“Valor de perda de vendas de 2020 entre 250 e 400 milhões de euros”, lê-se num estudo da Católica Lisbon Business and Economics, a que a Lusa teve acesso.

De acordo com o documento, realizado pelo professor Ricardo Reis, que vai ser divulgado na quinta-feira, o setor registou quebras nas vendas entre 68% e 72% durante o período de estado de emergência, decretado face à pandemia de Covid-19, com especial impacto nas empresas de menor dimensão.

Já no total do ano, as vendas vão ser impactadas em cerca de 55%, podendo variar entre 45% “num cenário mais otimista” e os 65% caso se verifique uma segunda vaga de confinamento entre outubro e dezembro.

A grande maioria dos inquiridos defendeu ainda que a recuperação da sua empresa vai estar em linha com a do setor, que deverá acontecer em 2022.

Com a declaração do estado de emergência as principais preocupações dos óticos focaram-se na manutenção dos postos de trabalho, na necessidade de priorizar a saúde visual junto da população, bem como no aumento de medidas de segurança.

Perante o impacto da pandemia no setor, o estudo apontou ser “urgente” mobilizar a procura para que a atividade possa regressar, o mais possível, ao normal.

“Ao contrário de outros setores, o setor da ótica não tem uma procura acumulada a descarregar no desconfinamento. Pelo menos, a população não tem a perceção da necessidade de cuidar a sua saúde ocular depois do período de confinamento. A urgente sensibilização da população pode repor a procura a níveis de normalidade anteriores ao estado de emergência e abrir inclusivamente oportunidades para melhorias significativas na saúde ocular dos portugueses”, lê-se no documento.

Por outro lado, são recomendados financiamentos emergenciais para colmatar a folga de tesouraria, que passou de 60 dias para entre duas e quatro semanas de fundos disponíveis, após 45 dias de confinamento.

Adicionalmente, tendo em conta que as empresas do setor da ótica são caracterizadas por “elevados níveis de investimento”, face à perda de receitas “o mais provável é não conseguirem mobilizar recursos para continuar cursos de investimentos anteriores”.

Assim, “não é de excluir a redução de pessoal e o fechar de alguns estabelecimentos”, revelou, acrescentando que as empresas vão poder optar por reduzir investimento em inventários, o que, consequentemente, vai ter impacto nos fornecedores, nomeadamente, na importação de alguns produtos como óculos de sol, que vão registar maiores reduções de procura.

O estudo identificou ainda como “menos provável, mas igualmente possível”, a limitação das facilidades de pagamento que habitualmente são concedidas aos clientes, apesar de isso se afigurar como “uma estratégia muito arriscada”.

Contudo, a quebra de rendimento dos clientes vai levar a que os óticos se possam ver obrigados a facilitar os pagamentos, gerando “um dilema complicado”.

De uma forma geral, “a saída desta situação vai remeter para a contínua erosão das almofadas de tesouraria e aumentar de endividamento. O setor tem capacidade de endividamento adicional e esse aumento não servirá para ‘aguentar à tona’ um setor. Antes ajudará a fazer a transição mais suave a um setor que mostrou uma enorme resiliência nesta crise”, sublinhou.

No entanto, a crise provocada pela pandemia também vai, segundo o estudo, trazer algumas oportunidades para o setor, que passam pelo reforço da ótica como “elemento de proximidade à comunidade” e enquanto elemento da promoção da saúde ocular, bem como o recurso a novas práticas de gestão que possibilitem tornar o setor mais resiliente, dinâmico e competitivo.

Este setor é constituído por 1.581 empresas, um número que se mantém estável desde 2015, sendo na sua maioria de dimensão micro (89,25%) e 71% com mais de cinco anos.

No total, os retalhistas de material ótico empregam 8.390 pessoas, sendo quase todos técnicos qualificados, e faturam 580 milhões de euros.

Para a realização deste estudo foi aplicado um inquérito, entre 22 e 29 de abril, às empresas do setor, no qual foram consideradas 352 respostas entre 512 inquéritos completos.

Adicionalmente, foram tidos em conta dados do Banco de Portugal (BdP) e da Central de Balanços CEA.

Portugal contabiliza pelo menos 1.424 mortos associados à covid-19 em 32.700 casos confirmados de infeção, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS) de segunda-feira.

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