Hoje em dia, não faltam artigos, apresentações, palestras e vídeos sobre empreendedores de sucesso, startups, unicórnios e outras nomenclaturas para aquilo que são considerados casos de sucesso. Não sendo segredo que, 9 em cada 10 startups falham, este é um assunto ainda pouco explorado. Por definição, uma startup é, simultaneamente, um negócio de grande crescimento, mas também de alto risco, pelo que estes números não deveriam surpreender. Ainda assim, há falhas que parecem ser recorrentes e das quais se podem tirar lições sobre o que não fazer. Este artigo descreve alguns dos erros mais comuns de muitos empreendedores.

Falta de necessidade do mercado

Uma das principais razões para um startup falhar prende-se com o facto de não haver uma necessidade para aquele produto no mercado. Não importa o quão gira é uma ideia ou o quão sofisticada é a sua tecnologia, se não for algo que resolva um problema ou seja uma necessidade dos seus consumidores, a probabilidade de ter algum sucesso é diminuta. Um bom exemplo é a Mobitto, uma startup portuguesa que chegou a contar com o investimento de Cristiano Ronaldo e que desenvolveu uma aplicação de descontos em tempo real. Segundo Diogo Teles, os pequenos empresários, que eram os principais parceiros, dada a proximidade que podiam desenvolver com clientes, acabavam por interagir diretamente com os mesmos, tornando a aplicação obsoleta.

Subestimar a concorrência

Um erro comum de muitas startups é acreditar que estão sozinhas no campo das boas ideias, sem fazer uma correta prospeção de mercado. Ter concorrência não é necessariamente uma desvantagem, já que mostra que o mercado para o produto existe, mas exige que haja uma diferenciação clara e bem percecionada do produto ou serviço. Foi por esse motivo que a startup Travel with Mario, fundada em 2013 e que funcionava como uma espécie de guia digital, não terá vingado. Segundo Mário Mouraz, seu fundador, “como havia muita concorrência era difícil a diferenciação”.

Falta de um modelo de negócio válido

A falta de uma estratégia, seja ela de investimento, procura de investimento, inserção no mercado ou expansão é apontada como uma das principais razões pelas quais pequenas empresas falham. Este é um dos erros apontados por João Romão, fundador da Wishareit,  no artigo “5 Mistakes I Made Launching a Startup” [5 erros que eu fiz quando lancei uma startup. Segundo o empreendedor, a equipa estava mais focada no desenvolvimento do produto do que negócio, procurando adicionar funcionalidades ao mesmo sem validar aquilo que já tinham.

Preço/custos inadequados

Calcular o preço a que deve ser vendido um produto ou um  serviço é um dos maiores desafios para uma startup. O mesmo deve garantir de cobre todos os custos operacionais, mantendo uma margem de lucro, mas, por outro lado, deve ser atrativo para potencias clientes e dentro daquilo que estarão dispostos a pagar.

Antes da Apple atingir o sucesso com que hoje a conhecemos, lançou o produto Apple Lisa. Foram precisos 3 anos e cerca de 50 milhões de dólares [42 milhões de euros] para desenvolver o computador pessoal de última geração para clientes empresarias. O seu preço de 9,999 dólares [8494,20 euros] revelou-se demasiado alto para muitos consumidores e acabou por ser descontinuado.

Fraco enquadramento legal

Uma ideia simples pode implicar um enquadramento legal complexo ou caro. Um exemplo disso é o website Napster, lançado no final dos anos 90. Napster oferecia um serviço de partilha de ficheiros de música que rapidamente se tornou popular, chegando a cerca de 80 milhões de utilizadores. No entanto, os seus fundadores não consideram a questão de pagamento de direitos de autor a que os artistas teriam direito pela música, o que resultou numa série processos em tribunal que forçaram a empresa a terminar os seus serviços.

Fraca aposta na comunicação e marketing

Grande parte das startups são ligadas à tecnologia sendo, por isso, criadas por engenheiros, técnicos e informáticos com grande capacidade de desenvolvimento de produtos disruptivos, mas com poucos conhecimentos de marketing. É essencial conhecer o mercado, comunicar com potenciais clientes e saber como, quando e onde fazê-lo. Por mais interessante que seja um produto, é difícil vendê-lo se não chegar às pessoas.

Num artigo sobre o que aprendeu com o fecho da sua startup, Pawel Brodzinski, conta que essa foi uma das maiores lições a retirar. A startup Overto tinha uma  equipa demasiado focada no desenvolvimento do produto, mas sem especialistas em marketing ou com tempo para o fazer.

Aprender com os erros e dar a volta

Para muitos empreendedores, é importante assumir que falhar faz parte do processo e não é necessariamente mau. No podcast Start Now Cry Later, André Jordão, CEO da Barkyn, uma startup de ração adaptada a animais domésticos, fala-nos de como na Europa a falha é vista com estigma, quando deveria, tal como na América, ser considerada como uma medalha de guerra. No seu caso, acredita que o sucesso da startup que recebeu recentemente uma ronda de investimento de 5 milhões de euros, se deve, em grande parte, a uma questão de timing, ou seja, estar no sítio certo à hora certa.

Também são inúmeros os casos de sucesso que nasceram de falhas. Exemplo disso é a Flickr, uma plataforma de partilha de fotografias, que terá sido comprada um ano depois do seu lançamento por 35 milhões de dólares [29,7 milhões de euros]. A Flickr nasceu duma tecnologia criada para jogos online em 2004, numa altura em que não era ainda popular jogar na internet.

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Um artigo do parceiro

A Startup Portugal, responsável pela promoção da estratégia nacional para o empreendedorismo, desenvolve iniciativas próprias que suportam as startups desde a fase da ideia à fase de implementação e internacionalização. Agora, une-se ao SAPO24 e ao The Next Big Idea para trazer semanalmente uma série de artigos sobre tendências e notícias à volta do mundo das startups e não só.