona.

O Barcelona acabou mesmo por confirmar todo o favoritismo frente ao Follonica, deixando assim o único emblema italiano a passar a fase de grupos pelo caminho, e confirmando a já esperada final ibérica.

A turma blaugrana chega a esta fase com o melhor registo defensivo da prova, com apenas 10 golos sofridos nos 8 jogos já disputados, um número que só por si é impressionante mas que é mais extraordinário se olharmos aos adversários que o Barcelona teve de ultrapassar para chegar à final four: para além do Follonica, que conta com o segundo melhor marcador da Liga Europeia esta época, o argentino Lucas Martinez, os catalães bateram na fase grupos o Benfica e os italianos do Forte Dei Marmi, para lá do modesto Montreux da Suíça. Nenhum destes três conjuntos conseguiu superar a barreira defensiva que Edu Castro, técnico do Barcelona, apresentou nos jogos no Palau Blaugrana, tendo os culés vencido portugueses e italianos por 2-0 e suiços por 3-0, nos realizados no seu terreno.

Nas meias-finais o Barcelona esperava por um velho conhecido da OK Liga, Liceo e Reus protagonizaram uma eliminatória animada e que culminou numa grande remontada por parte da turma catalã. Depois de perder a 1ª mão na Galiza por 4-1, o Reus vergou o Liceo por 7-2 no seu pavilhão, garantindo assim passaporte para nova final four. Antes, na fase de grupos, o actual campeão da Europa ultrapassou Oliveirense, que se apurou na segunda posição do grupo, e os italianos do Viareggio, equipa onde milita Reinaldo Ventura, tendo apenas consentido um empate nos seis jogos disputados nesta fase.

Será uma meia-final 100% espanhola para abrir o fim-de-semana, de um lado o Barcelona vindo da conquista do penta campeonato no passado domingo, o 29º título de campeão espanhol em 49 edições da OK Liga, e que pretende juntar esta Liga Europeia aos troféus já conquistados do campeonato, taça e supertaça. Do outro lado está um Reus que tudo fará para voltar a vencer a principal prova de clubes do Velho Continente.

Será o quinto embate entre os dois clubes nesta temporada e o saldo é claramente favorável ao Barcelona com três vitórias (por esclarecedores 6-0 para o campeonato, por 5-2 nas meias finais da supertaça, e por 3-1 nas meias-finais da taça, estas duas também em campo neutro). O melhor que o Reus conseguiu foi uma magra vitória por 3-2 na recepção ao Barcelona para o campeonato.

Os jogadores do Sporting festejam a marcação de golo contra a Oliveirense, durante o jogo a contar para a Liga Europeia de Hóquei em Patins, na 2.ª mão dos quartos de final, disputado no Pavilhão João Rocha, em Lisboa, 07 de abril de 2018. créditos: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Na segunda meia-final temos então um embate 100% português entre duas das três equipas que estão ainda na luta pelo título de campeão nacional. O FC Porto parte com ligeiro favoritismo, não só para o jogo frente ao Sporting mas também para a própria final four, uma vez que se apresenta como equipa anfitriã, e a última derrota caseira dos dragões data de 2 de abril de 2016, dia em que a Oliveirense derrotou os dragões por 3-4, num jogo a contar para os quartos-de-final da Liga Europeia.

Esta temporada o Porto tem sido a equipa goleadora da Liga Europeia com 61 golos marcados em 8 jogos, para este registo muito contribuíram os 15 golos de Gonçalo Alves, melhor marcador da prova. Inserido num grupo relativamente acessível, com Follonica, Vic e La Vendéenne, grupo que os dragões acabaram por passar com distinção cedendo apenas um empate, o grande momento dos portistas nesta edição da prova rainha do hóquei europeu surgiu nos quartos-de-final, mais precisamente no jogo da 2ª mão.

A turma de Guillem Cabestany foi protagonista da eliminatória com números mais desequilibrados dos quartos, após uma derrota pela margem mínima no Pavilhão da Luz por 3-2, o FC Porto dizimou o rival encarnado no Dragão Caixa por impensáveis 9-2.

Numa entrada em rinque brilhante da equipa azul e branca que aos três minutos já estava na frente da eliminatória, e aos dez já vencia por contundentes 5-0. Um jogo que não só permitiu ao Porto carimbar o acesso à fase final da Liga Europeia, como deixou de fora outro dos principais pretendentes à vitória final.

O jogadores do FC Porto, Hélder Nunes e Reinaldo Garcia (D), festejam o segundo golo marcado ao Benfica, durante o jogo de hóquei em patins nos Quartos de Final, 2ª mão, da Liga Europeia, disputado no Pavilhão Caixa, no Porto. 7 de abril de 2018. créditos: FERNANDO VELUDO/LUSA

O adversário do Porto nas meias-finais será o Sporting, equipa que em 2017-18 voltou à fase das decisões, não só no campeonato como na Liga Europeia. Inserido num grupo onde a passagem estava longe de estar garantida, os leões rubricaram excelentes exibições frente a Liceo e frente ao campeão italiano Amatori Lodi, que acabou por ser eliminado nesta fase.

O Sporting acabaria mesmo por vencer este difícil grupo, depois de uma sensacional vitória na última jornada frente aos espanhóis do Liceo em jogo realizado no Pavilhão João Rocha, que terminou com a vitória dos visitados por 5-3 após a equipa que viajou da Galiza ter estado no comando por 0-3.

Nos quartos-de-final os verde brancos bateram a Oliveirense com duas vitórias pelo mesmo resultado, 3-2, que valeram um bilhete para a final four desta Liga Europeia, agora nas meias a equipa de Paulo Freitas tentará o regresso à final, onde não marca presença desde a temporada 1988-89.

Esta segunda meia-final promete ser emocionante, será o terceiro encontro esta época entre ambos os conjuntos, sendo que nos dois anteriores equilíbrio foi palavra de ordem. O FC Porto bateu o Sporting por escassos 2-1 no palco que agora se prepara para receber a final four, num jogo a contar para o campeonato. No João Rocha, mas para o oitavos de final da Taça de Portugal, o Porto superiorizou-se mas apenas no desempate por grandes penalidade, após um empate a três bolas no final dos 50 minutos regulamentares, e de novo empate a cinco no final do prolongamento.

Será um fim de semana onde o bom hóquei em patins estará em destaque no Dragão Caixa, com três jogos entre quatro das melhores equipas do planeta. E todas elas com argumentos mais que suficientes para levantar o desejado troféu.

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