“A zona histórica é a zona mais fustigada e com maior redução de vendas”, afirmou Maria de Lourdes Fonseca, acrescentando que em zonas como Campo de Ourique ou Alvalade as perdas são menores, apesar de significativas.

A presidente da UACS da Região de Lisboa e Vale do Tejo falava na Comissão Permanente da Economia, Turismo, Inovação e Internacionalização da Assembleia Municipal de Lisboa, onde foi ouvida no âmbito do acompanhamento da situação económica da cidade.

Maria de Lourdes Fonseca referiu que, no centro histórico, as perdas cifram-se na ordem dos 70%, enquanto noutras zonas da cidade, onde há mais habitação, as quebras são de cerca de 20% a 40%.

Sobre o programa da Câmara de Lisboa para apoiar o comércio e restauração da cidade, no valor de 20 milhões de euros, a dirigente afirmou que “ajudou bastante”, mas ressalvou: “neste ponto, conforme estamos neste momento em termos pandémicos e com um novo confinamento, muito sinceramente, é quase impossível calcular os prejuízos para todo o setor”.

“É desesperante. As pessoas não sabem o que hão de fazer, se hão de se manter abertas, se hão de fechar”, relatou.

Por isso, a presidente da UACS pediu à câmara que “aumentasse os valores” ou alargasse os apoios “no tempo”.

Entre as dificuldades com as quais o setor mais se depara, além das questões financeiras, Maria de Lourdes Fonseca destacou casos de conflitualidade laboral “a nível das alterações de trabalho e acordos de compensação de horas”.

“Tem havido muita conflitualidade e esta é uma área que nos tem preocupado bastante. Têm aumentado pedidos de ajuda”, acrescentou.

Além disso, a presidente da UACS alertou para as questões de segurança e de higiene que, defendeu, tendem a deteriorar-se com um novo confinamento e consequente desertificação das ruas da cidade.

A União de Associações do Comércio e Serviços está atualmente a “criar um outro serviço” que visa “ajudar na reestruturação das empresas para poderem continuar a sua existência”, ainda que com menor dimensão.

Sobre as vendas ‘online’, questão levantada pela deputada municipal Simonetta Luz Afonso (PS), “há segmentos em que as vendas ‘online’ não têm grande expressão”, afirmou Maria de Lourdes Fonseca, justificando que há muitas empresas pequenas e familiares “que não estão habituadas às novas tecnologias”.

Ainda assim, a união de associações pretende ajudar cada vez mais ajudar os associados “no comércio ‘online’ e na digitalização”.

“É nisso que nós acreditamos que é o futuro”, defendeu Maria de Lourdes Fonseca, ressalvando que “são processos que demoram algum tempo”.

De acordo com a Câmara de Lisboa, em 22 de dezembro mais de 2.400 empresas de comércio e restauração e agentes culturais já tinham solicitado apoios à autarquia no âmbito do programa Lisboa Protege, para mitigar os impactos da pandemia.

Nesse dia, foram feitos os primeiros 119 pagamentos.

Para se candidatarem a este apoio, as empresas e empresários destes setores devem ter registado uma quebra de faturação superior a 25% entre janeiro a setembro, relativamente ao mesmo período de 2019, e a faturação anual não pode exceder os 500 mil euros.

Para as empresas e empresários com um volume de negócios até 100 mil euros em 2019, o valor do apoio total será de quatro mil euros, enquanto para aqueles que tiveram um volume de negócios entre os 100 mil e os 300 mil euros o apoio total será de seis mil euros.

Quando o volume de negócios tiver sido entre os 300 mil e os 500 mil euros, o apoio total será de oito mil euros.

Portugal é hoje o país do mundo com maior número de novos casos de infeção pelo novo coronavírus por milhão de habitantes, de acordo com vários ‘sites’ que fazem o acompanhamento estatístico da pandemia da covid-19.

O país contabilizou hoje 167 mortes, um novo máximo de óbitos em 24 horas relacionados com a covid-19, e 6.702 novos casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Na quarta-feira, o Conselho de Ministros determinou novas medidas para controlar a pandemia de covid-19, entre as quais o dever de recolhimento domiciliário e o encerramento do comércio de bens não essenciais.

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