Os 'dragões', que apenas jogam no domingo, em casa frente ao Feirense, têm quatro pontos de avanço sobre os dois rivais de Lisboa, que apenas podem somar mais três.

Na luta pela segundo lugar e com um encontro por jogar, o Sporting, que dá acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões, passou a ter vantagem no confronto direto em relação ao Benfica.

Os ‘dragões’ tinham vantagem no confronto direto com 'águias' e 'leões', e acabaram mesmo por garantir o título antes de entrarem em campo no próximo domingo, amanhã, frente ao Feirense.

Na antevisão ao jogo da penúltima jornada, Sérgio Conceição tinha desvalorizado esta possibilidade, tendo salientado que "ninguém é campeão no sofá", valorizando, no entanto, o desempenho da equipa 'azul e branca' ao longo de toda a prova.

"Quero é ser campeão. Para mim, ninguém é campeão no sofá, somos campeões no sofá porque conseguimos no campo os pontos que nos permitem ser campeões”, afirmou.

Mas a verdade é que o foi, conquistando o título nacional com 82 pontos.

Após o ‘milagre’ de Kelvin, em 2012/13, desta vez foi o mexicano Herrera que — com um golo no Estádio da Luz, aos 90 minutos — lançou os ‘dragões’ para um título que acabou com a maior ‘seca’ dos portistas desde o início dos anos 80 (1979/80 a 83/84).

Um dos grandes obreiros do título, na opinião dos adeptos e do próprio presidente portista, é treinador 'azul e branco' Sérgio Conceição, que chegou no início da época proveniente dos franceses do Nantes.

"Estou feliz hoje, mas estarei ainda mais em maio, com a conquista de títulos"

"Estou feliz hoje, mas estarei ainda mais em maio, com a conquista de títulos. Obrigado aos que acreditaram em mim e aos que não acreditam, a melhor forma de responder é com resultados. Tenho consciência do que quer este clube, estar ao melhor nível, e o melhor nível é conquistar títulos", referiu Sérgio Conceição durante a oficialização da sua contratação, em junho do ano passado.

Logo nesse dia não se inibiu em dizer qual seriam os processos para trabalhar a equipa. E que lhe valeriam o título, hoje alcançado e que deixou os adeptos num autêntico rejubilo esta noite. Tal como tinha prometido.

"Temos de ser exigentes, rigorosos, disciplinados no nosso dia a dia, para no fim dar a todos os portistas a alegria de conquistar títulos. Foi por isso que aceitei o desafio, não foi fácil, mas foi com enorme alegria e amor ao clube que vim e estou convencido de que vou conseguir em maio estar feliz e os portistas estarem felizes", disse.

Marega, o ‘patinho feio’ que se tornou 'estrela'

Contratado ao Marítimo a meio da temporada 2015/16, Marega não se conseguiu impor nos ‘dragões’ e, após um golo em 13 jogos na segunda metade da temporada, foi emprestado ao Vitória de Guimarães, onde faz um excelente arranque de 2016/17, com 10 golos até ao final de outubro, acabando depois por quebrar.

Com a chegada de Sérgio Conceição, o maliano é chamado de volta ao Dragão, mas falhou o estágio, começando a trabalhar mais tarde do que o resto do plantel, o que deixava em risco a sua permanência na equipa.

Contudo, Marega tem um impacto quase imediato e bisa logo na primeira jornada frente ao Estoril Praia (4-0), naqueles que foram os primeiros dois dos 21 golos que marcou no campeonato.

A sua explosividade ajudou, e muito, à forma de jogar de Sérgio Conceição, dando-lhe possibilidade de manter o maliano no ‘onze’ em vários esquemas táticos, tanto como segundo avançado, como extremo.

Até pode ser coincidência, mas a verdade é que as três derrotas internas do FC Porto esta temporada – duas na I Liga e uma na Taça de Portugal – aconteceram sem Marega em campo, com o maliano a regressar à competição, após lesão, no encontro em que os ‘dragões’ regressaram definitivamente à liderança, frente ao Benfica (vitória por 1-0 na Luz).

créditos: JOSE SENA GOULAO/LUSA

Marega acaba por ser o exemplo máximo da política de transferências dos ‘dragões’ esta temporada, com o aproveitamento de vários jogadores que estavam emprestados e que acabaram por se revelar decisivos.

Além do maliano, também o camaronês Vincent Aboubakar, o lateral Ricardo Pereira ou o médio Sérgio Conceição foram resgatados e acabaram por ter papel preponderante na caminhada dos ‘azuis e brancos’ para o título.

Se Marega acaba por ser a figura maior da época dos ‘dragões’, muitos outros jogadores se mostraram fundamentais, com o lateral Alex Telles, até mais pela sua capacidade ofensiva, a revelar-se também fundamental.

Até se lesionar, Danilo foi o pêndulo do meio-campo portista, abrindo, com a sua lesão, as portas ao mexicano Herrera, para se assumir como um verdadeiro capitão no meio campo.

Depois de ter sido criticado por um erro no clássico com o Benfica, que afastou os ‘dragões’ do título da época passada, o médio mexicano foi este ano decisivo, pelas suas exibições muito mais seguras do que em anos anteriores, mas também pelo golo que marcou na Luz e que abriu as portas do campeonato.

Mesmo que, por vezes, abuse no individualismo, o argelino Yacine Brahimi, o mais tecnicista dos ‘azuis e brancos’, foi muitas vezes importante no desbloquear de encontros mais fechados.

Maxi era o único que já tinha sido campeão em Portugal

O futebolista uruguaio Maxi Pereira é o único jogador utilizado do plantel do FC Porto que já sabia o que era ser campeão em Portugal, depois de três títulos ao serviço do rival Benfica.

Além do lateral, no atual plantel dos ‘dragões’, que hoje se sagraram campeões, apenas o guarda-redes Fabiano, quarta opção para a posição e que ainda não foi utilizado, pode repetir um título em Portugal, depois de ter sido campeão em 2012/13, ao jogar 16 minutos ao longo de toda a época.

A nível interno, Maxi Pereira é o jogador dos ‘dragões’ com melhor palmarés, todo conquistado nos oito anos ao serviço do Benfica, somando três Ligas, uma Taça de Portugal, seis Taças da Liga e um Supertaça, além de uma Copa América ao serviço do Uruguai.

Contudo, o ‘rei’ dos títulos nos ‘dragões’ é o guarda-redes espanhol Iker Casillas, que se sagrou pela primeira vez campeão em Portugal, depois de muitos anos com a camisola do Real Madrid. Nos ‘merengues’ conquistou cinco ligas espanholas, duas Taças do Rei, duas Supertaças espanholas, três Ligas dos Campeões, duas Supertaças Europeias, uma Taça Intercontinental e um Mundial de Clubes, sendo ainda titular na seleção espanhola que venceu um Mundial e dois Europeus.

Maxi Pereira
créditos: MARIO CRUZ/LUSA

No polo oposto estão nove jogadores que ainda não tinham vencido qualquer título de primeiro nível, embora alguns tenham vencido a II Liga ou campeonatos regionais no Brasil.

José Sá, Brahimi e Marega são os nomes mais sonantes deste lote de futebolista sem qualquer título até hoje, aos quais se juntam Soares, Otávio, Diogo Dalot, Paulinho, Waris e Vaná, que tal como Fabiano ainda não somou qualquer minuto.

O campeão europeu Danilo Pereira também ainda não tinha vencido qualquer título num clube, enquanto Ricardo Pereira e André André apenas haviam conquistado uma Taça de Portugal, ao serviço do Vitória de Guimarães.

O duo do meio-campo ‘azul e branco’ nos últimos jogos, após a lesão de Danilo, também ainda estava em ‘branco’ ao nível de campeonatos, com o mexicano Herrera a ter uma Gold Cup e uns Jogos Olímpicos no currículo e com o português Sérgio Oliveira a ter participado na conquista da Taça pelo FC Porto em 2009/10.

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