Num encontro com empresários que decorreu hoje em Sintra — onde também marcou presença o primeiro-ministro, António Costa –, António Costa Silva considerou que a “invasão da Ucrânia pela Rússia marcou uma nova idade geopolítica”, onde “claramente as placas geotectónicas, da geopolítica internacional, estão-se a mover”.

“Mas, curiosamente, para o nosso país, devido à sua posição estratégica, estamos a recuperar alguns dos grandes projetos que podem ser diferenciadores para o futuro e, sob a liderança do senhor primeiro-ministro, o projeto de porto de Sines – para o converter num ‘hub’ de receção do gás natural liquefeito e fazer um ‘transhipment’ dos navios para o norte da Europa — poderá marcar uma novidade, pondo Sines no mapa das interconexões internacionais”, afirmou.

Nesta sessão — a última no âmbito dos encontros designados “A caminho de Hannover”, organizados pelo primeiro-ministro antes da Feira de Hannover, que arranca este domingo –, o governante defendeu que a “Europa tem um problema urgente de segurança energética, e Portugal tem um potencial imenso a nível de energias renováveis”.

“Estamos a receber muitas manifestações de interesse, provavelmente no futuro vamos ter ilhas artificiais afastadas da costa, onde se podem ter projetos de eólica ‘offshore’, da energia das ondas com a aquicultura em baixo, e com as novas economias de rede, o que pode ser transformador para o futuro”, referiu.

Abordando assim a feira de Hannover, em que Portugal participa este ano como país parceiro, Costa Silva defendeu que o certame “vai ser mais uma plataforma para afirmar e consolidar a imagem do país como um país inovador”.

Intervindo antes do ministro da Economia, o presidente da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta, também defendeu que Portugal “está a passar um bom momento”, esperando que “este momento não seja apenas conjuntural, seja estrutural”.

“Há que o aproveitar, há que fomentar cada vez mais o conhecimento, a investigação, a ligação às empresas, a competitividade, conhecer os custos de contexto e resolvê-los. (…) Portanto, estamos e esperamos, confiamos, que este momento seja um momento de início de uma forte recuperação que nós merecemos, que o país merece e que o país espera atentamente”, afirmou o autarca.

Basílio Horta quis ainda felicitar António Costa pelo projeto do porto de Sines, que considerou ser “um diamante que tem vindo a ser lapidado”.

“Esta ideia de colocar o porto de Sines a receber os grandes navios de tanques de gás liquefeito, e poder fazer a trasfega para navios mais pequenos e que possam depois abastecer o norte da Europa e os Bálticos, diminuindo assim a dependência da Rússia, é uma grande decisão, e felicito-o vivamente: pela economia e, fundamentalmente, pela política que lhe traz associada”, disse.

Discursando também perante os empresários que marcaram presença no encontro e que irão participar na feira de Hannover, o embaixador alemão em Portugal, Martin Ney, mostrou-se “satisfeito e um pouco orgulhoso” por ter ajudado a que Portugal fosse o país parceiro na edição deste ano da feira de Hannover.

“A Hannover Messe é uma plataforma, é um mercado, onde as companhias podem encontrar novos parceiros: isto é particularmente importante hoje. A pandemia, e ainda mais o ataque da Rússia à Ucrânia, mostrou que temos de tornar as nossas economias mais resilientes, o que significa encontrar cadeias de abastecimento mais seguras”, afirmou.

Agradecendo a António Costa por ter “agarrado a oportunidade enorme de mostrar as capacidades da indústria portuguesa na maior feira industrial do mundo”, Martin Ney afirmou ainda que o certame é “a melhor plataforma para as companhias formarem novas parcerias e encontrar novos clientes”.

A Hannover Messe’22 arranca este domingo e termina na sexta-feira. Este ano, Portugal foi escolhido como país parceiro.

Nesse âmbito, António Costa irá deslocar-se àquela cidade alemã entre domingo e segunda-feira para, em conjunto com o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, inaugurar a feira.

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