"A CGD vive uma situação imperdoável e a responsabilidade é do ministro das Finanças [Mário Centeno] e o primeiro-ministro [António Costa]. Nunca se assistiu a nada assim", afirmou aos jornalistas o deputado social-democrata, antes do início dos trabalhos de hoje da comissão parlamentar de inquérito à gestão do banco estatal.

"O PSD lamenta veementemente a situação a que a CGD chegou, estando a ser gerida por SMS e 'email'", afirmou, considerando que o banco público "devia estar hoje ao serviço da economia".

Hugo Soares criticou o "crescimento medíocre no último ano" da economia portuguesa, dizendo que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também já se referiu publicamente a esse facto.

De resto, o deputado do PSD também lamentou que no reinício dos trabalhos desta comissão de inquérito não sejam ouvidos o ministro das Finanças e António Domingues, tal como o seu partido pretendia.

"Numa atitude sem precedentes, a esquerda parlamentar impediu a comissão de inquérito de ouvi-los. Uma atitude que demonstra arrogância que a esquerda unida e a esquerda radical vêm demonstrando neste parlamento", atirou.

E reforçou: "As esquerdas parlamentares são forças de bloqueio ao desenvolvimento normal da comissão de inquérito".

Hugo Soares disse esperar que "não fique nada por responder" na audição de António Domingues programada para ocorrer na quarta-feira (4 de janeiro), mas no âmbito da Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA), onde também será ouvido Mário Centeno.

O PSD quer aproveitar essa oportunidade para esclarecer "os motivos que levaram à saída de António Domingues", bem como "quais os acordos feitos entre António Domingues e o ministro das Finanças".

O grupo parlamentar social-democrata também quer saber "quem vai conduzir a recapitalização", voltando a dizer que "a CGD tem sido gerida por SMS e 'email'".

O presidente demissionário da CGD, António Domingues, rejeitou prolongar o seu mandato à frente do banco "por mais uns dias", sendo a transição assegurada pela restante administração, disse na segunda-feira fonte do Ministério das Finanças à agência Lusa.

Segundo a imprensa, António Domingues exigiu garantias jurídicas - através dos seus advogados - para prolongar o mandato. Exigências que nunca foram respondidas pelo Ministério das Finanças, o que levou o responsável a comunicar a saída do banco, referem.

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