Moscovo. Capital da Rússia. Aterrámos (ontem) vindos de Sochi. Apanhámos o Aeroexpress, o comboio expresso que liga o aeroporto Domodedovo à estação Paveletsky. Uma viagem de 25 minutos, com dois adeptos ingleses como vizinhos do banco da frente. Hoje há Colômbia-Inglaterra.

Paveletsky é uma das maiores estações de comboio russa. Em 1924, os moscovitas assistiram aqui à chegada do corpo de Lenine, transportado numa locomotiva a partir da sua dacha (casa de campo) na Gorki Leninskie. O funeral (de comboio) de Lenine e a tal locomotiva (pintada de vermelho soviético) está em exibição permanente no Museu dos Caminhos de Ferro de Moscovo, que está situado na estação.

Ou seja, nada melhor à chegada. História russa em andamento. Tal como o velho elétrico de cabos que rasga as ruas, cruzando com um de última geração.

Próximo passo. Saímos da Paveletskaya e percorremos Dubininskaya, nem um quilómetro, até ao 33 V (a numeração), onde fizemos o check-in.

Malas pousadas. O que fazer na primeira noite, minutos depois de entrar no hotel? Kremlin, What else?

Avenidas largas e intermináveis, cinco faixas para cada lado, passeios enormes onde cabem 50 pessoas lado a lado, trânsito, muito trânsito. Ao fim e ao cabo estamos numa metrópole idêntica a tantas outras. Como Nova Iorque, por exemplo.

Uma aventura para atravessar esta mini autoestrada dentro da cidade. Procurámos obter indicações (o pacote de internet estava esgotado, logo não há Google Maps) junto de um senhor que limpava a rua. A palavra Kremlin foi suficiente. Sem falar inglês, apontou a direito e mostrou 4 dedos (depreendemos que eram 4 quilómetros).

Percorremos a Bolshaya Ordynka, atravessamos o Rio Moscovo pela ponte Bolshoy Moskevoretskiy e por baixo dos nossos pés passou um barco em pura diversão.

Bandeiras FIFA alusivas ao Mundial, televisões de todo o mundo com estúdio montado para a Praça Vermelha, e entrámos numa autêntica Disneylândia, um postal, um quadro.

À vista desarmada, a Catedral de São Basílio, Catedral Cazã, Catedral da Anunciação e Catedral de Cristo Salvador. É só escolher.

Há gente de todo o lado. Mexicanos, brasileiros, colombianos, com as cores nacionais, e ingleses com camisolas com a inscrição “From Russia with love tour”.

Estávamos ali embebedados com o caleidoscópio de cores. Mas não era suficiente. Tínhamos que por o pé no Kremlin, na Praça Vermelha, ultrapassando o gradeamento à volta.

Com os detetores de metais desligados e com gente a voltar para trás, percebemos que talvez a expressão “morrer na praia” seria sentida na pele. Ainda assim, pelo sítio onde estavam a sair adeptos, tentámos entrar. Fomos barrados. “Closed”.

Não desistimos, tentámos dar a volta ao quarteirão e entrar por outra porta, fosse dos fundos ou VIP. “Closed”, ouvimos de novo pela voz de um polícia resguardado por gradeamentos.

Passava das 23 horas e o Kremlin, a Praça Vermelha, estava fechada. Certo é que voltaremos hoje.


Diário da Rússia é uma rubrica pela voz (e teclas) de Abílio Reis, Tomás Albino Gomes e Miguel Morgado e fotografia de Paulo Rascão, equipa do SAPO24 enviada à Rússia para fazer cobertura do Mundial. Um diário que é mais do que futebol, porque a bola não se faz só de bola, mas também das pessoas que fazem a festa. Acompanhe a competição a par e passo no Especial "Histórias de futebol em viagem pela Rússia".

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