O apelo aos negociadores da União Europeia e do Reino Unido surge numa altura em que faltam 15 semanas para terminar o período de transição do ‘Brexit’, sendo subscrito pelas maiores organizações representativas dos fabricantes e fornecedores do setor automóvel a nível europeu e por 21 associações nacionais, incluindo do Reino Unido.

“Os negociadores de ambos os lados devem agora envidar todos os esforços para evitar o ‘não acordo’ no final da transição”, refere a Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) - uma das 21 associações que se juntou ao apelo - num comunicado enviado às redações, onde assinala que um cenário de ‘não acordo’ custaria, ao setor automóvel europeu cerca de 110 mil milhões de euros em perdas comerciais nos próximos cinco anos.

Um ‘não acordo’, lê-se no comunicado, poria ainda em risco milhares de empregos, tendo em conta que este setor responde por cerca de 16,6 milhões de empregos – o equivalente a um em cada 15 postos de trabalho da UE e do Reino Unido – bem como pela produção de cerca de três milhões de carros e carrinhas fabricados na UE e no Reino Unido durante os próximos cinco anos.

Estes números iriam somar-se aos cerca de 100 mil milhões de euros de valor de produção perdida este ano por cauda da pandemia de convid-19.

“Para evitar um segundo golpe económico ao setor, a indústria apela aos negociadores para que garantam urgentemente um acordo que proporcione tarifas zero, regras de origem modernas e evite regulamentos diferentes nos dois lados do canal”, é referido.

A ausência de um acordo em vigor até 31 de dezembro de 2020, alertam as associações do setor, faria com que ambas as partes fossem obrigadas a manter relações comerciais sob as regras não preferenciais da Organização Mundial do Comércio (OMC), incluindo uma tarifa de 10% sobre os carros e até 22% sobre as carrinhas e camiões.

“Tais tarifas teriam quase de certeza de ser repercutidas aos consumidores, tornando os veículos mais caros, reduzindo a escolha e afetando a procura”, refere o comunicado, precisando que tal ocorreria pelo facto de essas tarifas serem “muito superiores” às margens da maioria dos fabricantes.

Além da indústria automóvel, também os fabricantes de automóveis serão atingidos pelas tarifas, em caso de não acordo o que, a verificar-se, “aumentará o preço de produção ou levará a mais importações” de componente de outros países de fora da UE “que serão mais competitivos”.

Neste contexto, Associação Europeia de Construtores Automóveis (ACEA, em inglês), a Associação Europeia de Fornecedores Automóveis (CLEPA), bem como as 21 associações nacionais que se uniram neste apelo, salientam que alcançar um “ambicioso acordo” de comércio livre entre a UE e o Reino Unido é “fundamental para o sucesso futuro” desta indústria.

“Qualquer acordo deve incluir tarifas e quotas zero, regras de origem adequadas tanto para os veículos com motores de combustão interna como para os veículos alimentados por energias alternativas, bem como componentes e grupos propulsores e um quadro regulamentar para evitar divergências”, reclamam as associações.

Para os representantes do setor é igualmente fundamental que as empresas possam conhecer de antemão informação detalhada sobre as condições comerciais acordadas e em vigor a partir de 01 de janeiro de 2021 de forma a poderem fazer os necessários preparativos.

Citado no comunicado, Eric-Mark Huitema, director-geral da ACEA, lembra que os desafios que a indústria automóvel da UE tem pela frente são significativos e afirma a necessidade de haver um acordo ambicioso sob pena de o setor, já a sofrer os efeitos da covid-19, ser “duramente atingido por um duplo golpe".

Já Sigrid de Vries, secretário-geral da CLEPA, sublinha que um ‘Brexit’ sem acordo “perturbaria a cadeia de abastecimento automóvel integrada e atingiria a indústria num momento crítico”.

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