Em comunicado de imprensa, os delegados paranaenses alegam que o antigo chefe de Estado brasileiro deve ser transferido para uma unidade das Forças Armadas, que ofereça condições de segurança e não traga “transtornos e riscos à população e aos funcionários da Polícia Federal que trabalham no local”.

“A medida mais acertada seria a transferência imediata do ex-Presidente para uma unidade das Forças Armadas, que possua efetivo e estrutura à altura dos riscos envolvidos”, lê-se no comunicado.

Lula da Silva começou a cumprir uma pena de doze anos e um mês de prisão no passado sábado, na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, após ser condenado em duas instâncias por ter supostamente recebido um apartamento de luxo como suborno da construtora OAS.

A associação sindical de delegados argumentou que o local em que se encontra Lula da Silva é inadequado porque lá acontecem atendimentos ao público, designadamente a emissão de passaportes e certidões de antecedentes criminais, e que as pessoas que frequentam estas instalações precisam de segurança.

“Há comprovados riscos à população que reside no entorno do prédio da Polícia Federal, aos polícias e demais integrantes do sistema de segurança pública que moram nas imediações da Sede da Polícia Federal, ao passo que os alguns invasores [apoiantes de Lula da Silva], que já se instalaram com barracas e determinada estrutura, estão promovendo ações no sentido de intimidar estas pessoas”, alegou o sindicato.

Por questões de segurança a polícia brasileira determinou o bloqueio do local, facto que, segundo o sindicato, causou “graves inconvenientes e atrasos nos atendimentos e ações policiais”.

O comunicado concluiu afirmando que a “superintendência Regional da Polícia Federal no Estado do Paraná não é, sob nenhum aspecto, local apropriado para o cumprimento de sentença penal condenatória, por questões alusivas à segurança da população e à ordem pública, devendo, na opinião do Sindicato dos Delegados da Polícia Federal, o Réu condenado Luiz Inácio Lula da Silva ser imediatamente transferido”.

Na madrugada da última quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil negou um ‘habeas corpus’ apresentado pela defesa de Lula da Silva, que visava evitar a sua prisão antes de se esgotarem os recursos na Justiça.

Na sequência da decisão do STF, o juiz federal Sérgio Moro decretou a prisão e deu como prazo a tarde de sexta-feira para o ex-Presidente brasileiro se apresentar voluntariamente na Polícia Federal em Curitiba.

No sábado, quase 26 horas depois do prazo dado pelo magistrado, Lula da Silva saiu a pé, rodeado de seguranças, do Sindicato dos Metalúrgicos onde se encontrava desde quinta-feira, em São Bernardo do Campo, no Estado de São Paulo, para se entregar à Polícia Federal (PF).

Luiz Inácio Lula da Silva, 72 anos, foi o 35.º Presidente do Brasil (2003-2011) e é o primeiro ex-chefe de Estado condenado por um crime comum.