Na fase de arranque da produção, revelou à agência Lusa o diretor da fábrica alentejana, Christian Santos, vão ser feitas “peças para motores de aviões” e, mais “para o final do ano”, numa 2.ª fase, começa o fabrico de “peças da estrutura do avião”.

“Vão ser peças maquinadas”, ou seja, peças metálicas feitas em “máquinas sofisticadíssimas”, que estão agora a ser instaladas e ajustadas na fábrica, disse.

As peças vão equipar “o reator de um dos aviões que mais vemos no céu, porque estamos a falar dos motores do A320″, da Airbus, revelou o diretor, acrescentando que, no que toca à estrutura do avião, vão ser feitas peças para “a ligação da asa ao reator”.

A produção, indicou, destina-se à exportação: “Vendemos as peças dos motores ao fabricante de motores”, que, “no nosso caso, é a Safran”, mas “tudo acaba, de qualquer forma, nos fabricantes de aviões, seja a Airbus, a Boeing, a Embraer, a Bombardier ou outros”.

“São peças de alta precisão, não temos margem de erro. Lá em cima, não podemos pôr o pisca-pisca e parar numa nuvem”, disse Christian Santos.

Na unidade alentejana, a empresa pretende adotar um processo produtivo criogénico – à base de azoto líquido – que diz ser “único no mundo” e que está a ser concebido no centro de desenvolvimento (I&D) do grupo Mecachrome em França.

Christian Santos explicou que, tradicionalmente, a maquinação de componentes metálicos é feita a seco ou com a injeção de óleo ou de uma mistura de água e óleo, para “facilitar o corte e arrefecer a peça e a ferramenta”. Mas a criogenia, com azoto líquido a uma temperatura “super baixa”, vai permitir “acelerar a velocidade do corte”, sem aquecer os materiais.

O processo para fabricação de uma peça típica na Mecachrome demora “oito horas”, mas, “com o processo de criogenia, podemos chegar a ganhar um 30 a 50%” de tempo em algumas operações, revelou Christian Santos.

“É um processo novo, não podemos ir comprar uma máquina, não existem ainda coisas fiáveis e robustas” para integrar na produção, afirmou, sublinhando que, por isso, a empresa está “a desenvolver maquinação criogénica” e quer “fiabilizar o processo para trazê-lo para Portugal”.

Escusando-se a revelar muito sobre o projeto, para “não divulgar segredos”, Christian Santos admitiu, contudo, que o novo processo criogénico possa vir a ser instalado em Évora no próximo ano.

A empresa portuguesa, pertencente ao grupo francês Mecachrome, já possui outra fábrica em Setúbal e o investimento na nova unidade de Évora, no Parque de Indústria Aeronáutica da cidade (PIAE), ronda os 30 milhões de euros.

Com uma área de quase 22 mil metros quadrados, o projeto abrange duas fases de construção: a atual, com 13.500 metros quadrados, e uma segunda etapa, em que a fábrica será ampliada para mais 9.300 metros quadrados.

Já com cerca de 30 trabalhadores, a empresa está em processo de recrutamento e espera “terminar o ano, talvez, com 70 a 80″ pessoas. A meta, até 2020, disse o diretor, é chegar aos “cerca de 250 a 300″ trabalhadores, a maioria oriunda do centro de formação aeronáutica de Évora do Instituto do Emprego e Formação Profissional.

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