“O mais importante era que a Caixa Geral de Depósitos fosse forçada a fazer uma OPA à La Seda”, disse Fernando Faria de Oliveira aos deputados durante a sua segunda audição na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD.

O ex-presidente da Caixa disse também que foi um ato de gestão “responsável” não ganhar uma posição suficientemente forte na La Seda que obrigasse a uma OPA, ato que não estave relacionado com pressões por parte da empresa espanhola junto da CGD e do grupo Imatosgil, também participante no projeto.

“Não houve alteração nenhuma em relação ao que tinham sido os grandes objetivos que levaram à presença da Caixa a ser acionista da La Seda e a trazer o projeto Artlant para Sines”, considerou o atual presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB).

Na sua audição da comissão parlamentar, Manuel Matos Gil, da Imatosgil, mencionou no parlamento uma reunião com a CGD em que “Jorge Tomé [antigo responsável pelo Caixa BI] estava em linha com os administradores relacionados à IMG [Imatosgil, empresa de Manuel Matos Gil]”, referindo “coisas estranhas” que se passavam na administração da La Seda.

O representante da Imatosgil “queria tirar Rafael Español da administração da La Seda”, revelou, e considerou que “a companhia La Seda era politizada”, próxima das elites políticas catalãs.

Matos Gil afirmou ainda que o novo presidente da CGD à data, Fernando Faria de Oliveira, “não teria a sensibilidade ou o conhecimento do que se estaria a passar na La Seda”.

De acordo com o empresário, Faria de Oliveira seria defensor de “não se entrar em conflito com aquela região” de Espanha, a Catalunha, e que “era importante não fazer muitas ondas”.

Faria de Oliveira admitiu que não se lembrava dos termos utilizados “na reunião tida com o grupo Imatosgil”.

Sobre as relações com a Catalunha, Faria de Oliveira disse hoje que “esteve três vezes em Barcelona”, que Rafael Español lhe foi apresentado por “um representante da Generalitat [governo regional]” como sendo “um dos principais empresários da Catalunha”, que depois voltou a ver “no lançamento da primeira pedra” do projeto em Sines.

“Não tive mais nenhuma conversa de nenhuma espécie com membros da Generalitat e tinha a noção da pressão dos acionistas espanhóis”, garantiu Fernando Faria de Oliveira, admitindo, porém, que “a La Seda era uma empresa extraordinariamente importante” para a Generalitat.

De acordo com a auditoria à CGD realizada pela EY, o total de crédito concedido à Artlant foi de 381 milhões de euros, e em 2015 a exposição da CGD a este projeto era de 351 milhões.

A CGD tinha também, em 2015, uma exposição de 89 milhões de euros à Jupiter, antiga Selenis SGPS, que participou num aumento de capital da La Seda.

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