Intervindo no hemiciclo de Estrasburgo por ocasião da apresentação do relatório anual do BCE, Lagarde insistiu que “o pacote inovador do ‘NextGenerationEU'”, o Plano de Recuperação da UE acordado no final do ano passado pelos 27 para a Europa fazer face à crise provocado pela pandemia da covid-19, “deve ser implementado de modo a que a UE e todos os seus Estados-membros saiam desta crise com estruturas económicas mais fortes e um elevado grau de coesão”.

“Se implementado conforme planeado, o ‘NextGenerationEU’ poderá mesmo impulsionar o crescimento já este ano”, disse, acrescentando de imediato que, para tal, é “essencial” que os fundos deste plano de recuperação “sejam desembolsados rapidamente e utilizados para apoiar reformas estruturais e projetos de investimento que contribuam para o crescimento”.

Segundo a presidente do BCE, tal não só “impulsionaria o crescimento potencial”, como “contribuiria também para alcançar os objetivos da UE nos domínios das alterações climáticas e da digitalização”.

“O início das campanhas de vacinação em toda a zona euro proporciona a luz ansiosamente esperada no final do túnel, mas ao mesmo tempo o ressurgimento dos casos de covid-19, as mutações do vírus e as medidas rigorosas de contenção constituem um risco negativo significativo para a atividade económica da zona euro”, declarou também Christine Lagarde.

No arranque da sessão plenária do Parlamento Europeu, a responsável vincou que “a pandemia gerou uma grave crise de saúde pública e económica” e uma “contração económica sem precedentes”.

E, apesar de os procedimentos de vacinação em curso “darem esperança”, os cidadãos “em toda a Europa continuam a enfrentar as terríveis consequências sociais e económicas do vírus e o futuro permanece incerto”, assinalou a líder do banco central.

“A produção permanece muito abaixo dos níveis pré-pandémicos e a incerteza sobre a forma como a pandemia irá evoluir permanece elevada”, acrescentou.

Ainda assim, a responsável disse esperar que, “quando as medidas de contenção forem levantadas e a incerteza diminuir, a recuperação seja apoiada por condições de financiamento favoráveis, políticas orçamentais expansionistas e uma recuperação da procura”.

Para o permitir, a presidente do BCE assegurou que a instituição continuará com uma “postura de política monetária de acomodação” e defendeu “condições de financiamento favoráveis para colocar a recuperação económica numa trajetória autossustentável”.

Além disso, as “políticas monetária e orçamental devem continuar a trabalhar lado a lado”, tanto ao nível dos países como a nível europeu, sustentou Christine Lagarde, considerando que só assim se poderá “reforçar a recuperação na zona euro e enfrentar o impacto da pandemia”.

Na sua intervenção perante os eurodeputados, Christine Lagarde considerou ainda que “uma recuperação mais sólida é uma pré-condição para relançar a inflação em torno da sua trajetória pré-pandémica”.

Em janeiro deste ano, de acordo com a responsável, registou-se um “aumento acentuado” na inflação da zona euro, que ainda assim “permanece baixa”.

“Isto pode ser atribuído a uma procura fraca e a uma folga significativa nos mercados de trabalho e de produtos e, embora se espere que a inflação global continue a aumentar nos próximos meses, é provável que as pressões subjacentes sobre os preços permaneçam moderadas devido à fraca procura, às baixas pressões salariais e à apreciação da taxa de câmbio do euro”, estimou ainda Christine Lagarde.

A intervenção de Christine Lagarde ocorre na semana em que o Parlamento Europeu vai votar o Mecanismo de Recuperação e Resiliência, o pilar do plano de recuperação ‘NextGenerationEU’, dotado com 672,5 mil milhões de euros em subvenções e empréstimos para financiar medidas nacionais contra as consequências económicas e sociais da pandemia.

O texto da proposta de regulamento que estabelece o mecanismo já foi acordado, de forma provisória, entre o Parlamento e o Conselho em dezembro de 2020.

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