Em 2018, Jesus aceitou o seu primeiro trabalho fora de Portugal para comandar o Al Hilal, da Arábia Saudita, durante um ano e meio. Após seis meses sem equipa, aceitou o desafio de dirigir o Flamengo em meados deste ano. A chegada de um técnico estrangeiro ao fechado futebol brasileiro gerou desconfiança.

Jorge Jesus, porém, não precisou de muito tempo para conquistar os jogadores e os adeptos da rubro-negra. Com um futebol ofensivo, rápido e de muita intensidade, o Flamengo superou-se, conquistando a liderança ao Palmeiras e encadeando uma temporada inteira sem perder no Campeonato Brasileiro.

"Parece-me que [Jorge Jesus] chegou ao Brasil sem nenhum medo de assumir riscos, porque a metodologia dele de trabalho e a forma como ele arma taticamente a equipa, com uma intensidade de jogo muito alta, com a linha defensiva a jogar adiantada, com uma pressão no adversário muito forte pela retoma da bola, no momento atual do futebol brasileiro, são comportamentos muito contraculturais", disse à AFP Carlos Eduardo Mansur, colunista de O Globo.

Outros aspectos introduzidos no Flamengo pelo 'Mister', como é carinhosamente chamado, são uma maior intensidade nos treinos e ter acabado com o famoso rodízio usado por muitas equipas brasileiras — estas costumam poupar os seus jogadores titulares várias vezes na temporada alegando a preservação dos atletas devido ao calendário preenchido e às grandes distâncias percorridas no Brasil.

Referências

No momento de orientar as suas equipas, Jorge Jesus tem duas referências: o Milan de Arrigo Sachi, da década de 1980, pela sua tática; e o Barcelona de Johan Cruyff dos anos 1990, pelo seu futebol ofensivo e vistoso.

Com um 4-1-3-2 como esquema favorito, Jesus conseguiu tirar o melhor dos seus jogadores, principalmente dos atacantes Gabriel Barbosa, o 'Gabigol', e Bruno Henrique, ponta de lança e segundo melhor marcador do Campeonato Brasileiro. Ambos se tornaram as duas referências da equipa e tiveram ótimas atuações pelo Flamengo, premiadas com convocações para a seleção brasileira.

Gérson, o maestro do meio de campo rubro-negro, Willian Arão, que passou de vilão a herói para os adeptos, e Vitinho, uma ótima opção saída do banco, também cresceram sob o comando do português.

Podendo contar com força máxima na final da Libertadores contra o River Plate, neste sábado em Lima, Jesus tentará agora tornar-se o segundo técnico europeu a conquistar a competição continental, após o croata Mirko Jozic (Colo Colo, 1991), e o segundo treinador estrangeiro a vencer o Brasileirão, feito que somente o argentino Carlos Volante conseguiu em 1959 com o Bahia.

*Pau Ramirez/AFP

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