“Estou contente. Para mim foi uma vitória, porque o que eu queria era a reintegração no meu posto de trabalho”, disse Cristina Tavares aos jornalistas.

A trabalhadora falava à saída do Tribunal da Feira após as duas partes terem chegado a acordo, antes do início do julgamento da ação de impugnação do segundo despedimento, que estava agendada para esta manhã.

A trabalhadora disse estar preparada para regressar à empresa já no próximo dia 01 de julho, para desempenhar as mesmas funções que tinha antes de ser despedida.

“Claro que isto deixou-me marcas psicológicas e a nível familiar, que ainda estou a sofrer por isso, mas estou com força e vou trabalhar como trabalhei sempre naquela empresa”, disse Cristina Tavares.

A funcionária disse ainda que espera que tudo seja ultrapassado e "volte ao normal que era antes disto tudo acontecer".

“Vou dar o meu melhor. Vou trabalhar para lá como trabalhei sempre como uma boa funcionária. Agora também espero da parte de lá que me respeitem, como sempre me respeitaram até haver isto tudo”, afirmou.

O advogado Filipe Soares Pereira, que defendia Cristina Tavares, disse que além de uma vitória para a trabalhadora, este acordo representa “uma mensagem para todas as pessoas que passaram por estas situações”.

Para o causídico, a reintegração de Cristina Tavares na empresa "era inevitável", porque era o desejo da funcionária.

“A Cristina nunca quis uma indemnização em substituição da reintegração. A entidade patronal percebeu que a trabalhadora queria trabalhar e que a licitude do despedimento não existia. A Cristina simplesmente denunciou factos que consubstanciam assédio moral e fê-lo às autoridades competentes e não teve vergonha da situação que vivenciou”, afirmou.

O advogado da corticeira Nuno Cáceres disse que este acordo é para “dar uma oportunidade às duas partes” e para a empresa “retomar a atividade em paz e sossego”.

Além da reintegração da trabalhadora o acordo prevê o pagamento de uma indemnização por danos morais de cerca de 11 mil euros e o pagamento dos salários que a trabalhadora deixou de receber durante o período em que não esteve a trabalhar.

Cristina Tavares foi despedida de uma empresa de Santa Maria da Feira em janeiro de 2017, alegadamente por ter exercido os seus direitos de maternidade e de assistência à família, mas o tribunal considerou o despedimento ilegal e determinou a sua reintegração na empresa.

Em janeiro deste ano, a empresa corticeira voltou a despedi-la acusando-a de difamação, depois de ter sido multada pela Autoridade das Condições do Trabalho (ACT), que verificou no local que tinham sido atribuídas à trabalhadora tarefas improdutivas, carregando e descarregando os mesmos sacos de rolhas de cortiça, durante vários meses.

A situação de Cristina Tavares deu origem a três contraordenações da ACT à empresa Fernando Couto Cortiças, no valor global de quase 50 mil euros.